Carreira

Empresas mapeiam homens bonitos para atuar como barmen e garçons

Conheça os critérios para selecionar profissionais para eventos badalados da cidade

Por: Ricky Hiraoka - Atualizado em

Barmen Brother's Bar
Bruno, Victor Hugo, Felipe e Steeven,da Brother’s Bar: saber preparar um drinque é só um dos requisitos (Foto: Lucas Lima)

Diz o provérbio que beleza não põe mesa. Entretanto, nos últimos tempos, esse é o critério para preparar e servir coquetéis nas altas-rodas. Os habitués da vida social paulistana já perceberam que os senhores carecas e barrigudos de outrora perderam espaço para rapazes altos com músculos definidos que desfilam pelos salões prontos a abastecer as taças com espumantes ou ficam atentos (e com belos sorrisos) do outro lado do balcão para fazer de drinques clássicos a misturas da moda.  Casamentos, festas de 15 anos, lançamentos de produto, inaugurações de loja e até baladas requisitam jovens com esse perfil. “O mercado de eventos para o público AAA pede profissionais que sejam tão bonitos e tenham quase a mesma vivência de quem frequenta esses locais”, diz Luciano Tartalia, dono da DLX Bar Service. Especializada em  recrutamento desse tipo de mão de obra, a empresa existe há seis anos. Começou com quinze funcionários e hoje trabalha com 120.

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Para dar conta da demanda, companhias como a DLX aderem a vários artifícios para aumentar e incrementar o casting, já que a rotatividade da equipe é grande.  “Para a maioria, ser barman é um bico, enquanto espera oportunidades em outras carreiras. Dificilmente, alguém fica mais de dois anos”, diz Wagner Violante, da WTF Eventos. Nessa busca incessante, Tartalia, por exemplo, distribui olheiros pela capital, que visitam parques, faculdades e outros locais em busca de “talentos”. “Encontramos gente até no transporte público”, conta. Mauricio Moser, dono da Brother’s Bar, só contrata funcionários indicados por quem já atua na empresa. “Não posso correr o risco de colocar qualquer um na casa dos meus clientes”, afirma. Entre outros trabalhos, ele realizou o jantar de gala da amfAR, fundação internacional dedicada à pesquisa da cura da aids, na mansão do arquiteto Felipe Diniz, nos Jardins, em abril.

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Seja qual for o meio encontrado para atrair os jovens, os critérios de seleção são semelhantes: o candidato deve ter entre 20 e 30 anos, medir pelo menos 1,80 metro de altura, ser magro ou ter o corpo definido (os bombadões não têm chance, pois passam uma imagem muito agressiva), saber se comunicar, além de dominar ou estar disposto a aprender técnicas de preparação de drinques. Tipos exóticos com tatuagens, barba ou dreadlocks também têm espaço. “Se o cara não tem noção de como trabalhar num bar, mas se encaixa no perfil que procuramos, damos um curso de mixologia básica e ensinamos a elaborar as bebidas”, complementa Moser.

Devido às características físicas, os barmen e garçons, em grande parte, são estudantes universitários e aspirantes a modelos e atores. Por seis horas de serviço, ganham de 150 a 200 reais. “Isso ajuda a pagar as contas enquanto a gente não estoura”, explica o catarinense Steeven Wells, de 27 anos, que há quatro mora em São Paulo. Ele conta que o trabalho com as coqueteleiras ampliou sua rede de contatos. “Muita gente chega, pergunta se também sou modelo, e acabo fazendo ações promocionais de marcas e até desfiles”, diz. Em um dia de sorte, ele recebeu 300 reais de gorjeta. “O cara não estava me paquerando, só tinha bebido demais.”

E há quem aproveite mesmo para aumentar as conquistas amorosas. O baiano Bruno Rosendo recebe, em média, dez cantadas por festa, o que se converte em uns três encontros após os eventos. “Durante o trabalho, não rola nada, sou profissional”, garante. Para evitar que mulheres (e homens) se engracem ainda mais para cima dos rapazes, Moser não aceita realizar festas de despedida de solteiro ou chá de cozinha. “O álcool faz as pessoas se desinibirem e não quero expor meus funcionários a um assédio desnecessário.”

O trio de ouro da noite

Os profissionais mais requisitados para eventos na cidade

Barman Eder Borges
Eder Borges: modelo e barmen (Foto: Arquivo Pessoal)

Eder Borges

Idade: 19 anos

Medidas: 1,87 metrode altura e 85 quilos

Profissão: modelo

Festas por semana: quatro

Fato mais marcante: "Em umafesta particular, uma moça ficoudando em cima de um colegameu, que não retribuiu. Enciumado,o marido sacou uma arma,e eu tive de me intrometerpara apaziguar os ânimos."

Barman Marcos Lomelino
Marcos Lomelino: estudante de odontologia (Foto: Arquivo Pessoal)

Marcos Lomelino

Idade: 24 anos

Medidas: 1,80 metrode altura e 72 quilos

Profissão: estudantede odontologia

Festas por semana: três

Fato mais marcante: "Numdos primeiros casamentos em quetrabalhei, tudo corria tranquilamentebem quando, de repente, a avó do noivoteve um ataque cardíaco fulminante nomeio do salão e morreu."

Barman Renato Antal
Renato Antal: modelo e produtor de eventos (Foto: Arquivo Pessoal)

Renato Antal

Idade: 24 anos

Medidas: 1,87 metrode altura e 82 quilos

Profissões: modelo eprodutor de eventos

Festas por semana: cinco

Fato mais marcante: "Graças aotrabalho de barman, conheci pessoasque me deram a chance deexercer uma nova profissão: produtor.Participei dos shows da Beyoncée do Bon Jovi, por exemplo."

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Dose certa

As caracterÍsticas exigidas para trabalhar no setor

Altura: assim como para os modelos, é recomendável ter, no mínimo, 1,80 metro

Beleza: o candidato não precisa sero Reynaldo Gianecchini, mas ser bem“apessoado” é um requisito mínimo

Conhecimento: os barmen têmde entender de mixologia e saberpreparar variados tipos de drinque

Dedicação: com jornadas que variam de seisa oito horas, o profissional terá de dar conta deatender a todos (com simpatia) e não reclamarda pressão para encher o copo do convidado

Educação: é necessário jogo de cinturapara se livrar de cantadas sem ser grosseiro

Fonte: VEJA SÃO PAULO