TRANSPORTES

Prefeitura vai tirar 1 800 ônibus das ruas com mudança do sistema

Administração prevê que cidade passe a ter 13 016 coletivos ante os atuais 14 812 

Por: Estadão Conteúdo

Ônibus
Corredor de ônibus na Avenida Nove de Julho (Foto: Alf Ribeiro/Folhapress)

A gestão Fernando Haddad (PT) pretende cortar cerca de 1 800 ônibus usados no transporte coletivo de São Paulo com a nova licitação para o setor. O projeto, que tem mais de mil páginas e foi detalhado na quinta (15) prevê que o total de coletivos em circulação na cidade deve cair dos atuais 14 812 para 13 016 veículos.

Apenas 693 das 1 390 linhas existentes em São Paulo serão mantidas. Parte das demais terá o itinerário alterado e 148 linhas, quase 10% do total, serão extintas com a mudança. Entre as 1 242 linhas que a cidade passará a ter, entre novas e alteradas, 151 vão funcionar apenas na Rede Noturna - que já vem operando desde o começo do ano, em testes.

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A prefeitura argumenta que a redução dos ônibus será compensada por um aumento da quantidade de viagens que serão feitas por coletivo. Hoje, segundo a São Paulo Transporte (SPTrans), são realizadas diariamente 186 300 viagens. A nova licitação prevê que o número subirá 17%, para 217 800 viagens por dia.

O presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindimotoristas), Valdevan Noventa, afirma que vai buscar ajuda no Ministério Público Estadual (MPE) para barrar os planos da prefeitura.

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"Esses quase 2 000 ônibus a menos representam quase 10 000 empregos que serão perdidos", argumenta o sindicalista. "A população sabe como os ônibus demoram e são superlotados. Não há como reduzir o número de coletivos na cidade", afirma ele.

Custos

O edital prevê que as empresas vencedoras da licitação terão de investir 430 milhões de reais em um Centro de Controle Operacional (CCO) para gerenciar toda a operação dos ônibus. O investimento terá de ser feito em dois anos.

Segundo a prefeitura, a partir desse CCO será feito o controle da frota, de forma a permitir o aumento das viagens. Há ainda previsão de investimentos, também em até dois anos, de 174 milhões de reais na chamada "tecnologia embarcada" - os sistemas de GPS e de validadores do bilhete único dos coletivos.

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Todos os veículos da cidade deverão ter Wi-Fi grátis para os passageiros e ar condicionado, como a prefeitura já havia anunciado.

Além dos investimentos, os empresários terão de colocar em suas contas o custo mensal somado de 1,8 milhão de reais que a prefeitura vai cobrar de aluguel das garagens de ônibus.

A administração municipal já havia anunciado a desapropriação das garagens dos atuais operadores do sistema porque, na avaliação da Secretaria Municipal de Transportes, a posse desses terrenos era uma vantagem que empresários de fora da cidade não teriam caso entrassem na disputa.

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Representantes dos empresários procurados pela reportagem na quinta-feira disseram que ainda estavam avaliando as regras da concorrência pública. Já antigos perueiros, agora também empresários, queixaram-se das normas, que, para eles, dificultam as chances de pequenas empresas do setor em participar do certame.

Essa divisão, segundo a prefeitura, foi feita para organizar melhor o expediente administrativo envolvido na competição.

Fonte: VEJA SÃO PAULO