Pós-Carnaval

Programas para a Quarta-Feira de Cinzas: exposições

Confira dez exposições que abrem para visitação depois da folia

Por: Catarina Cicarelli

O Retorno da Coleção Tamagni
''Núcleo'', de Aldo Bonadei: peça figura na mostra 'O Retorno da Coleção Tamagni', no MAM (Foto: Eduardo Ortega)

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  • Resenha por Jonas Lopes: Não faltam na cidade exposições de Candido Portinari (1903-1962), devido principalmente ao fato de o modernista ter legado à posteridade cerca de 5.000 obras. Poucas montagens, contudo, possuem a importância de 'Guerra e Paz'. O foco central da mostra está na rara — talvez única — possibilidade de apreciar os dois painéis feitos pelo paulista de Brodowski entre 1952 e 1956. Tratava-se de uma encomenda do governo brasileiro para presentear a Organização das Nações Unidas, em cuja sede nova-iorquina os trabalhos estiveram expostos de forma permanente nas últimas décadas. Como indicam os títulos, extraídos do clássico romance de Tolstói, um dos murais representa a guerra e o outro a paz, e neles Portinari explora a herança cubista sem cair no aspecto apelativo e algo derivativo da série Retirantes. Por causa das dimensões enormes (cada um tem 14 metros de altura por 10 de comprimento), eles estão num espaço chamado Salão de Atos. A Galeria Marta Traba, por sua vez, reúne cerca de 100 estudos preparatórios. De 07/02/2012 a 20/05/2012.
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  • Resenha por Jonas Lopes: A artista polonesa chegou ao país ainda adolescente, fugindo da ameaça nazista na Europa. Embora seja um dos nomes mais influentes da gravura brasileira no século XX, Fayga Ostrower (1920-2001) tem uma porção considerável de sua produção a ser descoberta pelo grande público. Em cartaz no Museu Lasar Segall e organizada em parceria com o Instituto Moreira Salles, esta mostra expõe 100 trabalhos feitos por ela para ilustrar jornais e livros. As obras reunidas pelo curador Eucanaã Ferraz mapeiam diversas fases da carreira da artista, e as mais antigas apostam na figuração expressionista, voltada à denúncia social. Aos poucos, a abstração toma conta através de cores vibrantes. Constam na seleção, por exemplo, o romance O Cortiço, de Aluísio Azevedo, e a peça teatral Os Anjos e os Demônios de Deus, de Joaquim Cardozo. Prorrogada até 04/03/2012.
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  • Doze obras compõem Hardware Seda — Hardware Silk. As peças seguem o estilo irreverente da paulistana Jac Leirner, que cria suas peças a partir da reunião de objetos variados colhidos no cotidiano. Vide Coleção Particular, uma escultura composta de porcas de parafuso, e Retrato, feita com cartões-postais com a imagem de gênios do passado (Mahler, Giacometti, Cocteau). Ainda melhor é Skin (Smoking Red), espécie de tela minimalista formada por sedas para embalar tabaco. Preços não fornecidos. De 03/09/2012 a 27/10/2012.
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  • Resenha por Jonas Lopes: Em 1978, um incêndio destruiu parte do MAM do Rio de Janeiro. Com ele, perderam-se cerca de oitenta obras que compunham uma retrospectiva do uruguaio Joaquín Torres García (1874-1949). Uma nova mostra tenta atenuar essa mancha da relação entre o país e o artista. Geometria, Criação e Proporção reúne 150 trabalhos realizados de 1913 a 1943. Há telas, desenhos, afrescos, colagens, objetos, uma coleção de livros e documentos pessoais. Nome fundamental do modernismo latino-americano, Torres García nasceu em Montevidéu, mas ainda na adolescência mudou-se para Barcelona. Morou também na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Esse aspecto itinerante é abordado na exposição através de A Idade de Ouro da Modernidade, mural feito para um palácio catalão,e de um óleo inspirado no caos urbano de Nova York, repleto de arranha-céus, trens e cartazes de propaganda. No fim da década de 20, o artista adentra o período mais criativo da carreira, de caráter construtivista. Nessa fase, mistura as formas geométricas típicas de sua época a elementos da arte pré-colombiana. Também em cartaz na Pinacoteca: Carlos Bunga (instalação). Até 26/02/2012.
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  • Resenha por Jonas Lopes: O MAC-USP abre em seu espaço no Ibirapuera um excelente recorte na coleção do museu. Composta de 150 obras, a seleção discute as relações entre os trabalhos de artistas brasileiros e estrangeiros durante o modernismo. Premiada na primeira Bienal, em 1951, a escultura Unidade Tripartida, de Max Bill, posicionada no início do percurso, deixou rastros decisivos na geração de Lygia Clark e Waldemar Cordeiro. Perto dali, um diálogo parecido ocorre entre o óleo Cabeça Trágica, de Karel Appel, marcado pela dramaticidade e pelo exagero neoexpressionista, e a aterradora série Minha Mãe Morrendo, de Flávio de Carvalho. Outras ligações são abordadas na montagem. Impressiona, por exemplo, a semelhança no uso de formas geométricas em trabalhos de Pablo Picasso e Ismael Nery. E por aí vai: Matisse deságua em Volpi, Kandinsky em Tomie Ohtake, George Grosz em Iberê Camargo. Além das estrelas consagradas, a exposição aproveita para apresentar ao público paulistano nomes brilhantes mas pouco conhecidos por aqui. Caso do gravurista austríaco Alfred Kubin e da escultora mineira Maria Martins. Até 29/07/2012.
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  • Resenha por Jonas Lopes: Com curadoria de Rubens Fernandes Junior, a coletiva reúne 170 obras pertencentes ao acervo da Faap. Consta na seleção de 34 artistas um forte núcleo dedicado à moda, com trabalhos de Otto Stupakoff, Jean Manzon, Bob Wolfenson e J.R. Duran. Mas há outros fotógrafos importantes, como Mario Cravo Neto, o viajante Pierre Verger e os modernistas Thomaz Farkas e German Lorca. Completa a mostra um setor composto somente de fotomontagens do esloveno Stane Jagodic.  De 14/02/2012 a 29/04/2012.
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  • Resenha por Jonas Lopes: Fundado em 1948 por Ciccillo Matarazzo, o Museu de Arte Moderna quase foi extinto pelo próprio criador, no início dos anos 60. Matarazzo resolveu transferir toda a coleção para o então recém-nascido MAC-USP. Apenas por esforços de alguns conselheiros, o MAM conseguiu sobreviver, mas sem acervo nem sede. A recuperação começou em 1966, com a morte do colecionador Carlo Tamagni e a doação de 81 obras. Dois anos depois, o museu ganhou um novo espaço, no Parque do Ibirapuera. Agora, a exposição O Retorno da Coleção Tamagni apresenta o grupo completo de peças que garantiram o recomeço de uma das principais instituições paulistanas. A coleção só havia sido exibida na íntegra em 1968, numa mostra no Conjunto Nacional. Entre os destaques estão ícones modernistas como Tarsila, Volpi e Livio Abramo. Trabalhos contemporâneos são postos em diálogo no espaço expositivo. Caso da barulhenta instalação Totó Treme-Terra, do coletivo Chelpa Ferro, ou de um cavalete de vidro cravejado de tiros assinado por Marcelo Cidade, referência aos suportes elaborados por Lina Bo Bardi e usados para expor pinturas nos primórdios do Masp, posteriormente abandonados. Até 11/03/2012.
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  • Resenha por Jonas Lopes: Para celebrar dez anos de atividade, o Instituto Tomie Ohtake retoma uma de suas grandes realizações, a série de mostras Meio Século de Arte Brasileira. Entre 2006 e 2007, quatro montagens divididas em períodos específicos exploraram o melhor da produção nacional desde os anos 60 até o início deste século. Agora, Os Dez Primeiros Anos apresenta obras de cinquenta dos principais artistas revelados a partir de 2001. Todos os suportes foram contemplados, da instalação ao vídeo. Vários jovens talentos da pintura são representados, caso de Marina Rheingantz, Bruno Dunley, Rodrigo Bivar, Lucia Laguna e outros. Sobressaem Eduardo Berliner e seus flagrantes de momentos de estranhamento e a tinta escorrida nas telas de Tatiana Blass. Dos nomes que vão além dos pincéis, estão lá, por exemplo, Marcius Galan, Felipe Cohen e Marilá Dardot. Até 11/03/2012.
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  • Resenha por Jonas Lopes: Depois de homenagear nomes como Machado de Assis, Clarice Lispector e Fernando Pessoa, o Museu da Língua Portuguesa traz agora uma mostra dedicada ao autor de Memórias Sentimentais de João Miramar. Com curadoria de José Miguel Wisnik e cenografia de Pedro Mendes da Rocha, Oswald de Andrade: o Culpado de Tudo passeia por vários aspectos da biografia do controverso escritor paulistano, do jovem antropófago ao aristocrata falido, passando pelo militante comunista e pelo conquistador de mulheres. Painéis explicativos didáticos, vídeos e frases inscritas nas paredes e nos banheiros instruem os visitantes. Wisnik acerta ao escolher citações bem-humoradas para informar o espectador a respeito da relação de amor e ódio entre Oswald (1890-1954) e Mário de Andrade (1893-1945). Há ainda uma instalação da artista plástica Laura Vinci com notas de cruzeiro manchadas e suspensas no teto, menção à crise financeira de 1929, quando o modernista perdeu grande parte de sua fortuna. A lamentar apenas a ausência de instalações audiovisuais interativas. Em compensação, é a primeira vez, desde a exposição sobre Guimarães Rosa, em 2006, que a instituição deixa suas janelas abertas — uma decisão correta. Até 26/02/2012.
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  • Resenha por Jonas Lopes: Com curadoria de Guido Clemente, professor da Universidade de Florença, a mostra reúne 370 relíquias que nunca saíram da Itália provenientes de instituições importantes, entre elas a Galeria Uffizi, de Florença, e o Museu Nacional Romano. Há na seleção joias, mosaicos, esculturas, vestimentas e outros objetos que desvendam a trajetória do império surgido um século antes de Cristo. Dividida em quatro núcleos, a mostra aborda desde o impacto de líderes poderosos, a exemplo de Augusto, Nero e César, até as peculiaridades do dia a dia dos moradores, seus métodos de trabalho e hábitos religiosos. Sobressaem as estátuas de deuses como Fortuna, Júpiter, Marte e Vênus, embora anônimos também apareçam retratados. Foram trazidas três paredes com afrescos de Pompeia. E não ficaram de fora peças de uso diário. Elas surpreendem pela atualidade da forma: são anéis, talheres, pinças, lanternas, bisturis e um anzol de pesca. Até 22/04/2012.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO