Saúde

Primeiros testes mostram que 'pílula do câncer' não é eficaz

Em nota, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação informou que os resultados são preliminares e que "não existe ainda um laudo conclusivo sobre a substância"

Por: Estadão Conteúdo - Atualizado em

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Imagem de cápsulas similares a da fosfoetanolamina, que é distribuída no campus da USP São Carlos (Foto: Reprodução)

Os primeiros testes com a fosfoetanolamina sintética, conhecida como "pílula do câncer", realizados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) mostraram que a substância não é pura, como afirmavam seus criadores, e que ela não apresenta eficácia contra células cancerígenas em testes in vitro. Os cinco primeiros relatórios foram divulgados pelo ministério no último dia 18.

"A informação era de que a fosfoetanolamina era pura, mas há cinco componentes na cápsula. Os resultados preliminares mostram que a fosfoetanolamina não tem atividade contra o câncer", diz Luiz Carlos Dias, professor titular do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que atuou na pesquisa do MCTI na etapa de caracterização e síntese dos componentes da cápsula.

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A substância, criada pelo professor aposentado Gilberto Chierice, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) São Carlos, é distribuída há mais de vinte anos e não tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para ser usada como medicamento.

Segundo Dias, a quantidade de fosfoetanolamina é de 32,2% e que outra substância presente na fórmula, chamada monoetanolamina, apresentou capacidade de reduzir a proliferação de células com câncer. "Um dos componentes tem uma pequena atividade, mas é muito marginal, menor do que a apresentada por tratamentos convencionais." Em nota, o ministério informou que os resultados são preliminares e que "não existe ainda um laudo conclusivo sobre a substância."

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Dias explica que ainda serão realizados testes in vivo, que devem incluir animais de pequeno porte, cujos resultados devem sair em um mês.

Outro ponto preocupante, segundo o pesquisador, foi o fato de as cápsulas não apresentarem a mesma quantidade de substância em cada uma delas. "Cada uma tinha uma quantidade diferente. Indica um processo artesanal de colocar o conteúdo na cápsula." A reportagem entrou em contato com os responsáveis pela fórmula por e-mail, mas não teve resposta.

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Fonte: VEJA SÃO PAULO