Shoppings

Principais shoppings da cidade investem em reformas e ampliações

Dez empreendimentos apostam em instalações novas e lojas exclusivas para enfrentar a concorrência, que já é grande e deve aumentar

Por: Sandra Soares - Atualizado em

Principais shoppings da cidade investem em reformas e ampliações
O carioca Paulo Autran, que vive em São Paulo desde a infância: suas últimas nove montagens foram vistas por 675 000 espectadores (Foto: Veja São Paulo)

Quando o primeiro shopping center foi inaugurado na cidade, em 1966, o comércio chique de São Paulo se concentrava na Rua Augusta. Como o conceito de centro de compras nem sequer existia por aqui, os lojistas instalados nos Jardins ficaram receosos em abrir filiais no novíssimo Iguatemi, construído na área de uma antiga chácara da família Matarazzo. Os que resolveram ir para lá duvidavam que os consumidores visitariam as lojas localizadas no fundo do empreendimento e entraram numa disputa pelas que ficavam próximas da entrada. Mal sabiam que, passados quarenta anos, o prédio da então Rua Iguatemi, hoje Avenida Brigadeiro Faria Lima, prefeito paulistano na época, seria um dos pontos comerciais mais valorizados do Brasil. Em média, o aluguel de seu metro quadrado custa hoje 350 reais por mês. Mais tarde, sobretudo a partir da década de 80, dezenas de shoppings semelhantes pipocariam com sucesso por aqui. De acordo com a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), existem atualmente 41 desses estabelecimentos na capital. O número sobe para 66 pelos critérios da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), que inclui em seu levantamento espaços menores, como promocenters e outlets. Se são divergentes na contagem, as duas associações concordam em um ponto: há tantos shoppings em São Paulo, e eles são tão perto um do outro, que suas áreas de influência acabam se sobrepondo. A disputa pela clientela, que já é grande, deve aumentar com a chegada de pelo menos três novos concorrentes: o Cidade Jardim, no Morumbi, o Bourbon Pompéia, ao lado do Parque Antarctica, e o Metrô Itaquera, todos em obras. Para manterem os corredores dos shoppings fervilhando, os empresários do setor resolveram investir pesado em ampliações e reformas. "Cerca de um terço de nossos associados passa ou está prestes a passar por algum processo de revitalização", diz Nabil Sahyoun, presidente da Alshop. Há mesmo novidades por todo lado. Anália Franco, Eldorado, Frei Caneca, Ibirapuera, Iguatemi, Market Place, Morumbi, Paulista, Pátio Higienópolis e Villa-Lobos são alguns dos grandes shoppings que apostam em mudanças para conquistar mais e mais freqüentadores. É um mar de gente. Juntos, os 41 shoppings paulistanos atraem para suas praias 40 milhões de consumidores por mês (os freqüentadores habituais de cada endereço, evidentemente, entram diversas vezes nessa conta). São 9 500 lojas, 205 salas de cinema e 95 000 vagas (sempre lotadas!) de estacionamento. Nesses locais, é possível, além de compras, claro, fazer quase tudo – exames laboratoriais, aulas de teatro, serviços bancários, tirar passaporte, cortar o cabelo... Treze dos shoppings são dos anos 90. A maioria tem mais ou menos o mesmo formato: parecem grandes caixotes, com corredores estreitos e iluminados de maneira artificial. Os projetistas queriam que os consumidores, uma vez lá dentro, perdessem a noção da hora. Ao abrir as portas em 1999, o Pátio Higienópolis lançou um modelo mais moderno, muito em voga nos Estados Unidos, que privilegia a amplitude e a iluminação natural. "A tendência agora é tentar reproduzir dentro do shopping a sensação de liberdade e espaço que o consumidor experimenta na rua", afirma o gerente de análise do instituto de pesquisa Toledo & Associados, Luis Rodrigues. "Com a vantagem da segurança e do ar-condicionado." Sempre que surge uma novidade nesse mercado, ela é logo copiada. A moda da vez, depois da troca dos antigos cinemas pelas opções multiplex, são os teatros. Eldorado, Pátio Higienópolis e Frei Caneca já têm; Ibirapuera e Paulista anunciaram que vão construir os seus. Erguer prédios residenciais e comerciais ao lado dos empreendimentos também virou febre. Previsto para entrar em funcionamento em dezembro do ano que vem, o sofisticado Cidade Jardim terá lojas a céu aberto e integrará um luxuoso complexo com nove edifícios residenciais e quatro comerciais. Enquanto a construção do shopping está acelerada na Marginal Pinheiros (na altura da Ponte Engenheiro Ari Torres), MorumbiShopping e Eldorado, localizados na mesma região, respiram fundo, trocam o mobiliário e passam por uma reforma. Ambos também estão erguendo prédios de escritórios em seus terrenos, com, respectivamente, onze e 32 pavimentos. Oferecer marcas exclusivas, entretanto, ainda é o melhor caminho para se diferenciar. Não basta montar um cardápio de lojas atraente e coerente com o perfil de cada público. É fundamental garantir que as melhores fiquem longe dos vizinhos. Daí surgiu a chamada cláusula de raio, que determina em contrato a distância mínima para que a mesma grife se instale em outro lugar. O Iguatemi é um exemplo. Entre suas 330 lojas figuram marcas internacionais que, sozinhas, já lhe dão prestígio. É o caso da Louis Vuitton e da Tiffany & Co. A cláusula de raio do Iguatemi é de 2,5 quilômetros. Com 100 lojistas que considera estratégicos, a administração do shopping mantém ainda uma cláusula de exclusividade total (independentemente da distância) no documento de locação. Essa disputa vai se acirrar. Carlos Jereissati Filho, diretor superintendente do Iguatemi, garante não temer a concorrência com o Cidade Jardim, que está sendo construído a 2,6 quilômetros dali e é também voltado ao público AAA. "Nossa localização, no chamado quadrilátero de luxo da cidade, perto dos Jardins, nos deixa numa condição ímpar", afirma. Já o presidente da JHSF, incorporadora responsável pelo novo empreendimento, está certo de que ele será um sucesso. "Existe ainda um mercado que não foi atendido", diz José Auriemo Neto. É por isso que os shoppings estão brigando – brigando, bem entendido, pelo consumidor paulistano, que no fim de tudo ganhará novos ou renovados lugares para passear, comer, divertir-se e, claro, comprar.

Fonte: VEJA SÃO PAULO