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Pinacoteca apresenta retrospectiva de Waltercio Caldas

A mostra O Ar Mais Próximo e Outras Matérias reúne 87 obras, entre instalações, esculturas, objetos e desenhos do artista

Por: Jonas Lopes - Atualizado em

Waltercio Caldas - Donde, 2009
O relevo 'Donde', de 2009: linhas de algodão preenchem o espaço (Foto: Divulgação)

A história da arte, de maneira geral, costuma organizar sua cronologia por meio de ciclos — movimentos sucessivos pensados para categorizar produções cujas características se revelam relativamente semelhantes para, assim, facilitar a absorção do público. Daí, por exemplo, a existência de impressionismo, cubismo, surrealismo e tantos outros “ismos” famosos. No Brasil, contudo, poucos artistas se recusam tanto a classificações óbvias quanto o carioca Waltercio Caldas, de 66 anos.

Os paulistanos terão a chance de comprovar isso na retrospectiva O Ar Mais Próximo e Outras Matérias, em cartaz na Pinacoteca a partir de sexta (8). Com curadoria de Gabriel Pérez-Barreiro e Ursula Davila-Villa, a mostra reúne 87 obras, entre instalações, esculturas, objetos e desenhos, e foi organizada pela Fundação Iberê Camargo, de Porto Alegre, e pelo Blanton Museum of Art, de Austin (EUA). Nove das peças selecionadas nunca estiveram em exibição no Brasil. Ex-aluno de Ivan Serpa, o artista ganhou espaço na década de 70, época na qual a politização vanguardista de nomes como Cildo Meireles, Carlos Zilio e Carlos Vergara dava as cartas.

Waltercio Caldas - Giotto suspirando, 1998
A escultura 'Giotto Suspirando', de 1998: o título faz referência à história da arte (Foto: Divulgação)

Waltercio, por sua vez, apostava em caminhos mais sutis, permeados de humor e ironia e influenciados pelo construtivismo, sem cairem nenhuma camisa de força. As esculturas e os objetos traziam no título referências a gênios do passado, caso de Mondrian e Giacometti, embora as criações em si fossem abstratas. Boa amostra do procedimento é Giotto Suspirando (1998), escultura geométrica de aço com duas placas de acrílico. O espectador tenta encontrar nos misteriosos e econômicos trabalhos alguma simetria óbvia e muitas vezes acaba iludido por espelhos e fundos falsos. No relevo Donde (2009), duas linhas de algodão em cruz servem para dar a impressão de preenchimento do espaço.

Fonte: VEJA SÃO PAULO