Filantropia

Projeto Felicidade: alegria para crianças com câncer

Iniciativa foi criada em 2001 pelo rabino Shabsi Alpern

Por: Sandra Soares - Atualizado em

"Olha, eu não vou te dar entrevista porque estou muito ocupado brincando." Com essa frase, Wuebert Oliveira Euzebio, de 6 anos, dispensa a repórter de Veja São Paulo e em seguida mergulha na piscina de bolinhas. Apesar da cabeça careca, quem o vê correndo por entre as atrações de um bufê infantil paulistano não imagina que o agitado menino passe 21 dias por mês em sessões de quimioterapia. Desde que foi diagnosticada sua leucemia, em abril de 2006, o garoto, que mora no bairro de Campo Limpo, na Zona Sul, não vivia um período de tantas alegrias como na semana passada. Ele ficou hospedado em um hotel, fez vários passeios em São Paulo, conheceu as praias de Santos e se divertiu na companhia de mais 23 crianças – treze delas em tratamento de câncer.

Como outros 2.000 meninos e meninas, Wuebert participou do Projeto Felicidade, criado em 2001 pelo rabino Shabsi Alpern, da entidade beneficente Beit Chabad do Brasil, com o objetivo de proporcionar momentos de lazer e sonho a menores que enfrentam a doença. Vindos de famílias de baixa renda, os pacientes são selecionados por médicos do setor de pediatria oncológica de 32 hospitais do país e cumprem as atividades na companhia dos pais e irmãos. "Sinto muita vontade de chorar quando olho para o meu filho", dizia na segunda-feira passada a balconista Ireny Medina, mãe de Wuebert. "Mas neste momento choro de felicidade, vendo quanto ele está se divertindo."

Quando a ONG Felicidade foi criada, apenas crianças da Grande São Paulo podiam participar das atividades. Mas, graças a uma parceria com a empresa aérea Gol, firmada em 2002, hoje é possível atender pacientes de catorze estados do país. O número de parceiros e patrocinadores vem crescendo. Com a ajuda deles foi comprado um terreno de 180.000 metros quadrados em São Lourenço da Serra, a 48 quilômetros da capital, onde está sendo construído um sítio para receber os pequenos.

No fim de cada programa, as crianças são brindadas com uma maleta com presentes (cobertor, travesseiro e material de pintura, entre outros) e um papel de carta com envelope selado. "Queremos que elas nos enviem notícias, mantenham a convivência", conta a diretora-geral do Felicidade, Flávia Bochernitsan, que recebe pelo menos 100 mensagens por mês. Os que moram em São Paulo ganham ainda uma festa de aniversário no primeiro ano posterior à sua participação. Para os pais, são oferecidos, na sede do projeto, no bairro do Pacaembu, cursos de formação profissional. Muitos deles perdem o emprego porque, envolvidos com a doença de um dos filhos, não conseguem mais trabalhar.

Desempregada há mais de três anos, a gerente de loja Eliane Kraeski, de Araranguá, no litoral de Santa Catarina, comemora o fato de ter sido escolhida para participar do Felicidade com Ruan Lummartz, de 9 anos, livre de uma leucemia há dois. "Nós merecíamos esta viagem depois de tanto sofrimento", afirma. "E acho que o Ruan pode colaborar incentivando as crianças que ainda estão se tratando." Como o novo amiguinho, Wuebert, o menino não quis perder tempo dando entrevistas. Afinal, ambos estavam muito ocupados dirigindo um carrinho de fliperama.

Como colaborar

Criado em 2001, o Projeto Felicidade conta hoje com 160 voluntários. Quem quiser tornar-se mais um deles e dar um pouco de alegria a crianças vítimas de câncer pode atuar como acompanhante das famílias em diversas atividades, realizar visitas noturnas aos hotéis em que elas ficam hospedadas ou cuidar da correspondência com os antigos participantes. Parcerias com empresas também são bem-vindas (bufês infantis, hotéis, parques temáticos e empresas de transporte estão entre os atuais colaboradores). São aceitas doações em dinheiro ou de materiais como roupas, calçados e objetos, desde que sejam novos. Mais informações pelo 3803-9898 ou pelo e-mail felicidade@felicidade.org.br.

Fonte: VEJA SÃO PAULO