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Protestos anti-impeachment fecham vias; trânsito continua complicado

No início da manhã, manifestantes atearam fogo em lixo e bloquearam a 23 de Maio nos dois sentidos

Por: Estadão Conteúdo

Protesto 23 de Maio
Bombeiro contém chamas na Avenida 23 de Maio (Foto: J. Duran Machfee/Futura Press/Folhapress)

Uma série de protestos contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff interdita avenidas e rodovias pelo País, na manhã desta terça (10), véspera da votação da admissibilidade do afastamento da petista pelo Senado. Em São Paulo, os bloqueios provocaram congestionamentos em vários pontos no início na manhã. Pelas redes sociais, movimentos ligados à Frente Brasil Popular convocam os manifestantes para protestarem contra "o golpe" e "em favor da democracia".

A Avenida 23 de Maio, importante via da capital paulista, foi bloqueada nos dois sentidos na altura do Terminal Bandeira, no Centro. Os manifestantes atearam fogo em madeira e pneus e liberaram a pista por volta das 7h30. A Avenida Nove de Julho também foi palco de manifestação nesta manhã. Durante o ato, foi ateado fogo em lixo, bloqueando o trânsito de automóveis. Após as 7h, o protesto se dispersou e a pista só foi liberada após as 8h.

Houve também protesto na rodovia Hélio Smidt, que dá acesso ao Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos e na Marginal do Pinheiros. Os manifestantes também interditaram a Marginal do Tietê, perto da Ponte do Tatuapé, sentido Castelo Branco. Na rodovia Raposo Tavares, no sentido São Paulo, o protesto é de um grupo é formado por estudantes que reivindicam melhorias na merenda.

Pelas redes sociais, a Frente Brasil Popular, que reúne vários movimentos sociais, fez uma convocatória para que os manifestantes fossem às ruas. "Vai ter muita luta em defesa da democracia! O Brasil diz não contra o golpe!", diz uma mensagem postada no Facebook. A Central Única de Trabalhadores (CUT) também convoca atos em todo o País "em defesa da democracia, dos direitos trabalhistas sociais e humanos". 

Protesto Nove Julhor
Manifestantes na Avenida Nove de Julho, na manhã desta terça (10) (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

Interior paulista

Reivindicações salariais misturadas a protestos contra o processo de impeachment paralisaram o transporte coletivo em 11 cidades da região de Sorocaba, na manhã desta terça-feira. Em Sorocaba, os ônibus circularam das 4 às 6 horas e foram recolhidos às garagens. Milhares de pessoas não conseguiram chegar ao trabalho. Manifestações dos sindicatos dos motoristas e dos metalúrgicos, ligados à CUT, interromperam o trânsito nos principais corredores viários. Um dos protestos foi realizado em frente à prefeitura.

Em Tatuí e Itapetininga, o transporte urbano também foi paralisado. Nas três cidades, a previsão era de que o serviço fosse retomado entre 10 e 11 horas. O sindicatos alegam falta de atendimento às reivindicações salariais de motoristas e cobradores, mas também criticam a tentativa de afastamento da presidente Dilma. A greve se estendeu ao transporte urbano e intermunicipal de Votorantim, São Roque, Alumínio, Mairinque, Araçoiaba da Serra, Salto de Pirapora, São Miguel Arcanjo e Itapeva.

Rio Grande do Sul

Uma série de bloqueios atingiu rodovias federais e estaduais, principalmente na Região Metropolitana de Porto Alegre. A BR-116 em Sapucaia do Sul, a RS-040, em Viamão, a BR-290, em Eldorado do Sul, e a BR-386, em Nova Santa Rita, que dão acesso à capital gaúcha, foram bloqueadas por grupos contrários ao impeachment. Há relatos também de interrupções de estradas na serra gaúcha e na região sul do Estado.

As pistas da BR-116 e RS-040 já foram liberadas. Liberação também já registrada na BR-116, em Caxias do Sul, e na RS-453, em Farroupilha. De acordo com os organizadores dos protestos, o objetivo é denunciar o "golpe institucional, midiático e jurídico em curso contra a democracia brasileira".

Paraíba

Em João Pessoa, o bloqueio é no quilômetro 35 da BR-230. O trânsito está totalmente interditado para quem segue paras as cidades de Campina Grande, no interior paraibano, e Natal, no Rio Grande do Norte. Os protestos também são liderados pela Frente Brasil Popular, com grupos espalhados em vários pontos da cidade. Eles fecham também acesso a trens e a empresas de ônibus coletivo. Em Campina Grande, a interdição é na rotatória da BR-230 que dá acesso à cidade.

Rio Grande do Norte

Em Natal, o serviço de ônibus foi paralisado na região metropolitana durante a manhã. De acordo com a prefeitura da capital potiguar, táxis e ônibus fretados foram autorizados a fazer lotação durante a paralisação. Manifestantes também queimaram pneus no acesso ao campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), vizinho ao viaduto na BR-101.

Pernambuco

A Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fazem várias interdições no Estado, segundo a PRF. No interior, o trânsito está bloqueado nas dois sentidos das BRs 232, em Pesqueira, Agreste pernambucano, e na 101, em Goiana, na Zona da Mata. Já na Região Metropolitana do Recife, o protesto é no quilômetro 83 da BR-101, em Jaboatão dos Guararapes.

Bahia

Os manifestantes fecharam vários trechos de rodovias baianas. No quilômetro 523 da BR-324, em Feira de Santana, a via foi interditada no sentido Salvador. Na mesma rodovia, em Candeias, o proesto fechou uma pista no sentido Feira de Santana. Já em Itabuna, a interdição foi no quilômeto 508 da BR-101. Na capital baiana, movimentos sociais interditaram a Avenida Suburbana.

Mato Grosso do Sul

De acordo com a CUT, apesar da chuva que cai no estado, a BR-267 foi interditada no início da manhã.

Fonte: VEJA SÃO PAULO