Crime

Rachas ganham força na cidade com mobilização via redes sociais

Inconsequentes e conectados, motoristas promovem corridas ilegais na região metropolitana, causam tragédias e gastam até 100 000 reais para turbinar carros

Por: Sergio Quintella - Atualizado em

Racha - Corrida
Largada na Rua Lauro de Gusmão Silveira, em 1º de setembro: os carros ultrapassam 150 quilômetros por hora (Foto: Alexandre Battibugli)

Por volta das 22 horas de 1º de setembro tem início mais uma sessão de “Velozes e Irresponsáveis” na Rua Lauro de Gusmão Silveira, em Guarulhos, na vizinhança do Aeroporto de Cumbica. Um dos primeiros a aparecer é o dono de um Fusca 72 azul, com placa de São Paulo. “E aí, ‘mano’, hoje vai ser o bicho, hein?”, pergunta ele, acelerando o motor envenenado para provocar os adversários. “Chego a mais de 150 quilômetros por hora até o fim da pista”, gaba-se.

O primeiro a desafiá-lo é um Range Rover. Os veículos emparelham no meio da via. Um mecânico que ajuda a preparar os bólidos da turma põe-se entre os dois automóveis e dá o sinal de largada. Centenas de espectadores aglomerados ao redor, alguns até com bebês no colo, esticam o pescoço para ver quem chegou na frente. Outros sobem nas carretas estacionadas na área para ter uma visão melhor. A maior parte da plateia, que torcia para o “primo pobre”, vibra quando o velho Volkswagen supera o esportivo da Land Rover, quase quarenta anos mais novo e milhares de reais mais caro.

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A plateia: até crianças de colo na “arquibancada” (Foto: Alexandre Battibugli)

Ao longo da noite, mais de cinquenta rachas se sucedem no “Atacadão”, como o local ficou conhecido entre os frequentadores, por causa do supermercado das redondezas que serve de ponto de referência. A reportagem de VEJA SÃO PAULO acompanhou cinco vezes esse movimento nos últimos dois meses. Somente em uma dessas ocasiões apareceu uma viatura de polícia, que espantou o grupo de lá. Meia hora depois, no entanto, a folia recomeçou no pedaço, como se nada tivesse acontecido.

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Um dos modelos mais frequentes é um Audi TT azul 2013, adaptado para um cadeirante. Seu proprietário sofreu há quatro anos um acidente de moto que o deixou paraplégico. Em seu Facebook, o empresário de 40 anos já postou vídeos de uma arrancada. “Eu e meu sobrinho brincando com uma BMW M5”, escreveu.

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Início de mais uma prova: a bagunça ocorre no local há pelo menos dez anos (Foto: Alexandre Battibugli)

A mesma atividade ilegal se repete com frequência em vários outros pontos, a exemplo da Avenida dos Estados, em Santo André, no ABC paulista, perto do posto de gasolina Cabeça Branca. Ali, por noite, ocorrem duas ou três sessões de arrancadas, mas sem muitas testemunhas. “Não gosto de showzinho, de plateia”, afirmou um dos participantes, com a condição de não ser identificado.

Dono de um Gol GTI 93, o jovem, que aparentava ter pouco mais de 20 anos, contou que gastou 40 000 reais em uma oficina especializada para aumentar em seis vezes a potência do motor. “Certa vez, dei 250 quilômetros por hora com ele na Via Anchieta", gabou-se. Na capital, os adeptos das corridas costumam se reunir na Avenida Jacu-Pêssego, em Itaquera, na Zona Leste. Outro ponto tradicional fica na Marginal Pinheiros, nas imediações da Ponte Cidade Jardim.

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No Brasil, irresponsabilidade ao volante não costuma resultar, na prática, em punição à altura do perigo a que a população é exposta. Para quem for flagrado fazendo pegas, prevê-se de seis meses a três anos de detenção mais multa de 1 915,38 reais (ela aumentará para 2 934,70 reais em novembro) e suspensão ou cassação da carteira de motorista. As penalidades em outros países se mostram mais efetivas.

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Disputa no “Atacadão”: o velocímetro chega a 150 quilômetros por hora (Foto: Alexandre Battibugli)

No Canadá, por exemplo, no distrito de Ontário, as multas variam de 2 000 a 10 000 dólares canadenses (ou seja, atingem mais de 24 000 reais). Nos Estados Unidos, além de o crime doer no bolso e dar cadeia, dependendo da situação, o carro do infrator chega a ser leiloado ou destruído. E atá quem assiste aos eventos ilegais recebe uma fatura pelo delito.

Enquanto em outros locais a lei se faz valer, aqui é desanimador ver quantos criminosos passam impunes. Até hoje, a costureira Solange Rodrigues aguarda na Justiça o julgamento de Vagner Fraga Ferreira. Em novembro de 2013, ele conduzia um Fiat Stilo amarelo em alta velocidade perto da Ponte do Piqueri, na Lapa. Ao atravessar a rua na faixa de pedestres, Jéssica Silva, de 22 anos, que ia para um show na companhia de amigos, foi atropelada pelo veículo.

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Jéssica, outra vítima de acidente fatal: impunidade para motorista (Foto: Divulgação)

Seu corpo varou o para-brisa. Nem assim o motorista parou o automóvel. Avançou por alguns metros e abandonou o local sem prestar socorro. Ele se apresentou no dia seguinte à delegacia, com a habilitação vencida. Em seguida, foi indiciado por homicídio com dolo eventual (pena de seis a vinte anos de cadeia, se for condenado).

O caso ainda está na fila dos tribunais. "É um absurdo ninguém ter sido punido", indigna-se Solange, que passou a cuidar da filha de Jéssica, hoje com 7 anos. "Fiquei despedarada", completa a costureira. Guarda civil metropolitano, Renildo dos Santos, de 34 anos, pai de duas crianças, teve a vida ceifada de modo parecido em junho do ano passado. Uma BMW envolvida em um racha na Avenida dos Bandeirantes atingiu violentamente seu carro.

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Renildo, vítima de acidente fatal: os motoristas que provocaram as tragédias continuam impunes (Foto: Divulgação)

Em uma tragédia ainda mais chocante, o eletricista Valdeni da Silva e sua filha Larissa, de apenas 2 anos, faleceram após uma batida em uma avenida do Tremembé há quase dois anos. O automóvel da família ficou completamente destruído. Também a bordo, a esposa e a outra filha, de 5 anos, foram internadas em estado grave, mas sobreviveram. Causador do acidente, Walter Fernandes Lopes já havia atropelado quatro pessoas em 2008 (uma delas não resistiu aos ferimentos). Tanto no caso do GCM Renildo quanto no de Valdeni e sua filha, os responsáveis nunca foram presos.

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Tragédia no Tremembé: pai e filha mortos (Foto: Fernando Neves/Futura Press)

Os rachas são um problema antigo de São Paulo, e uma das soluções tentadas pelas autoridades foi buscar atrair os corredores para Interlagos. A partir dos anos 70, começaram a ser organizadas no autódromo provas de arrancadas para amadores, com todo o aparato de segurança. A adesão, porém, nunca foi muito relevante. Aos últimos eventos do tipo compareceram cerca de 150 “pilotos”, que pagam uma taxa de até 300 reais para participar da competição.

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O engenheiro William Kishi, de 28 anos, é um dos frequentadores. Gastou mais de 100 000 reais para turbinar seu Gol 2011. “A emoção e a satisfação compensam o investimento”, explica. Apesar de frequentar o circuito oficial, ele confessa dar umas escapadas de vez em quando para acelerar nas ruas da cidade. “Vou a Interlagos apenas duas vezes por mês. É pouco”, justifica. “Mas não ponho a vida de ninguém em risco”, completa, sem se dar conta da contradição entre o discurso e o ato irresponsável.

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Kishi: circuito amador em Interlagos (Foto: Alexandre Battibugli)

Apenas 65 multas por participação em rachas foram aplicadas na Grande São Paulo no ano passado. O comando da Polícia Militar, por meio de uma nota oficial, diz que investe na repressão a esse tipo de crime. Mas até hoje ninguém tomou medidas efetivas para acabar com a barbaridade do “Atacadão” de Guarulhos, que rola por lá há pelo menos dez anos. “Só não terminam com isso porque não querem”, diz um frequentador. “Bastava pôr lombadas no trajeto.”

Em maio, uma blitz da PM na Cidade Jardim resultou em 82 carros multados e oito apreendidos. Recentemente, os rachas começaram a ocorrer novamente no pedaço. Com a ajuda das redes sociais e do WhatsApp, os motoristas vão organizando novas corridas. Graças à fiscalização frouxa e à certeza da impunidade, a cara de pau e a ousadia dessa turma só aumentam. No próximo 17 de setembro, por exemplo, um grupo com mais de 100 adeptos marcou pelo aplicativo de celular o “arrancadão do século”. Eles prometem sair da Praça Charles Miller, no Pacaembu, e acelerar até o Km 125 da Rodoviados Bandeirantes, já nas redondezas da cidade de Santa Bárbara D’Oeste.

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Blitz na Marginal Pinheiros, em maio: 82 multas e oito apreensões (Foto: Joel Silva/Folhapress)

ALTA VELOCIDADE

Alguns dos números relativos ao problema de trânsito

915,38 reais é a multa para quem for pego tirando racha

2 934,70 reais será o valor da penalidade a partir de novembro deste ano

65 é total de infrações do tipo registradas na Grande São Paulo em 2015. Até junho deste ano, o número chegou a 26

3 anos é a detenção máxima para quem for condenado. Ela pode dobrar caso haja acidente com vítima e chegar a dez anos se ele for fatal

*Com reportagem de Carolina Giovanelli

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  • Franceses

    Le Jazz Brasserie - Shopping Iguatemi

    Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2232, Jardim Paulistano

    Tel: (11) 3097 8331

    VejaSP
    12 avaliações

    Não sem um quê de improviso, o primeiro Le Jazz Brasserie foi aberto por sete amigos em um espaço apertado, no térreo de um prédio residencial em Pinheiros. O local, onde havia funcionado uma oficina mecânica, nem espaço para estoque tinha. Mas deu tão certo que se multiplicou por mais dois endereços vistosos, um nos Jardins (3062-9797) e outro no Shopping Iguatemi (3097-8331). A política é igual em todas a unidades: receitas tradicionais a preços que cabem no bolso. Quem cuida do salão é o sócio Gil Carvalhosa Leite, enquanto o chef Chico Ferreira se ocupa da cozinha. Por R$ 63,50, saboreia-se o peito de pato malpassado na medida junto ao molho de tangerina com espinafre e purê de batata. Mais moderna, a lula cortada como um espaguete à carbornara foi decalcada da receita criada pelo chef francês Jean-François Piège e pode ser saboreada de entrada. O molho leva parmesão, crocante de presunto cru, uma gema de ovo no centro e salsinha picada (R$ 43,50). Feita com duas fatias de pão recheadas de geleia de frutas vermelhas, a rabanada quentinha contrasta com o gelado do sorvete de baunilha (R$ 22,50).

    Preços checados em 14 de junho de 2016.

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  • Latinos

    La Mar Cebicheria Peruana

    Rua Tabapuã, 1410, Itaim Bibi

    Tel: (11) 3073 1213

    VejaSP
    15 avaliações

    Gastón Acurio, chef‑celebridade do Peru e criador desta franquia, ajudou a espalhar a culinária de seu país mundo afora com a abertura de várias unidades do La Mar. Prato nacional, o ceviche surge em versões como o misto (R$ 43,00), de peixe branco, lula, camarão e polvo. Outro clássico, o chupe é uma sopa de camarão, batata, ovo, fava e pedaços de queijo branco (R$ 45,00). O fecho é dado com a musse de limão com sorvete, merengue e crocante de amêndoa (R$ 19,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Italianos / Sanduíches

    Forneria San Paolo - Itaim Bibi

    Rua Amauri, 319, Itaim Bibi

    Tel: (11) 3078 0099 ou (11) 3078 4888

    VejaSP
    3 avaliações

    As casas comandadas por João Paulo Diniz e Ricardo Trevisani estão passando por uma pequena revolução. Por enquanto, foi alterada a matriz, no Itaim, que ficou mais charmosa. No cardápio, a mudança é orquestrada por Marcelo Almeida (ex-Manioca). Com matéria-prima orgânica, o chef desenvolveu novidades como a salada intercalada por rosbife e uma tela de pão crocante (R$ 39,00). Embora vegetariano, o steak de quinoa (R$ 49,00) revela-se uma delícia. Para quem não fica sem carne, a dica é o galetinho com polenta assada (R$ 53,00). Nas sobremesas, vá de piadina de morango e doce de leite (R$ 24,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Padarias

    Padaria da Esquina

    Alameda Campinas, 1630, Jardim Paulista

    Tel: (11) 2387 0149

    VejaSP
    Sem avaliação

    Esqueça ciabatta, baguete, brioche ou mesmo um trivial francês. Não há nada de padaria de esquina na Padaria da Esquina de Vítor Sobral. O nome vem da “mania” do chef alentejano de pensar em suas casas como se estivessem no encontro de duas ruas, por mais que elas fiquem no meio do quarteirão. Foi assim com a Tasca da Esquina, seu primeiro negócio por aqui, e é agora com este empreendimento, aberto em julho. Além de Edrey Momo, o sócio de sempre, Sobral recrutou para a empreitada os padeiros Luiz Paulo de Vasconcelos Filho e Laura Roldan. São esses dois os responsáveis pelas receitas típicas da terrinha, de fermentação longa e aroma irresistível. Bons exemplos, o mafra (R$ 36,50 o quilo) é feito com uma combinação de farinhas de trigo e de centeio e o alentejano (R$ 45,00 o quilo) tem acidez pronunciada. Com tantas novidades, uma visita não basta. E acredite: você vai querer voltar.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Hamburguerias

    Holy Burger

    Rua Doutor Cesário Mota Júnior, 527, Consolação

    Tel: (11) 4329 9475

    VejaSP
    14 avaliações

    A minúscula lanchonete não raro está lotada e há filas na entrada mesmo em dias de semana. Entre os bons sandubas, o mr. chris P. reúne um disco de 160 gramas de carne, gorgonzola, molho barbecue feito com cerveja preta e crispy de cebola por R$ 25,00. Mais basicão, o cheese burger (R$ 19,00) leva queijo prato, molho de tomate e maionese. Cortadas em palitos finos,as fritas (R$ 5,00) chegam sequinhas e crocantes. Na sobremesa, não pule o pudim de leite condensado com cumaru (R$14,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Dá para quantificar o sucesso do Palavra Cantada. Quando Sandra Peres e Paulo Tatit sobem ao palco, porém, a melhor medida do sucesso é a emoção da plateia, que canta animada faixas como Sopa e Vai e Vem das Estações. O duo preparou um show temático para o próximo domingo, 4, ao lado de um coral composto de cerca de oitenta crianças entre 6 e 14 anos. Toda essa galera solta a voz em canções do repertório de Sandra Peres e Paulo Tatit. Em inglês, eles mostram ainda uma versão de Hello Goodbye, dos Beatles. Atenção: são quase 5 000 ingressos e eles estão concorridos. Dia 4/12/2016.
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  • Clássico infantil da MPB, o disco Canção dos Direitos da Criança (1987) é fruto da bem-sucedida parceria entre o compositor Toquinho e o artista plástico Elifas Andreato. Reúne dez composições inspiradas nos princípios da Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada pela ONU em 1959. A obra, que já foi adaptada mais de uma vez para os palcos, ganha nova versão pelas mãos de Carla Candiotto, uma das fundadoras do grupo de teatro infantil Le Plat du Jour. A trama se passa na era vitoriana, em meio à Revolução Industrial, no reino da Rainha Má (Carol Badra), que, junto do seu ajudante, o Primeiro Ministro (André Dias e Edgar Bustamante), chama as crianças que trabalham no castelo de “coisinhas”. A turma, que já não aguenta mais os maus-tratos dos seus superiores, resolve bolar um plano para conseguir mais comida, o que rende cenas cheias de humor. A história conta com um elemento-surpresa no final, porém seu desenrolar às vezes peca pelo clichê. Esse fator é relevado pelo texto atual e engajado, combinado com canções cantadas ao vivo que conversam com a produção, como Gente Tem Sobrenome e Bê-ABá. O resultado da montagem atinge sua proposta original: informar de uma maneira divertida. Estreou em 12/9/2015. Até 30/10/2016.
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  • Nove anos depois de montar My Fair Lady pela primeira vez, Jorge Takla está à frente desta outra versão igualmente sofisticada e obrigatória para os fãs de musicais que rezam a cartilha da Broadway. A ficha técnica escolhida por ele faz por merecer. Fábio Namatame assina os figurinos deslumbrantes, enquanto o argentino Nicolás Boni criou os imponentes cenários que transportam a plateia para a Londres do início do século XX. É lá que se passa a trama, inspirada na peça Pigmaleão, do irlandês Bernard Shaw, que fala da luta de classes tendo como base a relação de amor e ódio entre um refinado professor de fonética e uma pobre florista de sotaque irritante. A aguardada estreia do cantor lírico Paulo Szot em um musical brasileiro surpreende, mas não somente pela sua voz. Com exceção de I’ve Grown Accustomed to Her Face, um dos momentos mais emocionantes, as canções exigem muito menos do que sua voz de barítono pode alcançar. O desafio maior de Szot é construir um personagem irônico, que tem aversão às mulheres, e ele o vence com louvor. Seu professor Higgins é odioso, como deve ser. Outra boa surpresa é Daniele Nastri, selecionada por Takla entre 600 candidatas para viver a florista Eliza Doolittle. Bonita e talentosa, ela promete dar o que falar daqui para a frente. No afinadíssimo elenco que reúne trinta atores também ganham destaque na cena Eduardo Amir, competente como o coronel Pickering, amigo do professor, e Sandro Christopher. A esse último, no papel de Alfred Doolittle, pai de Elisa, cabem os números musicais mais divertidos do espetáculo. Atenção: Szot é susbstituído até o final da temporada por Fred Silveira. De 27/8/2016. Até 6/11/2016. + Em Números 5 milhões de reais foram necessários para montar o musical 44 artistas estão no elenco, sendo 30 atores e 14 músicos 600 atrizes disputaram o papel da florista Eliza Doolittle 200 trajes são usados pelos atores a cada sessão 500 horas foi o tempo total gasto com os ensaios
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  • Monólogo dramático

    Cachorro Enterrado Vivo
    VejaSP
    Sem avaliação
    Um fato noticiado em 2014, sobre um homem contratado para enterrar um cachorro vivo, inspirou o monólogo escrito por Daniela Pereira de Carvalho. Leonardo Fernandes alterna-se entre os três personagens de Cachorro Enterrado Vivo. O cão em questão e seu dono vivem entregues à amargura por causa de uma mulher que desapareceu da vida deles. Há ainda o coveiro, que também carrega as próprias dores. Afora as questões éticas, o texto tocante joga sobre a plateia a convicção de que não há diferença entre seres racionais e irracionais quando o assunto é crueldade, rejeição, amor e solidão, por exemplo. O maior trunfo da montagem, contudo, está na interpretação. Ainda que comovente nos três papéis, Fernandes alcança uma atuação superlativa como o cão cujo olhar pede socorro. Seu sofrimento, expresso na respiração pesada, nos latidos e nas rosnadas, é de uma humanidade impressionante. Estreou em 6/8/2016. Até 26/9/2016.
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  • Maria Bethânia mostra dois repertórios nesta semana. No domingo (11/9), o show — com entrada grátis no Sesc Itaquera — é Abraçar e Agradecer, uma celebração de seus cinquenta anos de estrada. Na retrospectiva, faixas como Negue, Olhos nos Olhos e Fera Ferida. Na terça (13/9) e na quarta (14/9/2016), a artista apresenta no Sesc Pinheiros Bethânia e as Palavras. Ela intercala histórias pessoais com a declamação de poemas de Guimarães Rosa, Cecília Meireles e Ferreira Gullar, entre outros autores, mais composições de Luiz Gonzaga, Renato Teixeira, Amália Rodrigues e Paulinho da Viola.
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  • Autora de um dos melhores discos do ano passado, A Mulher do Fim do Mundo, Elza Soares apresenta-se sempre sentada numa imponente poltrona. Só com o vozeirão, preenche o palco e emociona a plateia. Nesta apresentação, ela comemora o bom momento e lança o vinil do disco em três apresentações. Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Rodrigo Campos, Romulo Fróes, Felipe Roseno e Guilherme Kastrup,que assina a produção do álbum, acompanham a cantora no palco. 27, 28 e 29/10/2016.
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  • O quadro Color Tears, um dos setenta trabalhos de Vik Muniz que integram a mostra Handmade, parece ser totalmente feito de recortes de revista e dobraduras. Na verdade, mistura pedaços rasgados de papel com fotos de outras tiras com o mesmo padrão. No conjunto final, é difícil distinguir uns dos outros. Para conseguir o efeito visual, o artista investiu em tecnologia. "Comprei máquinas fotográficas, scanners e impressoras de alta resolução", conta Muniz. De 2/9/2016. Até 5/11/2016.
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  • Esqueça a pompa grandiosa dos dramas bíblicos mais típicos: o escocês Ewan McGregor interpreta um Jesus Cristo introspectivo, em conflito silencioso com as próprias incertezas, no sereno Últimos Dias no Deserto. Com muitas licenças poéticas e amparado por uma fotografia deslumbrante de Emmanuel Lubezki (de O Regresso), o diretor de Destinos Ligados e Albert Nobbs rejeita o óbvio e mira a delicadeza ao imaginar como teria sido a longa caminhada de quarenta dias do salvador cristão. Ao encontrar uma família em crise, o Messias questionará o uso dos seus dons. Estreou em 8/9/2016.
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  • Não é tudo lixo

    Atualizado em: 9.Set.2016

  • Programa concorrido no calendário dos fãs de cinema, o Indie Festival combina retrospectivas e novos filmes de cineastas premiados em mostras internacionais. Entre os trinta longas programados para a edição de 2016, que começa na quinta (15/9/2016) e vai até 21 de setembro no CineSesc, há fitas aguardadas como a soturna Creepy, de Kiyoshi Kurosawa, que será exibida no sábado (17), às 19h. Confira a programação: Quinta, 15 de setembro 14h30 – Lampedusa (2013), de Peter Schreiner 17h - Teatro do Senhor e Senhora Kabal (1967), de Walerian Borowczyk 19h - Hiroshima Meu Amor (1959), de Alain Resnais 21h - Apesar da Noite (2015), de Philippe Grandrieux Sexta, 16 de setembro 14h30 - Suite Armoricaine (2015), de Pascale Breton 17h30 - A Vida Após a Vida (2016), de Zhang Hanyi 19h - Na Vertical (2016), de Alain Guiraudie / Masterclass: 'Uma banda de um homem só: Walerian Borowczyk' com o curador Daniel Bird. Ingressos disponíveis 1 hora antes, vagas limitadas. 21h - Goto, Ilha do Amor (1968), de Walerian Borowczyk Sábado, 17 de setembro 14h30 - Estranhos no Paraíso (1984), de Jim Jarmusch 17h – Blanche (1971), de Walerian Borowczyk 19h – Creepy (2016), de  Kiyoshi Kurosawa 21h30 - A Besta (1975), de Walerian Borowczyk Domingo, 18 de setembro 14h30 - Lily Lane (2016), de Bence Fliegauf, Hungria 17h - Contos Imorais (1974), de Walerian Borowczyk 19h - O Que Está Por Vir (2016), de Mia Hansen-Løve 21h - O Homem que Caiu na Terra (1976), de Nicolas Roeg Segunda, 19 de setembro 14h30 - Short Stay (2016), de Ted Fendt 17h - A Morte de Luis XIV (2016), de Albert Serra 19h - O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Senhorita Orbourne (1981), de Walerian Borowczyk 21h - Mais Um Ano (2016), de Shengze Zhu Terça, 20 de setembro 14h30 - Curtas Walerian Borowczyk: Era Uma Vez (1957/9min.), de Walerian Borowczyk & Jan Lenica; Casa (1958/11min.), de Walerian Borowczyk & Jan Lenica; Renaissance (1963/9min.), de  Walerian Borowczyk; O Jogo dos Anjos (1964/12min.), de Walerian Borowczyk; Rosalie (1966/15min.), de Walerian Borowczyk; Uma Coleção Particular (1973/12min.), de Walerian Borowczyk 17h - Happy Hour (2015), de Ryusuke Hamaguchi Quarta, 21 de setembro 14h30 - A Vida Após a Vida (2016), de Zhang Hanyi, China 16h30 - História do Pecado (1975), de Walerian Borowczyk 19h - Blow-Up (1966), de  Michelangelo Antonioni 21h - Três histórias de amor (2015), de Ryosuke Hashiguchi
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Fonte: VEJA SÃO PAULO