Teatro

"Pessoas Absurdas" faz rir ao retratar a decadência de três casais

Espetáculo é recheado de referências pop dos anos 1980. Texto é do celebrado dramaturgo inglês Alan Ayckbourn

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

Pessoas Absurdas
Kiko Vianello, Marcello Airoldi, Eduardo Semerjian, Ester Laccava, Fernanda Couto e Fabiana Gugli: visual dos anos 80 (Foto: Luciana Serra)

No domingo (6), a ótima tragicomédia “Isso É o que Ela Pensa” despede-se do Centro Cultural Banco do Brasil. Mas o celebrado dramaturgo inglês Alan Ayckbourn continuará representado na cidade com a comédia "Pessoas Absurdas", em cartaz no Teatro Jaraguá. Escrita em 1972, a trama se passa em três consecutivas noites de Natal nas quais três casais se reúnem para celebrar a data. A decadência e a ascensão social de cada um servem de base para os conflitos psicológicos de pessoas um tanto infelizes. Na montagem dirigida por Otávio Martins, eles saltaram da década de 70 do texto original para a de 80. Referências como as músicas da parada de sucessos de 1984, 1985 e 1986 estão presentes, e os figurinos caprichadíssimos de Theodoro Cochrane reforçam a ambientação pop e repleta de exageros.

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Nem tão íntimos e muito interessados em ostentar conquistas financeiras ou cavar oportunidades, Jane e Sydney (papéis de Fernanda Couto e Marcello Airoldi), Eva e Geofrey (interpretados por Ester Laccava e Kiko Vianello) e Marion e Ronald (os atores Fabiana Gugli e Eduardo Semerjian) não envelheceram, mesmo passados quarenta anos desde a criação por Ayckbourn. Soam atuais e surgem — como opção de direção — com um desenho cômico capaz de abafar os contornos trágicos.

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Fernanda e Airoldi saem-se melhor devido à própria envergadura dos personagens. Mergulhados no absurdo, eles transitam com sutileza e brilho nas situações. A cena na qual Jane, vestida de longo, decide limpar o fogão de Eva é hilária. Soltos e apoiados nas piadas, Fabiana e Semerjian encontram maior reflexo na plateia. O foco no divertimento dilui a densidade dos papéis de Ester e Vianello, principalmente porque pertence a eles a mais pesada das histórias, envolvendo depressão e um pé na miséria absoluta. Falta ironia, por exemplo, em momentos como aquele em que Eva se joga no chão durante um surto. Isso em nada atrapalha o resultado, e o público rola de rir. Uma pitada de melancolia, no entanto, causaria estranheza e engrandeceria o espetáculo.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO