Cidade

As adequações da capital para as Olimpíadas

Prestes a receber partidas de futebol, turistas e delegações, a cidade faz mudanças na área de transportes e intensifica o esquema de segurança

Por: Mariana Zylberkan e Sérgio Quintella

AEROPORTO CONGONHAS
Filas no saguão do aeroporto de Congonhas na última quarta (20): a nova norma para a verifIcação de bagagem criou caos no embarque (Foto: Leo Martins)

As férias da professora Bruna Carvalho no litoral paulista neste mês foram interrompidas antes do previsto. Com o voo de volta para Goiânia marcado para 6h10 de quarta (20), ela resolveu fechar o guarda-sol no Guarujá, arrumar as malas e chegar a Congonhas às 18 horas da véspera, mais de doze horas antes de o avião decolar. Por causa disso, teve de enfrentar a fria madrugada paulistana, com temperaturas em torno dos 9 graus, dormindo embaixo de uma escada rolante do aeroporto.

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A atitude aparentemente tresloucada foi motivada pelo medo de encarar as filas intermináveis que se registraram no terminal desde segunda (18), quando entrou em vigor uma nova determinação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) endurecendo a revista de bagagens nos embarques domésticos no país.

A goiana Bruna enfrentou duas horas de espera entre o check-in no balcão da empresa aérea Gol, a passagem pelo raio X e a entrada na aeronave. “Se eu soubesse que seria assim, teria voltado para casa de ônibus”, diz. Esse não foi um caso isolado. Receosos de encarar o tumulto, centenas de passageiros apareceram com horas de antecedência e se esparramaram pelo piso quadriculado do aeroporto. A falta de informações e as falhas de atendimento aumentavam o caos, enfurecendo usuários e provocando discussões. Essa situação só começou a ficar mais tranquila a partir de quinta (21).

O novo procedimento da Anac, adotado apenas duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos do Rio, é um prenúncio de outras medidas que órgãos públicos vão adotar na capital ao longo do próximo mês. Apesar de não ser a sede oficial da competição, São Paulo abrigará dez partidas de futebol no estádio do Corinthians, em Itaquera (veja um roteiro de atrações olímpicas no fim da reportagem).

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A natural movimentação de turistas estrangeiros por aqui causa preocupação aos responsáveis pela área de segurança. Há dois anos, na Copa do Mundo, o receio se concentrava principalmente na possibilidade de ocorrência de manifestações políticas ou de singela troca de tapas entre torcedores rivais beberrões. Em uma Olimpíada, com a circulação de delegações de 206 países, a situação torna-se bem mais delicada. Agora, a preparação contra atentados terroristas norteia o esquema da Polícia Militar e do Exército. Esse planejamento, formulado ao longo dos últimos dois anos, foi endurecido repentinamente por causa do recente ataque que deixou mais de oitenta mortos em Nice, na França.

Os preparativos incluem simulações de sequestro de avião e de explosões em lugares com grande concentração de público. Na madrugada de quarta (20), o Exército levou 100 homens à Estação Paraíso do metrô para uma encenação de atentado a bomba, com soldados na pele de terroristas e vítimas. Durante duas horas, projéteis não letais e bombas de fumaça, para emular o efeito de granadas, foram disparados e lançados nas plataformas. Na contenção, os agentes utilizaram fuzis, metralhadoras e equipamentos com visão noturna. “O lugar é um alvo em potencial”, explica o coronel Carlos Alberto Pimentel. “Estamos prontos para ameaças do tipo.”

EXERCITO METROL
Soldados do Exército na Estação Paraíso do metrô, na quarta (20): simulação com bombas de fumaça e tiros falsos (Foto: Leo Martins)

A Polícia Militar prepara-se para executar uma operação de abrangência inédita. Nos dias de partida em Itaquera, o reforço será de 8 000 policiais militares, o que vai mais do que dobrar o efetivo de um dia normal. Trata-se do maior contingente utilizado até hoje na capital. Desse total, 4 300 agentes estarão espalhados por pontos estratégicos, como estações de trem e metrô, aeroportos, hotéis das delegações e pontos de interesse como a Avenida Paulista.

Mas o centro nevrálgico do esquema será mesmo o entorno da Arena Corinthians. Quem costuma frequentar jogos no Brasil vai identificar elementos comuns, como a cavalaria e o Batalhão de Choque. A novidade será a presença de atiradores de elite da PM, os chamados snipers, posicionados dentro e fora do estádio com armas capazes de mirar e atirar a uma distância de mais de 300 metros. “Atos terroristas vêm sendo executados de maneira simples nos últimos tempos, por isso a atenção estará voltada para qualquer pessoa que demonstre atitude suspeita”, diz o major Iron Sérgio da Silva, comandante interino do Batalhão de Operações Especiais de São Paulo.

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Outro reforço virá de integrantes do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da PM, equipados para desarmar bombas, e soldados da Marinha, que terão a função de auxiliar na descontaminação dos torcedores em caso de ataque químico.

A corporação utilizará equipamentos que fazem parte do legado deixado pela Copa. Um deles é o Centro Integrado de Comando e Controle, um caminhão com sistema de monitoramento aéreo e plataforma de observação elevada. O Ministério da Justiça destinou 12,5 milhões de reais ao governo paulista para a compra de aparelhos de raio X, scanners, entre outros equipamentos, que serão enviados a presídios depois dos Jogos. Parte do aparato estará nas ruas neste domingo (24), durante a passagem do revezamento da tocha olímpica pela capital. Nas últimas duas semanas, ela desfilou por 47 municípios do estado, o que movimentou mais de 20 000 PMs.

Não bastasse a segurança ostensiva, uma rede de inteligência será acionada em São Paulo nos próximos dias. De olho no que tem ocorrido em países considerados vulneráveis, o comando da PM ampliou o efetivo dessa área e fiscalizará com mais atenção os pontos turísticos, usuais alvos em atos violentos no exterior. Cerca de 3 000 agentes à paisana vão se infiltrar em locais de grande circulação de público e alimentar uma estrutura de informação conectada com agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), da Polícia Federal e com policiais de outros estados.

Tocha Rio Grande
Revezamento da Tocha Olímpica (Foto: William Lucas)

Agências internacionais, como as americanas CIA e FBI, disponibilizaram equipes para auxiliar nas operações na cidade. “No que diz respeito a terrorismo, a maior preocupação é com os chamados ‘lobos solitários’, que agem de forma individual”, diz o consultor em segurança Hugo Tisaka, da empresa NSA Brasil.

O sinal de alerta soou na quinta (21), quando a Polícia Federal deflagrou a operação Hashtag e prendeu dez brasileiros suspeitos de ligação com o Estado Islâmico e de planejamento de atentados durante os Jogos. Foram expedidos dezenove mandados de busca e apreensão em dez estados — quatro deles em São Paulo. As investigações foram realizadas por integrantes da Divisão Antiterrorismo do órgão, que monitorou redes sociais. Eles participavam de um grupo virtual chamado Defensores da Sharia e estariam trocando informações sobre a compra de armas para agir no Brasil e no exterior.

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Na noite da última terça, 19, uma maleta abandonada chamou a atenção de pessoas que circulavam na Alameda Ministro Rocha Azevedo, a um quarteirão da Avenida Paulista e do Consulado da França, motivando ligações ao telefone 190. A área foi isolada e uma equipe do Gate tratou de verificar o conteúdo por meio de um robô. No fim, não passou de um lapso de algum vendedor distraído: no interior havia só amostras de tapetes e pedaços de tecido.

Outra estrutura envolve o setor de saúde, que terá reforço de pessoal e procedimentos especiais. Ao todo, 100 médicos e 200 enfermeiros da rede estadual estarão de prontidão no entorno da Arena Corinthians. O destaque do esquema fica com duas tendas infláveis importadas da República Checa que poderão ser montadas às pressas (em menos de dois minutos) para se transformar em hospital.

Com capacidade para tratar até dez vítimas graves simultaneamente, esses espaços contam com um centro de descontaminação contra armas químicas. O equipamento será operado pelo Grupo de Resgate e Atenção às Urgências e Emergências (Grau), a tropa de elite da área no estado. O órgão atuará com trinta profissionais dentro do estádio. “A estrutura é maior que a utilizada na Copa”, diz Cecília Damasceno, coordenadora do Plano de Contingência da Secretaria Estadual de Saúde.

Entre as 22 nações que escolheram a capital e cidades próximas para se hospedar e treinar durante os Jogos estão França, Israel e Iraque. Os três países inspiram especial cuidado. Há algumas semanas, os quartos de hotéis que abrigarão delegações passaram por uma varredura em busca de objetos suspeitos, e funcionários recém-contratados foram investigados. Alguns desses locais são o Radisson Blu, reservado para a delegação da China, e o Staybridge Suites, para a de Israel, ambos no Itaim.

Cinco clubes daqui vão ser anfitriões dessa turma. A maior mobilização será no Pinheiros, com mais de 400 chineses de catorze modalidades. O comitê olímpico do país asiático proibiu a divulgação de qualquer atividade por ali. A piscina e a pista de atletismo da Hebraica, no Jardim Paulistano, são o endereço atual de japoneses e israelenses. Na tarde da última quarta, 20, dois PMs armados com fuzis montavam guarda na entrada principal do clube, durante treino da seleção de natação de Israel.

EQUIPQ JAPAO HEBRAICA
Treino da equipe do Japão na piscina da Hebraica: uma das 22 delegações a aportar por aqui (Foto: Alexandre Battibugli)

O Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo (Cepeusp) vai abrigar 115 atletas de China, França, Rússia e Itália. O equipamento mais usado será a pista de atletismo, onde estão previstos treinamentos de franceses e italianos. Chineses e russos aproveitarão os 2 000 metros de extensão da raia olímpica para praticar canoagem.

Os órgãos públicos anunciaram esquemas especiais também em outras áreas para o período olímpico, como a de transporte. A exemplo do que ocorreu durante a Copa do Mundo, em 2014, a CPTM vai pôr em funcionamento uma linha expressa entre as estações Luz e Itaquera nos dias de jogos na Arena Corinthians. O percurso será realizado sem parada, em menos de vinte minutos. Os torcedores vindos de Cumbica terão à disposição uma linha especial de ônibus. Eles irão direto ao estádio, com ar-condicionado, poltronas reclináveis e wi-fi, por 45,50 reais. Quem quiser gastar menos (5,55 reais) pode pegar os veículos convencionais da Linha 257, que liga o Terminal 2 de Cumbica à Estação Tatuapé do metrô.

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Até o momento, 183 000 ingressos foram vendidos para as partidas em São Paulo, cerca de 60% do total disponível. Com 105 000 leitos e 43 000 apartamentos, a capital tem espaço mais do que suficiente para comportar esse público. Especialistas do setor hoteleiro preveem um movimento de 30 milhões de reais no mês de agosto. O montante é semelhante ao arrecadado em um fim de semana do GP Brasil de Fórmula 1, normalmente sediado por aqui em novembro. “A diferença é que o público do automobilismo costuma gastar mais em outros setores paralelos, como a gastronomia”, afirma o presidente da sede paulistana da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Bruno Omori.

Para se adequar à leva de estrangeiros que deve desembarcar por aqui, algumas iniciativas bilíngues estão sendo postas em prática na cidade. O Metrô, por exemplo, implantará avisos sonoros em inglês nas estações e plataformas nos dias de partida, para orientar o público que vai em direção ao estádio. Além de receber visitantes, a capital vai exportar turistas. Dados da Skyscanner, empresa de busca de viagens, revelam que os paulistanos representarão praticamente metade do total de brasileiros que assistirão aos Jogos no Rio.

O TAMANHO DO EVENTO POR AQUI

Alguns números relacionados à competição na capital

1 200 atletas, de um total de 10 000, ficarão hospedados na metrópole

12,5 milhões de reais bancaram a compra de equipamentos de segurança

30 milhões de reais é o faturamento esperado pela rede hoteleira paulistana

8 000 policiais militares serão destacados para atuar especificamente nos jogos

183 000 ingressos foram vendidos para os confrontos na Arena Corinthians

100 médicos estarão de prontidão para casos de emergência em Itaquera

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  • Portugueses

    Taberna da Esquina

    Rua Bandeira Paulista, 812, Itaim Bibi

    Tel: (11) 3167 6489

    VejaSP
    1 avaliação

    O balhacau está pela hora da morte! A manjada expressão só não vale para o almoço executivo do Taberna da Esquina, casa do chef português Vítor Sobral. Há dois menus, um a R$ 47,00 e o outro a R$ 56,00, diferentes a cada dia. Toda quarta, o mais caro deles dá direito ao bacalhau à brás (em lascas com cebola caramelada, batata palha e ovo) — na carta regular do restaurante, uma receita parecida do pescado, à zé do pipo, com cebola caramelada e purê de batata, sai por R$ 78,00. O preço fixo da refeição ao meio-dia dá direito ainda a opções rotativas como o caldo verde e o salame de chocolate.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Italianos

    Due Cuochi Cucina - Morumbi

    Avenida Doutor Chucri Zaidan, 1240, Brooklin

    Tel: (11) 3957 9580

    VejaSP
    Sem avaliação

    Se quiser evitar as filas que se formam no Due Cuochi Cucina do Itaim (Rua Manuel Guedes, 93, ☎ 3078-8092) e do Shopping Cidade Jardim (☎ 3758-2731), prefira a menos movimentada unidade do Morumbi Corporate. Em qualquer um dos endereços sob a orientação do chef Giampiero Giuliani, encontram-se ótimas receitas que tornaram o trio de casas campeão de público. São exemplos a lasanha com ragu de costela (R$ 56,00), gratinada com a quantidade precisa de parmesão, o delicioso porquinho de pele pururuca com tagliolini fresco (R$ 81,00) e uma receita afrancesada, o pato assado com lentilha de Puy (R$ 78,00). Reserve espaço para o par de cannoli com sorvete de pistache (R$ 30,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Chope e cerveja

    Cateto

    Rua Fernando Falcão, 810, Mooca

    Tel: (11) 2367 7521

    VejaSP
    3 avaliações

    O interessante bar de cervejas especiais nasceu na Mooca e ganhou uma filial em Pinheiros. De trigo, o rótulo Invicta Iniciação (R$ 25,00, 500 mililitros) agrada ao público, assim como a tábua de quatro queijos nacionais (R$ 50,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Padarias

    Julice Boulangère

    Rua Deputado Lacerda Franco, 536, Vila Madalena

    Tel: (11) 3097 9162 ou (11) 3097 9144

    VejaSP
    19 avaliações

    Depois de reformar a matriz, em Pinheiros, Julice Vaz aportou com uma loja bonitona no Shopping Villa-Lobos. O rol de opções do novo endereço não se limita aos ótimos pães de produção artesanal que reluzem no balcão, como o de campanha (R$ 8,15), o de calabresa com nozes e vinho tinto (R$ 12,70) e a baguete (R$ 9,20). Dá para tomar café da manhã (ovos mexidos a R$ 12,50 e suco de laranja por R$ 8,40) ou apenas fazer um lanche (croque monsieur a R$ 33,20). Há também sugestões de um menu completo por R$ 43,10. Entre os pratos que mudam sempre está o úmido arroz com lombo suíno.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Reza a lenda no circo que nenhum artista deve se apresentar depois da meia-noite. Desse horário em diante, o picadeiro precisaria ser liberado para os fantasmas do nariz vermelho. Essa é a premissa da divertida peça Antes do Dia Clarear, da Cia 2Dois. Fruto de três anos de pesquisa, o enredo homenageia a história de importantes palhaços brasileiros: Arrelia, Carequinha e Torresmo. Dirigidos por Fernando Escrich e Ronaldo Aguiar, David Taiyu (que dá vida a Dadúvida) e Sandro Fontes (o Sandoval) lançam mão de pouquíssimas falas em cena e arrancam risadas de adultos e crianças. A dupla, que também trabalha junto na ONG Doutores da Alegria, acompanha uma madrugada cheia de assombrações — que não metem medo nenhum, pode ficar tranquilo. De duas malas, tiram seus figurinos e assumem diferentes papéis. Preste atenção na sincronia dos atores na hora de maquiar um ao outro em cena e de montar o cenário no qual realizam truques clássicos. Na interpretação da trilha sonora composta por Fernando Escrich e musicada por Nino Rota, um bumbo, um prato e uma vitrolinha antiga e ruidosa atraem a geração que nasceu na época da música tocada em iPods. Recomendado a partir de 4 anos. Estreou em 21/11/2014. Até 21/8/2016.
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  • O Museu do Futebol entrou no clima da Olimpíada do Rio. Ao chegar à Praça Charles Miller e seguir rumo à bilheteria, dá para ver, à esquerda, diversas instalações do programa Férias no Museu. Trata-se de equipamentos para praticar esportes diversos, como vôlei e basquete. Do lado de dentro, a mostra de curadoria de Aira Bonfim e Daniela Alfonsi usa itens do acervo fixo para falar da importância da modalidade na competição. Quem já visitou o espaço do Pacaembu pode ter uma sensação de déjà vu — afinal, muitas peças só foram rearranjadas. Mas um ponto alto vale a visita: a reunião de sessenta painéis oficiais de várias edições da competição mundial. Não deixe de conferir também o filme exclusivo sobre o esporte narrado por José Trajano. Até 30/12/2016.
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  • Personagens como o impagável Geraldão, marmanjo na casa dos 30 anos que se recusa a sair da casa da mãe, e Geraldinho, menino com ojeriza à escola, vidrado em televisão e adicto em soda limonada, são algumas das figuras marcantes nascidas dos traços de Glauco Vilas Boas (1957-2010). O cartunista de Ribeirão Preto ganhou mostra dedicada a suas criações no Itaú Cultural, com cerca de 200 desenhos e esboços responsáveis por arrancar risadas de leitores durante mais de três décadas. Pelos corredores da Ocupação Glauco, aparecem dispostas de forma convencional obras caracterizadas pelo humor ácido que o artista usava para criticar a política brasileira e escrachar o senso comum. Depoimentos de colegas de profissão como Laerte e Angeli em um vídeo sobre o lado espiritual de Glauco ajudam a revelar, apesar de superficialmente, essa outra face do chargista. Sua ligação com a religião terminou em tragédia. Ele e seu filho Raoni foram assassinados há seis anos por Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, frequentador da igreja fundada pelo artista, a Céu de Maria, ligada ao Santo Daime. Até 21/8/2016.
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  • O atormentado Bentinho do romance Dom Casmurro, escrito por Machado de Assis, é um raro exemplo de personagem brasileiro que transcende a própria obra literária. Não é necessário ter lido o clássico publicado em 1900 para carregar referências sobre a dúvida que flagela o protagonista. Teria ele sido traído pela amada Capitu com o seu melhor amigo, o não menos querido Escobar? O enigma ganha o palco no monólogo As Sombras de Dom Casmurro, uma boa e acessível adaptação assinada por Toni Brandão em que a essência da história se mantém intacta e plenamente conectada à encenação intimista. Sob a direção de Débora Dubois, o ator Marcos Damigo surpreende ao travar um persuasivo diálogo com a plateia. Não são raros os momentos em que o artista busca o olho no olho do público para reforçar o discurso e, logo, coloca mais em dúvida ainda a reputação de Capitu. Essa postura de Damigo passa longe de uma tentativa de esclarecimento para o caso. O intérprete recorre a uma construção baseada nas referências biográficas fornecidas pelo próprio Machado. No caso de Bentinho, trata-se de um advogado, introspectivo, mas de boa lábia, na tentativa incansável de fornecer elementos que comprovem seus argumentos. Como se estivesse em um tribunal, ele mascara qualquer tipo de paranoia, alternando ressentimento, fragilidade e uma refinada ironia, em um depoimento que segue instigante a todos. Estreou em 16/3/2016. Até 31/7/2016.
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  • Em quase duas décadas, o diretor Kleber Montanheiro e sua Cia. da Revista se caracterizam por levar ao público uma análise crítica de fatos atuais embalada no formato musical. Adaptação da peça Um Inimigo do Povo (1882), do norueguês Henrik Ibsen, Um, Dez, Cem Mil Inimigos do Povo é uma recriação do dramaturgo Cássio Pires inspirada na polarização política que tomou conta da sociedade brasileira. Na trama, Doutor Stockmann (interpretado por Daniela Flor) descobre que as águas de uma estância balneária, principal fonte de recursos do alegórico País do Sol, estão contaminadas e oferecem riscos à população. A descoberta entra em choque com os interesses econômicos da localidade, e o protagonista se torna alvo do ódio da população e, cada vez que tenta explicar suas ideias, se enreda mais e mais. Composta por Ricardo Severo, as doze canções com letra da trilha original são um eficiente suporte para a compreensão da história e colaboram para a definição do perfil dos personagens defendidos pelo afinado elenco. Destaque para o tema final, Júri e Juiz, apresentado em gravação da cantora Cida Moreira. Com Adriano Merlini, Bruna Longo, Gabriel Hernandes, Gabriela Segato, Heloísa Maria, Luiza Torres e outros. Estreou em 6/5/2016. Até 4/12/2016.
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  • Augusto de Campos, de 85 anos, foi um dos responsáveis por introduzir a poesia concreta no país na década de 50. Sua obra é tema de um grande show no Sesc Pompeia. Arnaldo Antunes, Caetano Veloso, Tom Zé, Péricles Cavalcanti e Passoca dão voz a canções e versões musicadas de poemas do autor, que participa do espetáculo lendo trechos de textos. Seu filho, o cantor Cid Campos, montou o roteiro do espetáculo de uma hora e meia. “Não teremos uma estrutura rígida, trata-se de uma brincadeira entre amigos”, diz o músico. Caetano, que dividiu a composição de Pulsar com o escritor, escolheu interpretar Elegia, de Cavalcanti. Antunes recita Tensão. Animam também a plateia Cademar, criada ao lado de Tom Zé, além de Sem Saída e Canção Noturna da Baleia, produzidas em parceria com Cid. O repertório inclui ainda traduções do poeta, a exemplo de Mamãe Merece, inspirada em God Bless Child, de Billie Holiday. Uma curiosidade: o mesmo formato de apresentação em homenagem a Augusto de Campos apareceu no programa Fábrica do Som, da TV Cultura, em 1983. Dias 30 e 31/7/2016.
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  • Air

    Rua Coronel Xavier de Toledo, 23, República

    Tel: (11) 3051 5775

    Sem avaliação

    A bonita vista para o centro da cidade é o principal atrativo desta balada. Até dezembro,o Shopping Light sedia o projeto de música eletrônica Air. A turma sobe até o 6º andar do icônico prédio para curtir o clube temporário, com o Teatro Municipal e o Vale do Anhangabaú ao fundo. De decoração simples, com lâmpadas de LED espalhadas pelo teto e pelas paredes das duas pistas, o endereço traz o clima de “festa de ocupação”, aquela que invade um espaço vazio inusitado. Pela peculiaridade do local, as noitadas semanais, mas sem data fixa, têm atraído um público diverso, de meninas de salto alto a rapazes moderninhos barbudos. Para conferir a programação das próximas semanas, acesse www.facebook.com/airrooftop.

    Entrada: R$ 70,00 a R$ 120,00.

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  • Em nova empreitada de revisitar um personagem da literatura, A Lenda de Tarzan pode frustrar quem espera um cinemão à moda antiga narrando as aventuras do órfão criado na selva. Desta vez, a “inovação” fica por conta de um contexto histórico e de efeitos visuais que dão, perfeitamente, vida aos animais. O início se passa em Londres, com John Clayton (papel do sueco Alexander Skarsgård) já de volta à civilização e casado com Lady Jane (Margot Robbie). Ao saber por um emissário americano (papel de Samuel L. Jackson) que o rei da Bélgica está escravizando o povo do Congo, onde ele foi criado, Clayton parte para o continente africano a fim de protegê-lo. Embora a maior parte da trama ocorra no presente, o roteiro também enfoca o passado do protagonista, desde o momento em que foi “adotado” por gorilas. Mais instigantes, os flashbacks são raros e o vaivém compromete o ritmo da narrativa. Nem Skarsgård e muito menos Christoph Waltz, o vilão, parecem confortáveis nos papéis, e, não à toa, o destaque vai para a sensual e valente Jane de Margot Robbie. Há, é claro, momentos grandiosos como o de Tarzan movimentando-se nos cipós pela floresta e, sobretudo, a formidável sequência da manada de búfalos, fruto da tecnologia e condizente com o cinema de fantasia atual. Estreou em 21/7/2016.
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  • Francês de origem marroquina, o ator Roschdy Zem traz à tona, em seu quarto longa-metragem como diretor, uma história real que envolve preconceito e racismo na virada do século XIX. Chocolate começa num circo do interior onde o negro Rafael Padilla (papel de Omar Sy) se apresenta como um canibal africano. Em decadência, o palhaço Footit (James Thierrée) o convida, então, para formar uma dupla no picadeiro. Nasce então Chocolat, um personagem que serve de “escada” para o parceiro, leva chutes e bordoadas e é tratado com galhofa. O público aprova, gargalha e Footit e Chocolat rompem barreiras, dando início a uma gloriosa carreira em Paris. Sem perder o pique nem o fio da meada, o realizador mostra a ascensão e a queda de Chocolat — da forma como ele torrou a grana na jogatina à tardia tomada de consciência de seu papel de pateta humilhado no palco. Estreou em 21/7/2016.
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  • Comédia dramática

    Entre Idas e Vindas
    VejaSP
    1 avaliação
    Pegue um professor bonitão de olhos azuis na casa dos 40 anos. Acrescente um filho pré-adolescente igualmente simpático, fofo e articulado. Com o carro quebrado na estrada, o pai e o garoto são socorridos por quatro operadoras de telemarketing a bordo de um... motorhome (!). Não se sabe direito onde eles estão — só se sabe que o quarteto feminino vai dar carona para os estranhos até São Paulo, fazer uma parada na praia, procurar gasolina numa cidadezinha às moscas... As atrizes Ingrid Guimarães, Alice Braga, Caroline Abras e Rosanne Mulholland conseguem uma química tão boa quanto a de Fabio e João Assunção, pai e filho na vida real. Há humor na trama, mas trata-se, sobretudo, de um road movie dramático de desamores e, óbvio, amor. Embora conduzida com leveza pelo diretor José Eduardo Belmonte (de Alemão), a trama tem “deslizes”: os personagens e as situações não convencem. Estreou em 21/7/2016.
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  • Pouco menos de um ano depois da estreia do premiado Que Horas Ela Volta?, a diretora paulistana Anna Muylaert volta às telas com um novo trabalho. Saem de cena o humor e a crônica de costumes para a entrada de um drama familiar em Mãe Só Há Uma. O foco está em Pierre (papel de Naomi Nero), um jovem de 17 anos que transita entre gêneros. Músico em uma banda de rock, ele pinta as unhas, gosta de se vestir de mulher e transa sem compromisso com garotas, embora também tenha uma queda por homens. Um rapaz em conflito entra num redemoinho de emoções maiores quando descobre que aquela que ele considera sua mãe o raptou, recém-nascido, da maternidade. A crise de identidade é geral: Pierre será obrigado a conviver com os pais biológicos (Dani Nefussi e Matheus Nachtergaele) enquanto enfrenta a transição para a vida adulta. A cineasta e roteirista espia um momento complexo e delicado com carinho e sem julgamento moral. Ao redor do protagonista, orbitam personagens igualmente perplexos e perdidos diante de uma situação rara. Uma boa ideia para ficar ligado: a mesma atriz interpreta as duas mães. Estreou em 21/7/2016.
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  • Querida Leitora

    Atualizado em: 22.Jul.2016

Fonte: VEJA SÃO PAULO