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“Quero ser uma diva”, diz Ailton Graça

Como o travesti Xana Summer, de "Império", o ator vive o auge do sucesso

Por: Júlia Gouveia

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Desde o início da novela Império, da TV Globo, em julho, o ator paulistano Ailton Graça é conhecido por um novo pronome no Projac, a central de produção da emissora no Rio de Janeiro. "Quando chego para gravar, a equipe brinca de me chamar de 'ela'", diz. Com sobrancelhas desenhadas, lenços coloridos e trejeitos divertidos, ele interpreta o travesti-cabeleireiro Xana Summer, um dos maiores destaques da trama, que tem registrado média de 30 pontos de audiência no Ibope em São Paulo. "Eu imaginava que agradaria ao poeblico, mas não esperava isso tão rápido", comemora o autor Aguinaldo Silva. Nas ruas, a empatia tem sido grande. "As crianças adoram o personagem e os grupos gays me dizem que têm se sentido representados", conta Graça.

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Para encarnar a figura, o ator enfrenta diariamente sessões de duas horas de maquiagem e maratonas de gravações que chegam a durar catorze horas. Além disso, pediu para ter aulas de stiletto, estilo de dança em que se usa salto alto, e frequentou um laboratório para aprender o ofício dos salões de beleza. "Comprei um escarpim número 42 e fiquei treinando em casa", lembra. "Quero ser uma grande diva", ri.

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Nascido e criado no Jardim Miriam, na Zona Sul da capital, Ailton está em seu nono folhetim na Globo e acumula participações em vinte filmes — sua estreia foi em Carandiru, de 2003, de Hector Babenco. Antes da carreira artística, trabalhou como camelô e contínuo no Hospital do Servidor Público Estadual, em Moema.

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Quando descobriu a vocação para os palcos, na década de 80, costumava ir a teatros e à Escola de Arte Dramática da USP, onde pedia para assistir às peças de graça em troca de algum serviço, como varrer o chão ou buscar café. Na televisão desde 2005 — a primeira novela foi América —, sempre interpretou tipos com grande apelo popular. "Meus personagens costumam buscar inclusão social, e agora não é diferente", diz. "Na cena em que Xana bate em valentões, foi uma espécie de surra social no preconceito."

Fonte: VEJA SÃO PAULO