Comércio

Os cheques pré-datados estão de volta

Lojas aceitam novamente essa forma de pagamento nas compras parceladas

Por: Nathalia Zaccaro - Atualizado em

Carolina Martini Pré-datado - 2215
A empresária Carolina Martini: “Os clientes querem fugir do cartão de crédito” (Foto: Mario Rodrigues)

A multiplicação de placas com a expressão “não aceitamos cheques” nos caixas e nas portas dos estabelecimentos comerciais parecia sinalizar que os talões estavam a caminho da extinção. Mas eis que eles, surpreendentemente, voltaram a ganhar um sopro de vida no comércio. Segundo a Chequeok, empresa especializada em verificação eletrônica de crédito, foram emitidos 141 milhões de folhas na cidade no primeiro trimestre de 2011, um aumento de 13% em relação ao mesmo período do ano passado. Desse total, quase 70% eram pré-datados (veja abaixo).

“Os clientes querem parcelar dessa maneira para não usar todo o limite do cartão de crédito, e eu também lucro com a história, escapando das taxas dos bancos”, afirma a empresária Carolina Martini, dona da loja de decoração batizada com seu nome, em Pinheiros. Lá, cerca de 20% das compras a prazo são realizadas com pré-datados. De acordo com a Chequeok, o fenômeno se repete em revendedores da construção civil, supermercados e confecções.

O governo federal ajudou a iniciar essa onda ao aumentar, desde o fim do ano passado, o imposto sobre operações financeiras (IOF), que incide no crédito à pessoa física. No reajuste mais recente, realizado em março, o valor do tributo dobrou. A medida tem como objetivo segurar a inflação, freando um pouco o consumo. Os pré-datados, uma invenção tão brasileira quanto a comida por quilo, ressurgiram nesse contexto. “Afinal, representam uma possibilidade de parcelar informalmente a compra, sem que os comerciantes tenham a necessidade de repassar para os preços o custo dos tributos”, afirma Fábio Pina, assessor econômico da Federação de Comércio do Estado de São Paulo.

Por enquanto, a volta do velho hábito não trouxe prejuízos. As taxas de inadimplência nos pagamentos ao comércio seguem inalteradas, a despeito do volume maior de cheques em circulação. “Esperamos que isso continue assim, pois a tendência é que essa forma de pagamento cresça até o fim do ano”, diz José Antonio Praxedes, presidente da Telecheque, empresa especializada na concessão de crédito ao varejo.

O RETORNO DOS TALÕES

141 milhões

de folhas de cheque circularam na cidade no primeiro trimestre, um aumento de 13% em relação ao mesmo período de 2010

67%

foi a participação dos pré-datados no volume total de cheques

410 reais

é o valor médio dos cheques emitidos nos últimos meses

Fonte: VEJA SÃO PAULO