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Os problemas que estão infernizando a vida dos paulistanos

Enchentes, falta de luz, torneiras secas e queda de árvores são algumas das complicações enfrentadas no início do ano

Por: Aretha Yarak, Adriana Farias, Nataly Costa, Juliene Moretti e Jussara Soares - Atualizado em

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Ser paulistano é, por definição, ser um bravo, um herói. A cidade das oportunidades, da diversidade, dos bons restaurantes, das infinitas opções de lazer e cultura torna-se muito cruel com seus moradores quando o assunto é mobilidade, segurança e outros temas que dependem essencialmente da gestão pública.

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Apesar de termos curso intenso de trânsito, enchentes e outras mazelas de uma metrópole, os velhos problemas que costumam nos castigar aportaram por aqui em uma proporção assustadora. Na semana passada, 800 000 domicílios da capital ficaram às escuras, em alguns casos, por três dias seguidos. A crise hídrica chegou ao ápice, com o governo estadual admitindo, na quarta (14), que as bacias podem secar em março.

Por ironia, enquanto a água rareia nas torneiras, ela pode ser vista em abundância nas ruas de bueiros entupidos, promovendo cenas como a da foto abaixo. Ganhamos ainda outra preocupação de proporção inédita: a queda de árvores, que registrou um recorde nesta temporada. O mapeamento sobre a saúde delas é risível, abrangendo apenas 7% da vegetação. E, por fim, os semáforos “inteligentes”, que há tempos têm aversão à chuva. Pingou, parou. Nessa hora, ganha na Mega-Sena o motorista que acha um agente da CET por perto. Ou seja, a força da natureza, aliada aos problemas de gestão dos nossos administradores, mostra a vulnerabilidade de São Paulo.

caos enchente anhanguera
Motorista fica em apuros durante alagamento que tomou a Avenida Engenheiro Alberto Zagotti, no Jardim Anhanguera, na última semana (Foto: Douglas Pingituro/Folhapress)

Na segunda (12), foram registrados 34 pontos de alagamento e o Aeroporto de Congonhas ficou fechado por uma hora, com dezesseis voos cancelados no período. Com velocidade de 85 quilômetros por hora, os ventos no dia elevaram ainda mais o recorde recente de queda de árvores na capital. Entre o fim de 2014 e as primeiras semanas deste ano, mais de 1 000 plantas tombaram, muitas delas sobre a fiação. Foi o principal motivo por deixar cerca de 800 000 pessoas sem energia, algumas delas por três dias, caso de dezenas de moradores da Pompeia, que saíram às ruas para protestar na manhã da quinta (15) contra a lentidão da AES Eletropaulo em restabelecer a luz.

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No auge do caos provocado pelas tempestades de verão, os dados sobre o volume dos reservatórios que abastecem a cidade, infelizmente, eram desoladores. No Sistema Cantareira, na divisa com Minas Gerais, até a metade de janeiro havia chovido apenas 20% do esperado. A situação fez com que as autoridades responsáveis passassem a falar sem rodeios nem eufemismos sobre a gravidade do problema, algo inédito desde o início da crise hídrica. Após afastar por quase um ano a possibilidade de racionamento de água em São Paulo, o governo estadual finalmente admitiu: a falta do recurso é uma realidade que, em breve, vai afetar a todos em maior ou menor escala.

“O racionamento já existe. Quando a Agência Nacional de Águas diz que você tem de reduzir a vazão de 33 para 17 metros cúbicos por segundo no Cantareira, é óbvio que há uma restrição hídrica”, disse Geraldo Alckmin na quarta (14). No mesmo dia, o novo presidente da Sabesp, Jerson Kelman, acrescentou que a vazão voltou a ser diminuída, dos atuais 17 para 13 metros cúbicos por segundo. Apenas 66 bilhões de litros de água restam no Cantareira. A Sabesp calcula que, com o atual (e baixíssimo) volume de chuvas na região, esse montante só dure até março.

A mudança de postura das autoridades ocorreu após um breve imbróglio jurídico que se deu no começo da semana passada. Na terça (13), a Justiça de São Paulo vetou a multa para quem consumir água em excesso, sob o argumento de que não há um rodízio formalmente decretado pelas autoridades. No dia seguinte, o desembargador José Roberto Nalini, presidente do Tribunal de Justiça, avaliou a questão em segunda instância e liberou a cobrança extra. Ela passa a valer imediatamente e seus efeitos devem chegar à casa do consumidor na conta de fevereiro. Os “gastões”, como são chamados pela Sabesp, que excederem em até 20% seu consumo médio pagarão 40% a mais no fim do mês. Quem ultrapassar esses 20% será punido com uma sobretaxa de 100%.

A chuva em excesso e a falta de precipitações no sistema de abastecimento estão comprometendo o dia a dia da população (leia depoimentos na galeria abaixo).

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Uma das cenas mais chocantes da semana passada se deu em Osasco, na Grande São Paulo. Ali, o Hospital Municipal e Maternidade Amador Aguiar ficou sem luz das 21 horas da segunda (5) até as 2 horas da madrugada seguinte. A cirurgia de uma mulher diagnosticada com gravidez extrauterina, que passava pela retirada de uma das trompas, foi finalizada com o auxílio da luz dos celulares de duas enfermeiras. Outros três profissionais se revezaram por quatro horas e meia para bombear manualmente os equipamentos que mantinham dois recém-nascidos na UTI neonatal. O Procon multou em 3,7 milhões de reais a Eletropaulo pelo caso.

Para não ficarem às escuras, alguns moradores têm desembolsado até 3 000 reais para comprar um gerador de energia. Trata-se de modelos portáteis movidos a diesel que conseguem manter a iluminação e os eletrodomésticos funcionando. Nas lojas, a procura aumentou cerca de 20% só nas últimas semanas. Indústrias e hospitais, que precisam de uma maior quantidade de energia, têm recorrido ao aluguel dos aparelhos. “Estamos com o dobro da demanda. O maior empecilho tem sido o transporte, porque os caminhões só podem circular à noite em São Paulo”, conta Douglas Abreu Mamizuka, dono da GeraCenter, uma das companhias do ramo.

O crescimento desordenado da metrópole está entre as raízes dos problemas atuais. “Em vez de lidarem com os córregos, rios, nascentes, os engenheiros das décadas de 50 e 60 decidiram mudar seu curso ou simplesmente passar por cima deles”, afirma Paulo Pellegrino, professor do departamento de projeto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. “Com o desenvolvimento urbano e a necessidade de ocupar as várzeas, foram construindo nesses locais por acreditar que o clima não iria mudar.” Os políticos no poder sempre lembram a excepcionalidade de algumas situações para tentar justificar a quantidade de problemas. A estiagem que assola o Estado de São Paulo, por exemplo, é a pior dos últimos 84 anos. No âmbito municipal, o número de queda de árvores (1 000 plantas no chão em vinte dias) é a metade do esperado em um ano.

arvore queda centro
Árvore tombada no centro amassou carro (Foto: Dário Oliveira/Estadão Conteúdo)

De fato, as grandes mudanças climáticas tornam ainda mais incontroláveis e imprevisíveis as forças da natureza. Mas é da responsabilidade do poder público preparar-se para enfrentar essas situações, de forma a minimizar os estragos. Isso inclui políticas mais transparentes nos alertas aos moradores sobre a iminência de alguns problemas e no planejamento de infraestrutura. O governo estadual pretende pôr em prática a última medida de emergência: acessar a terceira e última cota do volume morto do Cantareira, os derradeiros 41 bilhões de litros do sistema. Depois disso, não há mais alternativa. Estuda-se captar mais da Represa Billings — hoje, o reservatório já garante o abastecimento na torneira de 1,8 milhão de pessoas.

Falhas semelhantes podem ser observadas no município. Em outubro de 2013, o prefeito Fernando Haddad prometeu que pelo menos metade das 79 obras do Programa de Redução de Alagamentos (PRA) estaria pronta em dezembro daquele mesmo ano. Até agora, nem metade do plano foi cumprido. No caso da queda de árvores, os estragos poderiam ser minimizados se houvesse um acompanhamento do assunto. O único censo disponível identificou aproximadamente 650 000 plantas em calçadas e canteiros. Desse total, sabe-se o estado de saúde de apenas 48 000 delas (7%). 

Se não bastasse, entre 2013 e 2014 o trabalho de poda e remoção de árvores comprometidas caiu 10% (de 129 170 para 115 782). Ricardo Teixeira, secretário de coordenação das subprefeituras, não vê problema. “Temos uma meta anual de 100 000 podas e substituições de árvores problemáticas”, afirma. “Para mim, não houve nenhuma redução. Estamos acima da meta.” Mas de onde surgiu o número de 100 000? “Não sei, trabalhamos com ele há dez anos. Para saber exatamente por que ele foi definido, teria de investigar lá atrás na história da cidade para ver quem definiu isso”, afirma Teixeira. Com esse tipo de gestão, fica difícil ao morador da cidade (que em alguns casos vive literalmente no escuro) enxergar dias melhores.

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  • Cozinha contemporânea

    Side

    Rua Tabapuã, 830, Itaim Bibi

    Tel: (11) 3168 0311

    VejaSP
    16 avaliações

    A cozinha, antes exemplar, sentiu a saída do chef Thiago Maeda. Ainda que saboroso, o frango thai acompanhado de arroz de jasmin (R$ 49,00) é tão discreto na pimenta que nem parece de inspiração tailandesa. Mas o burburinho no salão escuro e charmoso tem seus motivos, claro. O drinque bramble (R$ 28,00), de gim com tônica, licor de mirtilo, gengibre e amora, abre o apetite para a porção de pastéis de pupunha (R$ 29,00) e o peixe do dia no ponto servido com purê de couve-flor e espinafre salteado (R$ 59,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Franceses

    L'Amitié

    Rua Manuel Guedes, 233, Itaim Bibi

    Tel: (11) 3078 5919

    VejaSP
    8 avaliações

    Antigo parceiro do empresário Isaac Azar, do Paris 6, o chef Yann Corderon inaugurou seu bistrô com altas ambições — mas estacionou no patamar regular. O excesso de molho compromete duas pedidas: tanto no carpaccio de lagarto com salada de rúcula, tomate e fatias molengas de parmesão (R$ 39,00) quanto no coelho (R$ 64,00), acompanhado de tagliatelle na manteiga, a mostarda esconde completamente o sabor da carne. No almoço executivo, é possível escolher o menu completo (R$ 53,90) ou combinar uma entrada mais um prato ou a sugestão principal com a sobremesa (R$ 42,90). Para ficar na opção mais saborosa, torça para encontrar a generosa posta de salmão tostadinha nas beiradas acompanhada de espaguete ao pesto seguida de uma bola de sorvete.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Italianos

    Osteria del Pettirosso

    Alameda Lorena, 2155, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3062 5338 ou (11) 3062 4531

    VejaSP
    7 avaliações

    O que era um negócio familiar — o marido, Marco Renzetti, no fogão e a mulher, Erika, no atendimento — aprimorou‑se de tal forma com três vitórias consecutivas em VEJA COMER & BEBER que o Pettirosso não pode ser considerado mais uma trattoria. Hoje, o ristorantino tem requintes como um menu degustação e receitas autorais. Um dos exemplos é a rabada típica de Roma, a cidade natal de Renzetti, transformada num bolinho cozido no vinho tinto e servido com polenta (R$ 79,00). Suas criações incluem o impecável risoto no caldo de vitelo, açafrão e tutano (R$ 75,00). Ainda de produção própria, há deliciosos sorvetes de manga e atemoia (R$ 22,00 cada um).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Chope e cerveja

    BrewDog Bar

    Rua dos Coropés, 41, Pinheiros

    Tel: (11) 3032 4007

    VejaSP
    14 avaliações

    É um dos muitos bares da BrewDog espalhados pelo mundo. Fica em frente ao Instituto Tomie Othake e ocupa um espaço de jeitão hipster: concreto por todo lado, neons, lampadinhas... Algo mudou por lá. A casa acabou cedendo e botou funcionários para atenderem mesas — antes, os pedidos eram feitos no balcão. A oferta já foi mais surpreendente, mas ainda dá para encontrar pedidas como o gaúcho Barco Thai Weiss (R$18,00), bem fresco. Montado em brioche macia, o sanduba chicken mayo (R$ 22,00) traz um filezão de frango empanado, bem crocante,junto de alface, tomate e molho aïoli.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Bares variados

    Vila Seu Justino

    Rua Harmonia, 77, Vila Madalena

    Tel: (11) 2738 3800 ou (11) 2305 0130

    VejaSP
    11 avaliações

    A fachada envidraçada deixa transparecer toda a animação do salão, no qual uma moçada com pinta universitária curte apresentações de samba e de pop rock. Mas o grande predicado do endereço está nos fundos: um jardim arborizado, que acomoda aqueles que procuram algo um pouco menos animado. Sucesso ali, a caipirinha vem em pote de vidro, em combinações como tangerina, capim-santo e cachaça Salinas (R$ 23,90), e é uma boa alternativa ao chope, apenas regular, servido em caneca de alumínio (Heineken, R$ 7,90). Para repor as energias, o bolinho de costela (R$ 31,90) é uma pedida sem erro.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Sucos

    Desfrutti - Itaim Bibi

    Rua Leopoldo Couto De Magalhães Júnior, 1219, Itaim Bibi

    Tel: (11) 3168 1441

    VejaSP
    1 avaliação

    Na unidade mais agradável, no Itaim, a atmosfera praiana tradicionalmente proposta pela marca ganhou uma roupagem mais moderna, com fachada de linhas retas e salão aberto na lateral e rodeado por plantas. Na linha de sucos verdes, todos a R$ 9,90, há opções com couve, como a cocais (que leva ainda manga, maracujá, hortelã e gengibre), e também sem a verdura, a exemplo da araucárias (kiwi, melão e água de coco) e da pacífica (maçã, limão, hortelã e salsa). Quem for bastante saudável na escolha da bebida poderá se permitir alguma extravagância na hora de decidir o que comer. O crepe com peito de peru, queijo mussarela e bastaaante catupiry custa R$ 29,50. Pesou na consciência? Troque a massa branca pela integral, igualmente saborosa. Só não desperdice sua dieta com o waffle, firme demais, acompanhado de sorvete de creme e calda de frutas vermelhas (R$ 12,90). Melhor partir para um creme de uma fruta saborosa, como o abacate, na tigela pequena (R$ 12,90).

     

    Preços checados em 11 de maio de 2015.

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  • Cheryl Strayed (interpretada com afinco por Reese Witherspoon, indicada ao Oscar) tinha 26 anos quando, em 1995, decidiu, literalmente, colocar o pé na estrada. Destruída pelo vício em heroína, com o bom casamento desfeito e abalada pela morte da mãe (Laura Dern, candidata a melhor atriz coadjuvante), quis provar a si mesma que era capaz de dar a volta por cima. Para isso, não poupou esforços. Munida de um pesado mochilão, embarcou numa jornada pela Pacific Crest Trail, trilha na costa oeste dos Estados Unidos, do deserto de Mojave em direção ao Estado de Washington. Foi uma longa caminhada de quase 1.800 quilômetros em meio a desventuras e medos. Cheryl chegou ao destino com os dedos calejados e a paz de espírito almejada. Para contar essa fascinante história em Livre, inspirada em livro autobiográfico, o diretor canadense JeanMarc Vallée escalou o badalado escritor Nick Hornby (Alta Fidelidade) como roteirista. Embora o penoso percurso seja percebido pelo espectador por meio das diferentes paisagens do caminho, o filme não consegue transmitir a dureza da trajetória da protagonista. A qualquer sinal de perigo, acena-se com uma fácil resolução — seja ao ver uma cobra ou na chegada de uma tempestade. O deslize cometido pelo diretor em Clube de Compras Dallas, seu trabalho anterior, aqui se repete: uma trama recheada de momentos reais é encenada como uma ficção pouco crível. Estreou em 15/1/2015.
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  • O drama do diretor Andrey Zvyagintsev (O Retorno) traz um tema pesado tratado com tensão e dureza. Na trama, Dmitri (Vladimir Vdovitchenkov), um advogado de Moscou, vai até a Península de Kola, no extremo norte do país, para ajudar seu grande amigo Kolya (Aleksey Serebryakov). Este se encontra num impasse. Viúvo e casado pela segunda vez, agora com Lilya (Elena Lyadova), e pai de um adolescente, Kolya é dono de uma propriedade herdada da família, onde instalou sua oficina mecânica. Contudo, o terreno, muito bem localizado numa vila de pescadores, foi confiscado a mando do corrupto prefeito (Roman Madyanov). Como Dmitri possui um dossiê comprometedor do político, não pensa duas vezes para chantageá-lo. Assim começa uma história regada a litros de vodca, traição e morte. Sem concessões, o realizador faz emergir uma crônica russa atual sobre poder e cobiça, tendo a aniquilação dos relacionamentos na linha de fogo. Estreou em 15/1/2015.
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  • A partir de quarta (21/1), o Centro Cultural Banco do Brasil abre as portas para a mostra Easy Riders — O Cinema da Nova Hollywood. Trata-se de uma seleção de trinta longas-metragens produzidos entre as décadas de 60 e 70. Há trabalhos de grandes diretores, como Martin Scorsese (Taxi Driver), Sidney Lumet (Rede de Intrigas) e Roman Polanski (O Bebê de Rosemary). Igualmente influente à época, Bob Fosse (1927-1987) marca presença com o musical All That Jazz — O Show Deve Continuar, estrelado por Roy Scheider, em 1979 — o filme tem exibição no dia da abertura, às 20h, e no sábado (24/1), às 18h. De 21/1 a 9/2/2015.
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  • Na Terra de Amor e Ódio (2011) é o primeiro longa-metragem de ficção dirigido por Angelina Jolie. Empolgada com a experiência atrás das câmeras, a bela, achando que já era fera, se dispôs a transpor para o cinema o livro de Laura Hillenbrand. Invencível trata da biografia de Louis Zamperini (interpretado por Jack O’Connell), atleta olímpico que comeu o pão que o diabo amassou durante a II Guerra Mundial. A trama volta ao passado para mostrar Zamperini como um rebelde filho de imigrantes italianos nos Estados Unidos. Incentivado pelo irmão, passa a fazer treinos de corrida e, em 1936, chega à Alemanha para participar dos Jogos Olímpicos de Berlim. Na outra ponta da história está a sua participação como um tenente,  capturado por japoneses em 1943. Fascinada pelo personagem real, Angelina o trata como um super-herói. Alguns momentos, embora verdadeiros, extrapolam o realismo e ganham um caráter fantasioso. Duas cenas se destacam neste cenário: Zamperini é esmurrado por todos os seus colegas, a mando de um comandante sádico (o astro pop Miyavi) e, em outra sequência, o mesmo o obriga a erguer sobre a cabeça uma viga de madeira — há aqui uma alusão ao calvário de Jesus Cristo. Além de bastante convencional, há um problema maior no filme: uma trajetória tão desgastante carece de emoção. No Oscar 2015, concorre a melhor fotografia, mixagem de som e edição de som. Estreou em 15/1/2015.
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  • No longa-metragem Se Fazendo de Morto, o ótimo intérprete belga François Damiens, também em cartaz em A Família Bélier, encarna Jean Renault. Aos 40 anos, Renault (cuja pronúncia do sobrenome se confunde com a do astro Jean Reno) foi premiado com o César (o Oscar francês) de melhor revelação, vinte anos atrás. Agora, faz pontas em seriados de TV e, cheio de manias e exigências, virou um sujeito intragável. Conclusão: ele não consegue mais trabalho na sua profissão. Divorciado e sem grana, aceita um emprego de três dias numa pequena cidade dos alpes franceses. O ator, porém, não vai atuar — ele será o “morto” nas cenas de reconstituição de triplo assassinato. Como já fez muitas séries policiais, mete o bedelho onde não é chamado e, assim, consegue só irritar uma metódica juíza (Géraldine Nakache). Em gênero rareando nas telas, a comédia de suspense encontra aqui um bom exemplo. Além de piadas divertidas (muitas delas relacionadas a cinema), o mistério marca presença de forma instigante. O protagonista, sem a beleza dos galãs, acerta no timing cômico bancando o tipo conquistador na cara dura. Estreou em 15/1/2015.
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  • Um corpo é encontrado em Amami-Oshima, uma ilha japonesa onde vivem os adolescentes Kaito (Jun Yoshinaga) e Kyoto (Nijirô Murakami). Embora o ponto de partida seja um misterioso afogamento ou assassinato, o drama O Segredo das Águas passa muito longe de um filme policial. A diretora Naomi Kawase está interessada em descrever o cotidiano dos habitantes de lá usando um tom naturalista nas interpretações. Cada um dos jovens tem lá seus problemas em casa. Enquanto Kaito é filho de pais separados, Kyoto sofre ao acompanhar os últimos suspiros da mãe moribunda. A narrativa a passos bem lentos contempla a natureza, seja na figura de uma grande figueira ou nas ondas revoltas do mar. Um filme belo, certamente, porém entediante. Estreou em 15/1/2015.
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  • As princesas continuam um hit entre a garotada, e adaptações de contos de fadas pipocam por aí. O italiano Billy Bond já dirigiu versões de Cinderela e A Bela e a Fera e agora está em cartaz com outro clássico: Branca de Neve e os Sete Anões, inspirado no conto dos irmãos Grimm. A pinta é de superprodução, com um elenco de quarenta atores e cenários grandiosos, mas o resultado revela-se um fiasco. A sucessão de problemas começa com o telão que mostra precárias projeções em 3D (para vê-las, é preciso usar óculos de papelão entregues na entrada do teatro). A montagem optou ainda por utilizar recursos em 4D, como aromas e bolinhas de sabão, a fim de estimular sensações na plateia. Além de nada acrescentarem ao enredo, eles dispersam a atenção do público. Combinado a algumas canções, o roteiro segue a fórmula consagrada e narra a aventura da bela princesa (em interpretação irritante de Larissa Porrino) invejada pela Madrasta (Janaina Bianchi) que foge para a floresta depois de quase ser morta pelo Caçador (Demerson Campos). Ali ela encontra a cabana dos sete anões, vividos por atores apoiados sobre os joelhos e usando máscaras que os deixam com uma expressão imutável. A única coisa que se salva, o caprichado visual traz benfeitas peças de figurino criadas por Olivia Arruda Botelho. Mesmo com todos esses poréns, as crianças, sobretudo as meninas, adoram a peça e não se cansam de interagir com os personagens — várias delas, aliás, estavam vestidas como a Branca de Neve. Estreou em 30/6/2012. Até 1°/3/2015.
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  • “Klift Kloft Still, a porta se abriu!” Logo na entrada da mostra, o boneco do Porteiro recebe os visitantes com o mesmo bordão com que recepcionava os personagens Pedro (interpretado por Luciano Amaral), Biba (Cynthia Rachel) e Zequinha (Fredy Allan) no programa de TV, que estreou em 1994. De cara, a frase mexe com a memória dos adultos e encanta as crianças. Na ótima exposição concebida pela equipe do MIS, comandada por André Sturm, em parceria com a TV Cultura, dez espaços reproduzem com capricho os ambientes do seriado. É possível interagir com a cobra Celeste no belíssimo saguão e visitar o quarto do Nino (Cássio Scapin). Igualmente de encher os olhos, a biblioteca tem como anfitrião o Gato Pintado. Ali e em todo canto, os visitantes podem mexer no cenário. Você também vai se divertir na cozinha, no quarto da Morgana (Rosi Campos)... E as outras figuras? Mau, Doutor Abobrinha e Caipora estão por lá. Durante o passeio, monitores de televisão apresentam trechos do programa e ajudam a refrescar a memória do público. Itens de acervo, fotos, roteiros e até as roupas originais contam como foi possível tornar a fantasia real. No dia 17/1, o museu abriu uma exposição paralela chamada Castelo Rá-Tim-Bum por 50 Artistas, com pinturas que retratam personagens e cenários do seriado. De 16/7/2014. Até 25/1/2015.  Virada: No último fim de semana, a mostra ficará aberta das 7h da manhã de sábado (24) até as 21h do domingo (25); os ingressos podem ser adquiridos apenas pela internet. + Exclusivo: vinte anos depois, atores e criadores contam segredos dos bastidores do Castelo Rá-Tim-Bum + Passeios, mostras e mais atrações gratuitas na cidade
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  • Ele foi o primeiro andino a fotografar o próprio povo. O peruano Martín Chambi (1891-1973) revelou paisagens e personagens de seu país no início do século XX. Na exposição Face Andina, em cartaz no Instituto Moreira Salles, o público pode ver 111 dessas imagens. Compõem a seleção alguns dos primeiros registros de Machu Picchu, às vezes com a presença do artista. É curioso apreciar conhecidos relevos da antiga cidade inca em branco e preto. Mas o melhor do conjunto se deve ao olhar antropológico de Chambi, que se preocupou em transformar seus pares, normalmente esquecidos, em protagonistas. Há, por exemplo, cliques interessantíssimos de agricultores orgulhosos diante de suas plantações de batata. Outros mostram uma banda do exército vestida para o Carnaval, um time de basquete feminino cujos penteados das jogadoras são todos iguais e um impagável garoto de rua sendo arrastado pela orelha por um policial. O pioneirismo e o domínio da técnica fizeram com que suas fotografias circulassem por publicações mundo afora e despertassem o interesse da elite peruana, que o contratou para trabalhar em eventos importantes, caso de Casamento de Don Julio Gadea, Prefeito de Cuzco (1930). De sua produção feita em estúdio, destacam-se as obras em que trabalhava o claro-escuro ao estilo das pinturas europeias. Nelas, os retratados parecem sair da sombra, conferindo  dramaticidade ao que poderia ser banal. Até 29/3/2015.
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  • A habilidade em reproduzir seres humanos à perfeição deu fama ao australiano Ron Mueck, que tem nove de suas esculturas expostas na Pinacoteca do Estado. As obras produzidas com resina, fibra de vidro, silicone e acrílico atraem, sobretudo, pelo alto nível técnico. A unha mal cortada, as rugas na pele e até o peso do corpo sobre o chão impressionam. Mas, passado o primeiro impacto, a sensação é de falta de profundidade, mesmo que cada personagem carregue certa expressão de tristeza. Exceção, o casal de idosos que ocupa o octógono do museu, de 4 metros de altura, mantém o efeito hipnótico. Muita gente chega a enfrentar filas de três horas para ver as criações de Mueck. Para organizar o fluxo de visitantes, foram liberadas duas entradas: uma para a badalada mostra e a outra para conferir o acervo permanente e os demais artistas em cartaz. Um ponto negativo da montagem é o percurso obrigatório em sentido único para apreciar as esculturas hiper-realistas. Ou seja, depois que se troca de sala, não se pode mais retornar à anterior para rever alguma coisa. Por isso, faça todas as selfies que quiser antes de ver a próxima obra. No fim do circuito, um vídeo de 45 minutos registra Mueck em ação no seu ateliê em Londres. De 20/11/2014. Até 22/2/2015. + 10 curiosidades sobre Ron Mueck, o criador de esculturas hiper-realistas + O que está acontecendo com as exposições na era das selfies + Começa montagem da mostra de Ron Mueck na Pinacoteca
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  • Sucesso do circuito off-Broadway, a comédia musical As Noviças Rebeldes, de Dan Goggin, ganhou adaptação brasileira de Flavio Marinho e marcou a estreia de Wolf Maya como diretor de teatro, em 1987. As atrizes Regina Restelli, Cininha de Paula, Totia Meirelles, Sylvia Massari, Fafy Siqueira e Dhu Moraes vestiram o hábito na época. Quase três décadas depois, Maya remonta a história de cinco freiras envolvidas em apuros que decidem montar um show para arrecadar fundos, resolvendo assim seus problemas. Desta vez, As Noviças Rebeldes, o Musical surge menos debochada e mais formatada de acordo com a indústria do gênero. A história divertida e ainda com traços do politicamente incorreto está mantida e arranca algumas boas risadas. O elenco formado por Soraya Ravenle, Sabrina Korgut, Maurício Xavier, Helga Nemeczyk e Carol Puntel, no entanto, é melhor na cantoria do que na interpretação e não obtém unidade no timing cômico, principalmente nos números-solo. Como a Madre Superiora, Soraya é o destaque, e a carismática Helga Nemeczyk surpreende a plateia. Sabrina Korgut e Carol Puntel pouco contribuem, e Maurício Xavier nada  acrescenta ao personagem feminino. Estreou em 9/1/2015. Até 8/3/2015.
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  • Fazer humor sobre doença e morte é uma opção bastante duvidosa e exige que o dramaturgo e o diretor sejam habilidosos para se desviar da grosseria de uma piada de mau gosto. Não à toa, a segunda peça da Má Companhia Provoca, assim como a bem-sucedida Os Adultos Estão na Sala (2013), também escrita por Michelle Ferreira, é definida como uma tragicomédia. A atriz Eva Lo Brac (interpretada por Maura Hayas) já teve dias de glória na televisão e, diagnosticada com um câncer, vive no ostracismo. Ela é convidada para um macabro reality show de moribundos, no qual o vencedor será quem morrer por último. A ex-estrela enfrenta a forte concorrência de, entre outros, uma garota leucêmica (papel de Flávia Strongolli). A encenação se sustenta no equilibrado jogo do elenco — completado por André Corrêa, Paula Brandão, Solange Akierman e a autora. Dirigida por Ramiro Silveira, a montagem ganha força ao arrancar risos amargos do público em escala progressiva. Quem tem estômago forte provavelmente se entregará mais facilmente à divertida proposta. Estreou em 6/11/2014. Até 22/2/2015.
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  • As relações amorosas norteiam a comédia de suspense de Michelle Ferreira. Uma mulher sai da cidade para morar no campo e a visita de uma amiga e do namorado dela sacode a rotina. A diretora Isabel Teixeira construiu uma encenação pretensiosa que faz a dramaturgia parecer um tanto desconexa. No excesso de intenções, as interpretações de Martha Nowill, Sabrina Greve e Gustavo Vaz surgem esvaziadas. Com Lucas Brandão. Estreou em 16/1/2015. Até 1º/3/2015.
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  • Nitidamente influenciados pela alma e pelo inconformismo do dramaturgo irlandês Samuel Beckett (1906-1989), os cearenses do Grupo Bagaceira festejam quinze anos de estrada com a comédia Lesados. Com dramaturgia de Rafael Martins e direção de Yuri Yamamoto, a montagem traz quatro personagens (interpretados por Démick Lopes, Rogério Mesquita, Ricardo Tabosa e Tatiana Amorim) que precisam sair do lugar onde estão, mas não conseguem de jeito algum. Seja por falta de iniciativa, seja por incapacidade, o quarteto permanece preso, cada um a uma plataforma, filosofando sobre as agruras da vida. Contudo, a proximidade de Esperando Godot ou Fim de Partida logo deixa de ser promissora, e a peça resulta em um esquete que se alonga mais do que seu fôlego permite. Esbarra ainda na carência de um conflito que surpreenda e não seja meramente cômico. Estreou em 8/1/2015. Até 14/2/2015.
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  • Faz só dois anos que Erasmo Carlos mergulhou de vez nas redes sociais — e emergiu assustado com comentários de que não teria “muito tempo de vida” ou de que era “um zumbi”. Em resposta aos haters, o Tremendão apresentou o ótimo Gentil Gigante (2014), considerado um dos melhores álbuns de sua carreira, no qual tenta (e consegue) desmistificar a “fama de mau”. A contraprova veio no ano seguinte, com o lançamento de Meus Lados B. Nele, o cantor relembra as faixas que pouco ou nunca ganharam espaço em seus espetáculos ao vivo, a exemplo de Maria Joana, sua abordagem sobre maconha feita na década de 70, beeem antes de Planet Hemp surgir. Com essa, são 23 preciosidades, como a caricata O Homem da Motocicleta, Mané João (escrita com Roberto Carlos), Estou Dez Anos Atrasado e a composição de Caetano Veloso De Noite na Cama. Ele celebra esta turnê com o DVD deste álbum, lançado agora. Dias 26 e 27/2/2016.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO