CRIMINALIDADE

Pintor confessa ter matado e enterrado seis pessoas

Advogado de defesa diz que crimes foram cometidos sob o efeito de drogas 

Por: Adriana Farias - Atualizado em

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O pintor Jorge Luis Morais de Oliveira, suspeito de assassinatos (Foto: Marco Ambrosio/Folhapress)

Apelidado de “serial killer” da comunidade da Alba, no Jabaquara, o pintor Jorge Luiz Morais de Oliveira, de 41 anos, confessou à polícia na tarde desta terça-feira (29) que matou e enterrou em sua casa o corpo de seis vítimas – cinco mulheres foram assassinadas por estrangulamento e um homem a facadas. A polícia, no entanto, encontrou sete corpos no local e afirma que os crimes começaram em janeiro e ocorreram em um intervalo de quinze dias a um mês.

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O pintor foi preso após policiais encontrarem o corpo de Carlos Neto Alves Júnior, de 21 anos, na sexta-feira (25). Até o momento esta é a única vítima identificada.

Apresentado a fotos de duas desaparecidas Renata Cristina Pedrosa Moreira e Paloma Aparecida dos Santo , Oliveira confirmou que eram suas vítimas. Ele citou ainda o nome de uma terceira mulher, conhecida como "Baianinha". A polícia acredita tratar-se de Natasha Silva Santos, outra desaparecida. 

“Precisamos fazer exames de DNA e das ossadas para termos certeza de que os corpos são realmente dessas mulheres ou se há mais vítimas”, diz o delegado Jorge Carlos Carrasco, titular da 2ª Seccional. Após a prisão do homem ser noticiada, a mãe e a companheira de Renata, sumida desde janeiro, foram com enxadas e pás na segunda (28) a residência do pintor e escavaram o local. Foram elas que avisaram a polícia de que havia mais corpos na área.

O pintor afirmou que decidiu matar as vítimas após elas terem descoberto que ele havia cumprido pena por dois homicídios e que era contrário a uma facção criminosa que atua na favela. Oliveira tem um histórico de crimes. Ele ficou preso cerca de 18 anos por dois assassinatos (praticados entre 1994 e 1995), sequestro, cárcere privado e formação de quadrilha. Ele deixou a cadeia no dia 7 de novembro de 2013.

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Policiais fazem busca na casa do pintor Jorge Luis Morais de Oliveira (Foto: Marco Ambrosio/Folhapress)

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“Ele temia ser morto caso essas mulheres, que, segundo ele, costumavam usar drogas conjuntamente, espalhassem esses fatos na comunidade”, diz o delegado Edilzo Correia de Lima. “No caso da morte de Carlos, ele afirmou ter agido em legítima defesa, pois o rapaz havia chegado armado em sua casa e teriam entrado em luta corporal." Oliveira tem ferimentos na perna direita, no ombro direito e na mão esquerda.

De acordo o advogado de defesa, André Nino, o pintor afirmou que “agiu sob efeito de drogas e álcool” e que está arrependido dos crimes. De acordo com a polícia, as escavações na região vão continuar, pois mais corpos podem ser localizados.

O pintor está preso temporariamente na carceragem do 77º DP (Santa Cecília) e poderá ser transferido nos próximos dias para um Centro de Detenção Provisória ou uma penitenciária. 

Outros desaparecidos 

A Polícia Civil apura ainda o desaparecimento de outras 30 pessoas na região do Jabaquara. Entre eles está o também pintor Kelvyn Dondoni, de 23 anos, que sumiu há quatro meses, após deixar a namorada em casa.

“Pelas imagens que vi na televisão das escavações na casa dele eu reconheci uma calça djeans e um cinto”, diz a mãe Maria de Fátima. O jovem é morador da favela Mauro, que fica há poucos quilômetros da Alba. “Eu desconheço qualquer relação dele com esse pintor, mas acredito que possa ser uma das vítimas já que ele frequentava muito a região”, diz ela.

Fonte: VEJA SÃO PAULO