Arte

A nova cara da Pinacoteca

Instituição se renova com abertura de espaços expositivos e inaugura uma das maiores mostras de arte brasileira já feitas na capital

Por: Julia Flamingo - Atualizado em

Pinacoteca
O prédio de Ramos de Azevedo (Foto: Reprodução)

A Pinacoteca está instalada desde 1905, ou seja, há mais de um século, no edifício projetado pelo escritório do arquiteto Ramos de Azevedo na Luz. O museu mais antigo da cidade vive um momento de grande renovação. Um dos marcos dessa fase será a abertura no próximo sábado, 22, da mostra Arte Moderna — Galeria José e Paulina Nemirovsky. A exposição é de longa duração (fica pelo menos até 2019).

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Ela reúne 110 obras da arte moderna, assinadas por nomes como Tarsila do Amaral, Lasar Segall e Portinari. Ao lado das outras mostras em cartaz, o museu passa a ser o único da cidade que, com 700 obras distribuídas em 2 000 metros quadrados, conta a história da arte no Brasil do século XVIII até o XX, chegando a meados da década de 70.

Outra novidade envolvendo esse espaço cultural é que ele cresceu. Desde agosto, três salas do prédio, antes ocupadas como escritórios, foram reformadas, com um investimento de 3 milhões de reais, para aumentar a área de exposições. “Após as mudanças, ganhamos 600 metros quadrados extras”, informa o diretor administrativo Marcelo Dantas. A expansão ajuda a abrigar melhor o acervo, que vem sendo ampliado nos últimos tempos. Ele conta hoje com cerca de 11 000 peças, o triplo do número registrado nos anos 90.

São Paulo Tarsila do Amaral Pinacoteca
A pintura 'São Paulo', de Tarsila do Amaral (Foto: Isabella Matheus)

Isso ocorre, em boa parte, em virtude de ações como o programa Patronos da Arte Contemporânea, no qual os interessados contribuem com 12 000 reais por ano, destinados à aquisição de peças para a instituição. A iniciativa reuniu 140 mecenas desde o lançamento, em 2012. “Estamos trazendo novo fôlego para a coleção, que é nosso maior patrimônio”, afirma o diretor Tadeu Chiarelli.

Algumas obras recém-chegadas ao prédio da Luz, como o quadro São Paulo, de Tarsila do Amaral, estavam em um anexo do museu, a Estação Pinacoteca, localizada na antiga sede do Dops, no centro. Daqui para a frente, esse espaço ficará dedicado apenas a exposições de arte contemporânea.

Pinacoteca
Uma das novas salas: o acervo triplicou, chegando a 11 000 peças (Foto: Isabella Matheus)

Graças às mudanças recentes, o museu vem batendo recordes de frequência. No ano passado, recebeu 550 000 visitantes, a melhor marca de sua história. Com um orçamento de 30 milhões de reais anuais (60% do valor é bancado pelo governo estadual, e o restante da verba vem de patrocínio e bilheteria, entre outras fontes), o museu oferece também cursos, shows mensais e ações educativas, como oficinas e visitas guiadas.

Pinacoteca diração
Os diretores Vicelli, Chiarelli e Dantas: o melhor da América Latina (Foto: Christina Rufatto)

Avaliações positivas do público fizeram a instituição ganhar em setembro o prestigiado prêmio Travelers’ Choice Museus 2016 de melhor espaço do gênero da América do Sul. No mundo, a Pinacoteca ocupou a 19ª posição no ranking produzido pelo site TripAdvisor. Chamada carinhosamente de Pina pelos artistas e frequentadores, a instituição resolveu oficializar o apelido em janeiro deste ano. “Queremos que a população se sinta cada vez mais próxima daqui”, afirma Paulo Vicelli, diretor de relações institucionais.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO