Cinema

Quatro filmes mostram a pluralidade dos cenários do país

Cine Holliúdy e Tatuagem estão entre as opções

Por: Miguel Barbieri Jr.

Cine Holliúdy
'Cine Holliúdy': o longa se passa no interior do Ceará (Foto: Divulgação)

Confira abaixo quatro produções sobre o Brasil em cartaz:

Cine Holliúdy

Uma pequena cidade do Ceará serve de locaçãopara a comédia. Na trama, um pai de família apaixonado por cinema quer abriruma sala para exibir fitas de pancadaria nadécada de 70. Permanece no Bourbon 8.

tatuagem - cinema - filme
(Foto: Flavio Gusmão)

Tatuagem

Diretor e roteirista pernambucano, Hilton Lacerda volta ao Recife de 1978 para enfocar o romance de um artista irreverente com umjovem soldado. Ainda pode ser visto no FreiCaneca 8 e no Reserva Cultural 3.

Cidade Cinza - cinema - filme
(Foto: Divulgação)

Cidade Cinza

Em cartaz no Cine Livraria Cultura 2, Espaço Itaú 1 e Frei Caneca Espaço 10, o documentário, ambientado na capital paulista, mostra o trabalho de grafteiros como Otávio e GustavoPandolfo, conhecidos como osgemeos.

Morro dos Prazeres
(Foto: Divulgação)

Morro dos Prazeres

A estreia no Espaço Itaú 4 e Frei Caneca 6 éum registro sobre a vida no Morro dos Prazeres,no Rio de Janeiro, após a instalação deuma UPP (Unidade de Polícia Pacifcadora).Há a voz dos policiais e de moradores.

  • Como estreou primeiro em algumas capitais do Brasil, sobretudo do Nordeste, Cine Holliúdy já conquistou mais de 500.000 espectadores. É um número espetacular para um filme sem atores conhecidos e de sotaque bastante regional — há até legendas para entender a “língua” do Ceará. Ex-dublê de fitas de lutas marciais nos Estados Unidos nos anos 90, o cearense Halder Gomes presta uma singela homenagem ao cinema. Na trama, o persistente Francisgleydisson (Edmilson Filho) quer montar uma sala para exibir filmes de pancadaria. Ao chegar a uma pacata cidade do interior do estado, acompanhado da mulher (Miriam Freeland) e do filho (Joel Gomes), encontra dois inimigos: a burocracia da prefeitura e a concorrência da televisão. Uma afada recriação visual e de costumes do início da década de 70 embala uma história ingênua, sem afetações e nada pretensiosa. O maior deslize está justamente na simplicidade geral. Recorrendo ao humor popularesco e a algumas situações banais, o realizador desperdiçou a oportunidade de fazer um pequeno grande filme. Estreou em 15/11/2013.
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  • Do Festival de Gramado, Tatuagem saiu com os prêmios de melhor filme (do júri e da crítica), trilha sonora e ator (Irandhir Santos). Além disso, foi laureado com seis troféus no Festival do Rio. Tantos elogios criaram uma grande expectativa. Em seu primeiro longa-metragem sozinho na direção, o roteirista Hilton Lacerda (Amarelo Manga, Febre do Rato) acerta na realização, mas afrouxa na narrativa de altos e baixos. O romance entre os protagonistas, infelizmente, dá espaço para apresentações teatrais nas quais a transgressão se faz presente. Excessivos, esses números musicais chegam a cansar. O registro, contudo, traduz bem a época ambientada. No Recife de 1978, o cabaré Chão de Estrelas, liderado por Clécio (Irandhir), recebe os frequentadores com esquetes que anarquizam a ditadura e explicitam o deboche na nudez dos artistas. Pai de um garoto, o trintão Clécio gosta de companhias masculinas na cama e, na primeira oportunidade, seduz Fininha (Jesuíta Barbosa), um soldado de 18 anos. O caso de amor segue em fortes cenas de sexo, embora sem maior liga entre os atores. Estreou em 15/11/2013.
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  • Realizado em 2008, quando a gestão Kassab apagou “por engano” um imenso painel na confluência da Avenida 23 de Maio com a Ligação Leste-Oeste, o documentário tem qualidades. Entre elas, mostrar o trabalho dos grafiteiros Otávio e Gustavo Pandolfo (a dupla osgemeos), Nina, Nunca, Zefix e Finok. Além disso, flagrou agentes do então prefeito tingindo de cinza alea toriamente alguns muros da cidade. Abre-se, também, uma discussão oportuna: o que diferencia a pichação do grafite, e isso seria uma forma de arte urbana? Em segundo plano, esse assunto é, infelizmente, pouco explorado, sobretudo por não se ouvir a voz das ruas. Estreou em 22/11/2013.
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  • A diretora de Justiça (2004) e Juízo (2007) posiciona sua câmera no documentário como se fosse um personagem. Assim, capta momentos da vida dos policiais e moradores do Morro dos Prazeres, no Rio de Janeiro, após a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Sem declarações contundentes nem polêmicas à vista, a fita segue a linha da mesmice num gênero já tomado pelo déjà vu. Estreou em 29/11/2013.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO