Teatro

Quatro peças para ver na sexta-feira a partir das 17h

Elza e Fred e Caros Ouvintes estão entre as opções

Por: Dirceu Alves Jr.

Caros Ouvintes
A comédia faz sucesso com enredo ambientado na fase de declínio das radionovelas (Foto: Priscila-Prade)

Escolha entre quatro montagens oara conferir às sextas-feiras assim que o sol começa a ir embora.

  • Versão do filme argentino de Marcos Carnevale, a comédia enfoca um casal da terceira idade. Elza (interpretada por Suely Franco) decidiu aproveitar cada minuto sem ligar para as limitações de saúde. Seu caminho cruza com o de Fred (papel de Umberto Magnani), viúvo que deixou para trás a alegria de viver. A saborosa trama perde muito na adaptação realizada por Carnevale, Lily Ann Martín e Marcela Geraght. Fica um excesso de personagens, alguns facilmente descartáveis. Mas a sensação de que Suely reina praticamente sozinha no palco  e faz valer o programa. Com Mayara Magri, Eduardo Estrela, Luciano Schwab e outros. Estreou em 3/10/2014. Até 8/3/2015.
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  • Cássia Rejane Eller (1962-2001) era de uma timidez sem tamanho. Monossilábica, ela mal mirava os olhos do interlocutor e, nas entrevistas, em nada lembrava a cantora de voz potente e postura agressiva no palco. Com produtores sedentos de transformar ídolos em tema de musicais, não tardou para a artista, morta aos 39 anos, virar objeto de um. Os diretores João Fonseca e Vinícius Arneiro, no entanto, conseguiram uma proeza entre os similares do gênero. Vivida pela estreante Tacy de Campos, Cássia tem seu jeito e sua alma presentes ali. O espectador se vê diante de uma montagem simples, com estrutura de show, longe dos padrões grandiosos da Broadway e fiel à trajetória da protagonista. A dramaturga Patrícia Andrade traz à tona o acanhamento juvenil, que se tornou um empecilho na vida adulta da roqueira e pode ter ajudado a levá-la para as drogas. Para isso, a atuação de Tacy é importante. Ela repassa 38 canções em solos ou apoiada por outros seis atores-cantores. Em algumas cenas fica visível sua insegurança diante de um papel tão exigente. Mas, como se trata de Cássia, a inexperiência de Tacy ganha ares de introspecção e convence o público. Com Eline Porto, Emerson Espíndola, Jandir Ferrari e outros. Estreou em 19/9/2014. Até 25/9/2016. Proximidade: o espetáculo tem direção musical de Lan Lan, que foi percussionista da banda de Cássia Eller.
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  • Apoiado em vozes potentes e na fértil imaginação do público, o rádio brasileiro conheceu o apogeu entre os anos 1940 e 1950. Com a consolidação da televisão, a imagem passou a ser a prioridade em detrimento do som e, na década seguinte, as radionovelas não resistiram às tramas eletrônicas. Foi essa fase que inspirou o autor e diretor Otávio Martins a traçar um retrato artístico, comportamental e político da época. A comédia é ambientada em 1968, nos bastidores de uma emissora prestes a transmitir o capítulo final de um folhetim. O produtor Vicente (papel de Marcos Damigo) mantém um caso com a atriz Conceição (personagem de Natallia Rodrigues) e dribla as orientações do publicitário Vespúcio (Elam Lima). Mais antigos na rádio, o galã Péricles (Eduardo Semerjian) e a cantora Leonor (Camilla Camargo) enfrentam a decadência profissional, enquanto a tensão se instaura diante do desaparecimento de um dos atores. Com inteligência e sensibilidade, a montagem transita por situações dramáticas e trágicas, muitas vezes sem a plateia se dar conta. Com Oscar Filho, Nany People e Ivo Müller. Estreou em 16/8/2014. Dias 2, 3 e 4/12/2016.
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  • O Teatro da Vertigem volta em uma nova versão do drama apresentado em 2008 dentro da programação da Bienal de São Paulo. O espaço é o mesmo, a passagem subterrânea que liga o Viaduto do Chá à Praça Ramos de Azevedo. Sob a direção de Eliane Monteiro, doze atores criam em cima do tema stress, inspirados no ensaio O Esgotado, do filósofo francês Gilles Deleuze. Com Roberto Audio, Miriam Rinaldi, Lucienne Guedes, Sérgio Pardal, Mawusi Tulani e outros. De 3/10/2014. Até 7/12/2014.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO