Animais

Velório de pets prolifera na cidade

Entre os serviços há até atendimento de psicólogo

Por: Carolina Giovanelli - Atualizado em

Velório Pet
O funeral do vira-lata Ricky: com asas de anjo (Foto: Mario Rodrigues)

Dentro de um caixãozinho branco de alças douradas descansava o corpo do vira-lata Ricky, também conhecido como Tito, de 18 anos. Devido a um câncer de fígado, o cão sofreu eutanásia na sexta (20). Dois dias depois, sua “mãe”, a advogada Lilia de Paula, e a “avó”, a esteticista Paula Vieira, prestaram uma homenagem ao bichinho com um velório. A salinha estava decorada com rosas brancas e uma imagem de São Francisco de Assis, protetor dos animais. “Para mim, não existe nenhuma distinção entre ele e um ser humano, por isso escolhi essa despedida”, diz Lilia. Ela levou girassóis e um crucifixo para colocar no caixão, além de um par de asinhas de anjo customizado para prender ao tronco do cachorro.

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Inaugurado em 2000, o crematório Pet Memorial, em São Bernardo do Campo, onde Ricky recebeu os últimos carinhos, foi um dos pioneiros a montar velórios para pets por aqui. Hoje, existem pelo menos outros quatro endereços em São Paulo e em municípios próximos que oferecem o mesmo serviço. Com isso, o número de donos que optam por esse tipo de cerimônia para dar adeus a suas mascotes vem crescendo. No Pet Memorial, a demanda tem aumentado 30% ao ano. Hoje, são 120 eventos do gênero por mês. Eles duram cerca de quarenta minutos.

Normalmente, poucas pessoas comparecem (às vezes, outros animais também participam). Entretanto, existem mortes que causam mais comoção, como a do leão Ariel, em julho de 2011, cujo funeral foi visto por 200 interessados ao vivo e outros 5 000 pela internet (caso o tutor queira, o velório pode ser transmitido gratuitamente pela web). Há cerca de um ano, uma psicóloga especializada em luto foi contratada para acompanhar as cerimônias do local às quintas-feiras. A partir de março, ela comandará reuniões com as famílias que sentiram mais a perda. “Trata-se de um luto não levado a sério por parte da sociedade”, explica Joelma Ruiz. “Alguns donos guardam a tristeza para si, transformando-a em angústia.” 

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Baptista, dono do Paraíso dos Bichos: capela com cadeiras e arranjos de fores (Foto: Mario Rodrigues)

Sempre com cremação ou sepultamento inclusos, os preços começam em 490 reais e podem chegar a 3 735 reais, com direito a urna de mármore de Carrara para guardar as cinzas. No Jardim do Amigo, em Itapevi, a 35 quilômetros da capital, o espaço para a despedida é decorado com mensagens, brinquedos e fotos dos falecidos. “Se existe um local lotado de emoções, é essa salinha”, diz a gerente Rosângela Fernandes.

No cemitério e crematório Paraíso dos Bichos, fundado em 2012 em Embu das Artes pelo veterinário e gestor ambiental João Baptista, os velórios ocorrem em uma capela pintada de azul, com chão quadriculado. No último dia 23, o lugar estava reservado ao gato tigrado Dudu, de 17 anos, que morreu de insuficiência renal. “Queria um destino digno para ele”, explicou sua tutora, a arquiteta Vânia Moraes, que levou a manta favorita do pet, tricotada por ela, para enrolar o corpo.

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Localizado em Santana, o Hospital Veterinário Santa Inês disponibilizou, em setembro de 2013, um cômodo, enfeitado por mesa de granito e pintado com temática de céu e a mensagem “amor eterno”, para os donos se despedirem de seus bichos. O negócio é gratuito, mas restrito aos animais que foram pacientes. No início, eram cerca de cinco velórios por mês. Agora, a média chega a quinze.

O aumento da demanda é mais um reflexo do entendimento do bicho de estimação como membro da família. Proporcionar uma despedida simbólica se mostra mais significativo em relação ao outro, burocrático, destino possível para aqueles sem condições financeiras de procurar crematórios e cemitérios especializados. Em dois postos da prefeitura, um na Avenida Miguel Yunes, em Santo Amaro, e o outro na Avenida do Estado, no Bom Retiro, é possível deixar gratuitamente o animal morto. Em seguida, o corpo é encaminhado para incineração coletiva. A falta do adeus, para os mais apegados a suas mascotes, pode ser dolorosa.

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Onde dar adeus

Alguns espaços que oferecem o serviço

- Hospital Veterinário Santa Inês. Avenida Santa Inês, 1357, Santana, tel. 2265-6911. Grátis (o pet deve ter sido tratado no local).

- Jardim do Amigo. Rua José Aguila Sanches, 64, Ambuitá, Itapevi, tel. 4144-2512. A partir de 490 reais (com cremação ou sepultamento).

- Paraíso dos Bichos. Estrada Babilônia, 1596, Itatuba, Embu das Artes, tel. 4781-2211. A partir de 750 reais (com cremação ou sepultamento).

- Pet Memorial. Estrada Sadae Takagi, 860, Cooperativa, São Bernardo do Campo, tel. 4343-0000. A partir de 1 200 reais (com cremação).

- Reino Animal. Rua Professor Hasegawa, 719, Itaquera, tel. 2522-7000. Cremação: 1 000 reais. Sepultamento: 1 100 reais.

Fonte: VEJA SÃO PAULO