Cinema

"Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo" retrata a solidão

Estrelada por Steve Carell e Keira Knightley, fita acerta no tom romântico-melancólico

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

Procura-se um Amigo Para o Fim do Mundo
Keira Knightley e Steve Carell em "Procura-se um Amigo Para o Fim do Mundo": afinidades antes do apocalipse (Foto: Divulgação)

Os primeiros versos da canção “O que Você Faria”, de Lenine — “Meu amor, o que você faria se só te restasse esse dia? Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria” —, traduzem muito bem a perda de rumo dos personagens da comédia dramática “Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo”. Roteirista de “Uma Noite de Amor e Música” (2008), lançado direto em DVD no Brasil, a americana Lorene Scafaria acerta no tom romântico-melancólico de seu primeiro trabalho como diretora, em pré-estreia na cidade.

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Ao contrário da destruidora fórmula do filme-catástrofe, a exemplo de “O Dia Depois de Amanhã” (2004) e “2012” (2009), a fita busca nas emoções o viés para expor o iminente desaparecimento do planeta. Da TV, chega a notícia alarmante: em apenas três semanas um asteroide vai se chocar contra a Terra e pôr um ponto final no mundo. O corretor de seguros Dodge (Steve Carell) sente a primeira consequência quando sua mulher o abandona imediatamente. Solitário, esse quarentão dá ordens à faxineira e segue em seu escritório. No mesmo edifício onde ele mora, a destrambelhada Penny (Keira Knightley) vive às turras com o namorado (Adam Brody). Depois de ficarem amigos, Dodge e Penny fogem da cidade de carro por causa de um motim no bairro. Enquanto a moça quer encontrar sua família, ele vai atrás do grande amor da adolescência.

Se em cada cabeça há uma sentença, os diversos tipos que surgem e saem de cena captam o apocalipse à sua maneira — do caipira capaz de contratar um matador para eliminá-lo aos descolados funcionários de um bar de estrada convidando clientes para uma orgia. Eis aí uma combinação atípica no cinema americano. Entre o humor negro e o drama amargo, ainda sobra espaço para o romance, nascido de uma relação com data certa para acabar. Embalado por uma arrepiante trilha sonora (Beach Boys, The Hollies, Walker Brothers), o longa-metragem é de uma tristeza reconfortante e igualmente recompensadora.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO