Teatro

Confira quatro peças em cartaz que começam até as 17h

O espetáculo Rosa, estrelado pela atriz Debora Olivieri, é opção para fazer uma sessão da tarde

Por: Dirceu Alves Jr.

Rosa -  Debora Olivieri
Debora Olivieri em 'Rosa': ótimo desempenho (Foto: Dalton Valério)

Quatro peças que começam, no máximo, às 17h:

  • Karin Rodrigues e Amazyles de Almeida protagonizam o drama escrito pelo catalão Josep Maria Benet i Jornet. A convivência de uma senhora solitária e abandonada pelos filhos com uma jovem professora cria laços que preenchem o vazio de sua existência. A direção de José Sebastião Maria de Souza não se preocupou em estabelecer um estilo e uma linguagem própria para a encenação. Assim, Karin e Amazyles permanecem perdidas em cena o tempo inteiro. Estão longe do drama e, às vezes, parecem querer flertar sem sucesso com a comédia. Estreou em 19/10/2013. Até 15/12/2013.
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  • Em 2010, os atores Carlos Moreno e Mira Haar celebraram em Florilégio Musical a amizade iniciada no grupo Pod Minoga, lá pelos anos 70. A aceitação do projeto rendeu uma continuação, e à dupla se juntou a atriz Patricia Gasppar. Desta vez, o trio homenageia os astros da música brasileira dos anos 30, 40 e 50, época em que o rádio e as grandes vozes dominavam a mídia. Em seis blocos, eles cantam sucessos de Emilinha Borba, Francisco Alves, Nelson Gonçalves e Cartola, entre outros, e, numa ponte com a atualidade, chegam a Michel Teló. A irreverência muitas vezes dá o tom e pode divertir parte dos saudosistas, mas, na falta de uma costura dramatúrgica, a espontaneidade fica diluída no palco. Estreou em 13/10/2013. Até 30/8/2015.
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  • Clássicos são sempre muito bem-vindos. Adaptado por Jorge Louraço, o drama histórico Ricardo III, escrito por William Shakespeare em 1591, retorna ao palco para abrir o Shakespeare Projeto 39, que pretende encenar em uma década as 39 peças do bardo inglês. A narrativa situa-se no século XV, depois da Guerra das Rosas, que opôs os clãs York e Lancaster na disputa pelo trono inglês. Com a morte do irmão, o rei Eduardo IV, o então duque de Gloucester inicia a sórdida ascensão ao poder. Concebida por Marcelo Lazzaratto, a encenação despojada busca justamente evidenciar a poesia irretocável do texto e usa de poucos elementos cênicos como apoio. Na pele do protagonista, o ator Chico Carvalho surpreende pela firmeza com que encara o desafio. Reproduz a vilania do personagem calcado em uma tensão psicológica que evidencia o seu desequilíbrio mental, com gestos trêmulos e um olhar vidrado. O deslize foi Lazzaratto não ter em mãos um elenco com a mesma desenvoltura e até tempo de preparação para valorizar os demais personagens. Mayara Magri, André Corrêa, Evas Carretero, Imara Reis, Maria Laura Nogueira, Rafael Losso e Heitor Goldflus quase nada acrescentam ao contracenar com Carvalho. A exceção fica com Renata Zhaneta, que imprime força e personalidade à revoltada Rainha Margareth. Estreou em 24/10/2013. Até 11/5/2014.
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  • Alguns espetáculos, especialmente solos, são veículos certeiros para o brilho de um bom ator. Sob a direção de Ana Paz, o monólogo dramático escrito pelo americano Martin Sherman é um exemplo. Na pele de uma senhora de 79 anos que enfrenta um período de luto judaico, o shivah, Debora Olivieri presenteia o espectador com um impressionante desempenho. Capaz de aliar técnica e emoção, a atriz paulistana de 55 anos dispensa a maquiagem e surpreende ao investir na modulação da voz, nos gestos trêmulos e na postura para driblar a diferença de idade. Rosa é uma senhora judia que, sentada em uma cadeira no palco vazio, conta sua trajetória de vida. Relembra a infância sofrida em uma aldeia ucraniana, comenta a passagem pelo Gueto de Varsóvia, a perda de uma filha e a reconstrução da vida nos Estados Unidos até os dias atuais. Com todas as fichas depositadas no trabalho de Debora, a direção de Ana Paz, no entanto, mostra-se contida e quase invisível. Essa economia de recursos aliada ao imenso texto, algumas vezes, dá um peso excessivo à montagem. Boa parte da plateia, porém, não disfarça a emoção com a história de superação de Rosa e garante a Debora um momento memorável como intérprete, tão segura e sincera, que impede a sobreposição do depoimento ao teatro. Estreou em 7/10/2013. Até 10/12/2013. Coincidência: quando leu o texto pela primeira vez, a atriz Debora Olivieri ficou surpresa ao notar que a personagem nasceu na mesma aldeia que sua avó e sua bisavó. + Leia entrevista com a atriz Debora Olivieri no blog do Dirceu
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Fonte: VEJA SÃO PAULO