Paulistano Nota 10

Engenheiro criou grupo para ajudar deficientes a disputar corridas

Após assistir a um filme, Eduardo de Godoy criou o Pernas de Aluguel, que hoje conta com 25 voluntários 

Por: Juliene Moretti

Pernas de Aluguel Eduardo de Godoy
“É gratificante ver pessoas com deficiência incluídas no esporte”, diz Godoy ao lado de Wesley Silva (Foto: Leo Martins)

Em 2012, o engenheiro elétrico Eduardo de Godoy começou a praticar corrida de rua para homenagear o pai, que havia acabado de morrer de câncer ósseo. Pouco tempo depois, conheceu a história do americano Dick Hoyt. Na década de 70, ele empurrou o filho tetraplégico Rick na disputa de maratona — o episódio inspirou o filme Meu Pai, Meu Herói, de 2013.

Motivado pelo exemplo, Godoy resolveu levar a ideia à Associação Beneficente Comunidade de Amor Rainha da Paz, uma instituição que atende 313 crianças e adultos com deficiência motora e intelectual em Santana de Parnaíba.

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No início de 2014, começou a fazer cotações nas empresas para a compra do material necessário. “Algumas chegaram a cobrar mais de 30 000 reais por equipamento, o que inviabilizava o projeto”, afirma. Depois de nove meses de batalha, conseguiu reunir com amigos o capital mínimo exigido para tirar a ideia do papel. Amealhou na época 3 000 reais, para adquirir um triciclo e acessórios.

A estreia da equipe, batizada de Pernas de Aluguel, ocorreu em novembro daquele ano em uma etapa do Circuito Athenas, uma prova anual de 21 quilômetros disputada na Marginal Pinheiros. Nesse primeiro evento, o time contou com apenas um participante, Wesley Silva, um rapaz de 25 anos com deficiência intelectual e motora. Cinco voluntários, atraídos entre outros simpatizantes das corridas de rua, revezaram-se na tarefa de empurrá-lo por pontos como a Ponte Estaiada. “Fiquei emocionado quando vi o público aplaudindo a sua chegada”, relembra o fundador do grupo.

Desde então, a trupe esteve em quarenta disputas. A iniciativa se expandiu além dos horizontes da Rainha da Paz. Hoje, tem 25 voluntários fixos para dois triciclos. Os custos de transporte das crianças carentes são pagos por Godoy. Seu gasto médio gira em torno de 1 000 reais por mês, e 70% disso é bancado com doações realizadas no site do movimento. A próxima corrida será a Track & Field Run, no dia 25. “É gratificante ver pessoas com deficiência incluídas no esporte”, afirma.

Pernas de Aluguel, contato@pernasdealuguel.com.br

Fonte: VEJA SÃO PAULO