Carta ao leitor

Por que Maluf não foi capa da Veja São Paulo

A revista entendeu que a entrevista de Paulo Maluf não merecia o mesmo destaque dado aos outros candidatos

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Na presente edição, Veja São Paulo encerra a série de reportagens com os principais candidatos à prefeitura de São Paulo. Já haviam sido entrevistados Marta Suplicy (PT), Gilberto Kassab (DEM) e Geraldo Alckmin (PSDB). Os três, goste-se ou não de suas idéias e estilos, reúnem credenciais para administrar a cidade.

Nesta semana, o entrevistado é o ex-prefeito, ex-governador e atualmente deputado federal Paulo Maluf (PP), que conta com 8% das intenções de voto e 51% de rejeição, segundo levantamento do Ibope divulgado na última quarta. Com ímpeto para participar de qualquer pleito e ainda com um eleitorado próprio – que vem minguando eleição após eleição –, Maluf é um recordista de acusações. Responde atualmente a quinze ações populares e dezenove ações civis públicas. Há processos na Justiça por envio ilegal de dinheiro ao exterior, formação de quadrilha e desvio de recursos de obras públicas durante sua segunda gestão como prefeito de São Paulo (1993-1996). Só na construção da Avenida Água Espraiada, hoje Jornalista Roberto Marinho, o Ministério Público estima que tenham sido desviados 240 milhões de reais dos cofres públicos. Na semana passada, ele sofreu mais um golpe. A prefeitura anunciou que entrará com uma representação para repatriar 120 milhões de dólares em nome de Maluf bloqueados na Ilha de Jersey, um paraíso fiscal. O Ministério Público já teria os documentos que comprovariam as transferências de dinheiro da Suíça para Londres e, de lá, para Jersey, na década de 90. Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o procurador-geral de Genebra, na Suíça, Daniel Zapelli, mostrou sua perplexidade com o caso: "Como é que alguém entra em um processo eleitoral tendo dinheiro bloqueado no exterior?". Maluf segue negando todas as acusações e sustenta que nunca teve contas fora do país.

Em 2005, ele ficou quarenta dias preso sob a acusação de intimidar testemunhas e tentar obstruir o trabalho da Justiça. Por causa de todas essas evidências, Veja São Paulo entende que a entrevista de Maluf não merece destaque idêntico ao dado à ex-prefeita Marta Suplicy, ao atual prefeito, Gilberto Kassab, e ao ex-governador Geraldo Alckmin.

Fonte: VEJA SÃO PAULO