Música

Roberto Carlos: o resfriado, a "caverna" de 3,4 milhões e o novo jatinho

Aos 75 anos, o Rei continua sendo o artista campeão de faturamento por ano do showbiz nacional

Por: Ana Carolina Soares

Roberto Carlos
O cantor no palco do Espaço das Américas: até 3 milhões de reais de cachê (Foto: Silvana Garzaro/Estadão Conteúdo)

Roberto Carlos está resfriado. Quando você ou eu passamos por uma situação assim, a maior dor de cabeça no trabalho é resolver as questões urgentes em um home office, trocar uns telefonemas com o chefe ou remarcar compromissos. Mas, com o campeão de público e de faturamento do showbiz nacional, o negócio provoca uma crise enorme.

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Um problema do tipo despoja o artista de uma joia que não dá para pôr no seguro — seu canto — e afeta não apenas seu estado psicológico, mas parece provocar também uma espécie de contaminação psicossomática que alcança dezenas de pessoas que trabalham para ele, brindam com ele, gostam dele, pessoas cujo bem‑estar e estabilidade dependem dele.

Com mais de 120 milhões de discos vendidos em quase sessenta anos de carreira, RC é o nosso Sinatra, o que justifica a inspiração do parágrafo acima, adaptado de um famoso perfil publicado por Gay Talese em 1966 na revista americana Esquire.

Roberto Carlos
A estreia da temporada, na sexta (24), no Espaço das Américas: duas horas e meia de show (Foto: Caio Girardi)

Como observou o jornalista naquele texto, citando um problema semelhante ocorrido na época com a maior lenda da canção dos Estados Unidos, Frank Sinatra gripado é Picasso sem tinta, uma Ferrari sem combustível. Talese fez um retrato antológico do cantor mesmo sem ter conseguido falar com o artista, a despeito de inúmeras tentativas (VEJA SÃO PAULO também procurou entrevistar RC para esta reportagem, mas ele negou todos os pedidos).

A gripe pegou de surpresa o nosso Rei no último domingo, 26, o que desencadeou um terremoto (e acabou afetando também as apresentações neste fim de semana, que foram canceladas e remarcadas para 18, 19 e 21 de agosto). O epicentro dele foi a Barra Funda, onde está o Espaço das Américas, casa reservada para a nova turnê paulistana do cantor. Com doze espetáculos ao longo de sete semanas, é uma das maiores dele por aqui na história. Cada apresentação rende cerca de 980 000 reais na bilheteria (o astro fica com 80% do montante).

A crise começou pouco antes das 17 horas, quando Marco Antonio Tobal Junior, um dos sócios do endereço na Zona Oeste, recebeu um telefonema de Dody Sirena, empresário de Roberto Carlos. Naquela noite não haveria show: o Rei estava gripado, rouco e com uma febre de 38 graus.

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Tobal Junior respirou fundo. “Eu sabia que, na porta, desde o fim daquela manhã, estavam vários ônibus de excursão estacionados, dezenas de carros, filas de táxis”, lembra. Os 2 800 ingressos para a noite estavam esgotados havia seis meses. Era preciso comunicar o imprevisto a todos os fãs a postos na calçada e aos milhares de outros a caminho.

Show Roberto Calos
Fãs fiéis: mais de 33 600 pessoas vão ver a turnê na cidade (Foto: Caio Girardi)

Mais de oitenta membros da equipe do Espaço das Américas foram para a entrada explicar a situação e quatro assessores dispararam um comunicado nas redes sociais. Ao público, a empresa ofereceu duas opções: a devolução do dinheiro ou a troca do ingresso por outro para um show agendado para 6 de agosto, data arranjada às pressas.

Mesmo com a decepção, a maioria topou garantir os novos tíquetes para o próximo mês, com exceção de quem se programou para estar ali vindo de longe. “Quando voltei para casa, eu nem conseguia mencionar o assunto que já derramava lágrimas”, conta a dona de casa Rosemayre Almeida, referindo-se à viagem frustrada de avião de Porto Velho, em Rondônia, a São Paulo.

O empresário Paulo Antonio Marchioretto gastou mais de 40 000 reais para organizar uma excursão para 92 fãs de Itapira, a 170 quilômetros da capital. “Quero que a produção banque os 3 700 reais que investi no fretamento dos ônibus”, afirma. Tobal Junior diz que vai analisar cada situação e, se for o caso, providenciar o reembolso.

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Roberto não é Tim Maia. A última vez em que cancelou uma apresentação foi em dezembro de 2011. Por força também de uma gripe, não subiu ao palco do Maracanãzinho, no Rio. Aos 75 anos completados em abril, o cantor é tido como um dos artistas mais profissionais do mercado. Antes de cair de cama em São Paulo, por exemplo, tinha feito uma apresentação de duas horas e meia, algo raro para um nome do seu porte (os espetáculos não costumam durar mais que uma hora e meia) e, ao fim de tudo, ficou ainda no camarim atendendo filas de fãs.

Naquele dia, deixou o Espaço das Américas já de madrugada. No segundo semestre, sua agenda inclui uma turnê pela América Latina, para celebrar cinquenta anos de trajetória internacional. “Nosso foco daqui para a frente é a expansão no exterior”, diz Dody Sirena.

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Para tornar mais confortáveis seus deslocamentos, RC comprou, em outubro do ano passado, um novo jatinho. Trata-se de um Gulfstream G550, avaliado em 193 milhões de reais. Com autonomia de até doze horas de voo, a aeronave pode atravessar o Atlântico, por exemplo, sem precisar reabastecer.

Jatinho Gulfstream G550
Jatinho Gulfstream G550, considerado a Ferrari da categoria, foi comprado pelo rei (Foto: Divulgação)

Embora more no Rio de Janeiro, o Rei tem uma relação especial com São Paulo. Aqui, alcançou o status de ídolo nacional em 1965, ao apresentar o programa Jovem Guarda, no teatro da TV Record, na Rua Augusta. Na época, vivia em um apartamento em Santa Cecília. Em 1968, casou-se com Nice Rossi e foi para uma mansão no Morumbi. Com o divórcio, ocorrido onze anos depois, mudou-se para uma cobertura na capital fluminense, no bairro da Urca.

Mantém por aqui, entretanto, um escritório na Alameda Santos para as questões financeiras, mas normalmente despacha com advogados e contadores em reuniões que varam a madrugada em seu apartamento, na Vila Nova Conceição. Em 1990, ele comprou duas unidades em um condomínio de luxo no bairro. Depois de uma reforma, uniu tudo em um só apartamento, com 160 metros quadrados.

O imóvel possui uma sala ampla, cozinha americana, varanda, banheiro e a suíte, o maior cômodo da casa. Em um canto do quarto, há aparelhos de musculação (que, neste ano, andam meio abandonados por causa da correria). No mais, poucos móveis: dois sofás brancos na sala, uma mesa de jantar com tampo de vidro, uma televisão de 40 polegadas no quarto. A única pista de que se trata do apartamento de RC é o carpete azul royal, seu tom favorito. “Ele vive ‘encavernado’ e quase não sai da toca”, brinca Roberto Carlos Braga II, o Dudu, de 47 anos, um dos quatro filhos do Rei.

Roberto Carlos, Sandra e Marco Antonio Tobal
Com Sandra e Marco Antonio Tobal: comemoração de aniversário (Foto: Divulgação)

RC tem uma cozinheira e, quando ela não está, pede para a sua secretária pessoal procurar um delivery. Tem bem menos do que 1 milhão de amigos aqui: só uns vinte contam com o privilégio de conhecer seu refúgio. Com eles ou com a família, pede pizza de mussarela ou marguerita na Camelo do Itaim. No jantar do dia a dia, manda trazer de dois restaurantes naturais da região porções prontas de quinoa, legumes, além de salmão e outros grelhados.

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Come pastel de feira (de carne) comprado por um de seus três seguranças. Para a sobremesa, gosta dos sorvetes do Stuppendo, em Moema, especialmente o de chocolate. Poucas são as vezes — menos de dez por ano — em que ele vai pessoalmente a um ponto de gastronomia na cidade. Quando bate a vontade de ir a um rodízio, frequenta o Rodeio, no Shopping Iguatemi. Come picanha fatiada e porção de palmito. Para beber, adora vinho tinto e vez ou outra se permite abrir um Petrus, famoso bordeaux com preço médio acima de 13 000 reais a garrafa.

Não chega a ser uma extravagância para quem cobra cachê de 3 milhões de reais por show, no caso de eventos corporativos. Com a música, ganha em média 100 milhões de reais por ano. Com 62 pessoas, sua equipe de palco é uma das mais numerosas (e fiéis, pois a maioria tem mais de duas décadas de parceria). Fora do showbiz, tem uma série de negócios nos mercados financeiro, imobiliário e de turismo, com estimativa de movimento anual de 350 milhões de reais.

Roberto Carlos
Na churrascaria Rodeio, no Shopping Iguatemi: um dos restaurantes prediletos dele na cidade (Foto: Mario Rodrigues)

Por tudo isso, o Rei só não pode se dar a um luxo: adoecer. No sábado (25), ele acordou um pouco rouco. A véspera foi tensa: era estreia de temporada e, apesar das décadas de experiência, ele ainda se estressa. No dia seguinte, chegou ao Espaço das Américas por volta das 15 horas, mais de seis horas antes de entoar seus primeiros versos de Emoções.

Repassou com os músicos o show inteiro e incluiu, na última hora, quatro músicas, entre elas Champagne, de Peppino DiCapri. Isso significou coreografar com cinquenta garçons a distribuição de taças do espumante para cada uma das 2 800 pessoas na plateia. Terminou a preparação por volta das 19 horas. Concentrado nos camarins, não participou do coquetel em homenagem ao aniversário de 59 anos de Sandra, esposa de Marco Antonio Tobal, um dos sócios da casa de espetáculos.

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Permaneceu em sua área reservada, acessível apenas a seus familiares, à secretária e ao empresário. Ali, cumpriu o ritual de sempre: faz sua última refeição uma hora antes de pisar no palco — um queijo quente com mel, que ele mesmo prepara em um forninho elétrico; bebe água ou Coca normal; passa o tempo espiando no celular vídeos engraçados e piadas de WhatsApp; antes de tomar o rumo do palco, segue para um pequeno altar montado ao lado do espelho de seu gabinete, com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, fecha os olhos e reza.

Roberto se acostumou a dormir às 4 horas da manhã e só sai da cama no início da tarde. No domingo (26), acordou por volta das 13 horas, bem resfriado. Naquela tarde, era uma fera ferida, andando entre o quarto e o banheiro, em incontáveis gargarejos de chá de camomila com gengibre (sua receita caseira de décadas para melhorar a garganta). Sobre a situação, soltava uns palavrões (sim, ele fala alguns, além de “bicho” e outras de suas gírias clássicas). O negócio não surtiu efeito e a médica que o atende aqui na cidade prescreveu deescanso absoluto.

Roberto Carlos
O momento voz e violão em 'Detalhes': sucesso obrigatório em quatro décadas de apresentações (Foto: Marcelo Brammer)

Injuriado, ligou para o empresário a fim de cancelar o espetáculo. Passou o domingo à noite e a segunda “de molho”, sozinho, vendo TV. Na terça à tarde, já estava bem melhor, voltou para seu apartamento na Urca e dava-se como certo que seguiria a programação da turnê. Mas, na sexta (1º), recebeu a visita de seu clínico geral, Milton Kazuo, no Rio, que o aconselhou a seguir de repouso. À tarde, sua equipe correu para soltar um comunicado para cancelar a apresentação prevista para a noite do mesmo dia e outras duas do fim de semana. Segundo a assessoria do artista, o motivo dos novos adiamentos foi uma virose. As datas acabaram remarcadas para 18, 19 e 21 de agosto, pois o show do Rei tem que continuar.

 

DETALHES DE UM IMPÉRIO

Nome: Roberto Carlos Braga

Data de nascimento: 19 de abril de 1941

Cidade: Cachoeiro de Itapemirim (ES)

Endereço: vive na Urca, no Rio, desde 1979. A cada quinze dias, vem a São Paulo. Aqui, tem um apartamento de 160 metros quadrados na Vila Nova Conceição, comprado em 1990. O imóvel é avaliado em 3,4 milhões de reais

Família: três casamentos, quatro filhos e sete netos. Depois de Maria Rita, morta em 1999, ele diz que nunca mais teve outro amor na vida

Trabalho: cinquenta apresentações por ano, em média. Se forem para empresas, cobra cachê de 3 milhões de reais. No circuito normal, sua produtora fica com aproximadamente 80% da bilheteria

Temporada paulistana 2016: é uma das maiores turnês do cantor por aqui, com doze apresentações, para cerca de 33 600 pessoas. Ao final, o artista deve embolsar aproximadamente 9,4 milhões de reais

Discos: mais de 61 títulos lançados no Brasil, além de 39 no exterior, como Europa, Estados Unidos e países como República Dominicana e Israel. No total, ele vendeu mais de 120 milhões de cópias

Receita musical: 100 milhões de reais por ano com shows, CDs e direitos autorais

Roberto Carlos
Entrega do Horizonte JK, em 2015: garoto-propaganda de sua incorporadora (Foto: Rogério Canella)

Outros negócios: a Incorporadora Emoções é um dos principais investimentos do Rei, que tem 30% na sociedade. Além de uma torre inaugurada no Itaim, no ano passado, outros dois prédios serão entregues até o fim de 2016, um no Butantã e o outro no Carrão, com investimento de 25 milhões de reais em cada um.

Meios de transporte: pelas ruas de São Paulo, circula com um Escort Guarujá 1993 (6 100 reais na tabela Fipe), além de dois Audi R8. Acabou de investir 193 milhões de reais em um jatinho. É um Gulfstream G550, considerado a Ferrari da categoria, com doze horas de autonomia de voo, capacidade para dez passageiros e luxos como sala, cozinha e rede wireless.

Plásticas assumidas: fez duas no pescoço — a mais recente, no ano passado.

Manias: desde 2004, ele se trata de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e já melhorou da doença. Voltou a cantar no novo show uma das canções que havia tirado do seu repertório clássico, Ilegal, Imoral Ou Engorda. Mas até hoje não consegue recitar os versos de Quero que Vá Tudo pro Inferno, porque diz que palavras “negativas” não saem de sua boca (apesar de falar uns palavrões no dia a dia...). Além disso, não passa por cima de cabos nem de fios elétricos. No palco, tudo tem de estar embutido ou encostado nas paredes.

Colaborou Mariana Rosário

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  • Japoneses

    Sakagura A1

    Rua Jerônimo da Veiga, 74, Itaim Bibi

    Tel: (11) 3078 3883

    VejaSP
    8 avaliações

    Pratos quentes sempre foram o forte do restaurante do japonês Shin Koike. Receitas como o bacalhau negro grelhado (R$ 90,00) continuam saborosas. Mas foi no balcão frio que a casa se superou. Na degustação, o titular Celso Hideji Amano, premiado neste ano na Copa do Mundo do Sushi, no Japão, faz maravilhas como o oniguiri de chutoro e o enrolado de ovas de ouriço-do-mar na alga aquecida até ficar crocante. O preço parte de R$ 180,00 e varia de acordo com as pedidas do dia. O público saboreia as pedidas ao som de jazz.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Carnes

    Corrientes 348 - Itaim Bibi

    Rua Comendador Miguel Calfat, 348, Vila Nova Conceição

    Tel: (11) 3849 0348

    VejaSP
    3 avaliações

    Fechada para uma reforma no fim de 2014 o passado, a matriz, na Vila Olímpia, ficou completamente diferente. O gaúcho Jair Coser, egresso da bem-sucedida cadeia Fogo de Chão, tratou de imprimir modernidade ao salão, com as laterais de janelões e muita madeira no chão e no teto. Na mesma época, inaugurou também a quarta unidade, no Jardim Paulista. Responsável pela cozinha, o chef Luiz Gustavo Chagas de Oliveira Moraes incluiu no cardápio algumas saladas mais caprichadas. É o caso da bariloche (R$ 41,00), de rúcula, queijo de cabra, damasco e amêndoa. Siga depois para o fraldão em porção de 600 gramas (R$ 128,00, para duas pessoas) acompanhado de uma viciante batata frita à provençal (R$ 29,00). Para a entrada, regue o matambrito (R$ 39,00), retirado da capa da costela, com bastante limão-siciliano e molho chimichurri. Para a sobremesa, um clichê de churrascarias, aqui muito bem-vindo: o petit gâteau com sorvete de creme e calda de chocolate (R$ 24,00).

    Preços checados em 24 de fevereiro de 2016.

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  • Italianos

    Piselli

    Rua Padre João Manuel, 1253, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3081 6043

    VejaSP
    4 avaliações

    Desde o ano passado não é mais um, mas são dois Pisellis na cidade, com a abertura do Sud, no Shopping Iguatemi. Na matriz,que também continua sob o comando de Juscelino Pereira, o salão permanece disputado. O cardápio regular traz opções como o ravióli no estilo piemontês recheado de gema com queijo taleggio ao creme de trufa branca (R$ 78,00), por vezes, um tanto salgado. O saboroso beijupirá vem com a pele sequinha na companhia de brócolis e alcachofra (R$ 85,00). Na calda de mirtilo, pera e especiarias, a panacota de açafrão deixa uma doce saudade (R$ 31,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Botecos

    Bar do Luiz Fernandes

    Rua Augusto Tolle, 610, Mandaqui

    Tel: (11) 2976 3556

    VejaSP
    25 avaliações

    Trata-se de um dos mais autênticos (e bombados) botecos da cidade, fundado pelo casal Luiz e Idalina Fernandes, homenageado como a dupla personalidade gastronômica neste ano. Os ambientes com as banquetas de plástico sempre ocupadas ganharam nova companhia, o salão extra dos fundos. Contribuiu para a fama do lugar o ótimo bolinho de acém moído, que tem uma incrível crosta tostadinha (R$ 5,00). A mesma receita virou uma porção de almôndegas: vem na tigela em molho de tomate e é apelidada de mamma mia (R$ 10,00). Molhe a garganta com uma despretensiosa cervejinha em garrafa (Bohemia, R$ 12,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Cafés

    Tem Café

    Rua Alagoas, 563, Consolação

    Tel: (11) 3661 3269

    Sem avaliação

    Tem cheiro de café, grãos especiais, equipamentos de extração...Mas não pense que você vai encontrar uma bela e fumegante xícara no recém- inaugurado Tem Café. A ideia ali é vender tudo o que é necessário para fazer uma boa bebida em casa. Além de 22 marcas das regiões produtoras, como sul de Minas e Espírito Santo, há três variedades provenientes de uma fazenda própria, no município paulista de Pardinho: dois blends e um bourbon-amarelo vendidos sob o nome Cuesta. Os grãos aparecem disponíveis em pacotes de 250 ou 500 gramas (de R$ 15,00 a R$ 100,00) e podem ser moídos ali mesmo, com a ajuda de funcionários como o barista Salomão Gidi, em uma máquina alemã, de acordo com o método de extração a ser utilizado pelo cliente: o café turco, por exemplo, exige um pó finíssimo, por não ser filtrado, enquanto a prensa francesa pede moagem mais grossa.

    Preços checados em 29 de junho de 2016.

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  • Sabe aquele papo de “ficar mocinha”? É só uma das histórias da passagem da infância para a adolescência que dão pano para manga no musical O Livro de Tatiana, com roteiro e direção de Bruno Garcia, que também interpreta o pai da protagonista. Na trama, Tatiana (Isabella Moreira) acaba de completar 11 anos e tem todas as dúvidas e sonhos típicos da idade. Um dia, ela encontra um livro de capa vermelha, sem uma palavra sequer escrita nas páginas. Com a ajuda de sua melhor amiga, Tina (Maria Bia), ela percebe que, com a força de seu pensamento e vontade, tudo o que ela deseja começa a se tornar realidade, incluindo um “crush” (ou paquerinha, no vocabulário antigo) com o garoto dos seus sonhos. Juntos, os dois vão parar na Lua, em um determinado momento. Se o texto agrada aos pais e mães pelas sacadas inteligentes, a plateia mirim é conquistada pela emoção. Somam pontos positivos o figurino gótico-suave que parece saído de Monster High, assinado por Marco Lima, e o cenário criativo. Num dos melhores momentos, Tatiana se equilibra sobre uma roda vermelha de 3 metros de diâmetro. Três músicos e a vocalista Karina Lima, da banda Armonika, interpretam ao vivo no palco todas as canções do espetáculo. Recomendado a partir de 5 anos. Estreou em 25/6/2016. Até 28/8/2016.
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  • No momento da fome, acotovelar (de leve) pessoas na fila do cachorro-quente num parque pode até parecer normal. Mas congele a cena e observe de longe: fica um tanto bizarro. São essas situações cotidianas e, ao mesmo tempo, desconcertantes as favoritas do inglês Martin Parr. Considerado por muitos como o maior nome da fotografia contemporânea, ele é membro da prestigiada Agência Magnum há mais de vinte anos e autor de noventa livros. Na maior mostra já dedicada a esse profissional na cidade, intitulada Parrtificial, 230 imagens tiradas principalmente a partir dos anos 80 estão reunidas no MIS. Um dos alvos prediletos de seu humor corrosivo são os hábitos da classe média em momentos de lazer. Ponto positivo da montagem: o museu paulistano fugiu do esquema tradicional e criou por lá vários ambientes, incluindo um labirinto feito de plantas, a réplica de um cômodo de uma casa e até uma praia com areia de verdade. De 19/6/2016. Até 31/7/2016.
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  • Quem tem pânico de interação entre artistas e plateia deve ser avisado. Em Projeto Brasil, você se torna candidato a receber um caloroso beijo na boca de um dos atores nos primeiros minutos da montagem da Companhia Brasileira de Teatro. A provocação inicial parecerá mínima diante da perturbação das cenas que virão na sequência. Sob a direção de Marcio Abreu, Giovana Soar, Nadja Naira, Rodrigo Bolzan e Felipe Storino protagonizam performances independentes que tratam de questões sociais como o reconhecimento legal das relações homoafetivas, a violência sexual e o consumo. De repente, surge a representação de um discurso do ex-presidente uruguaio José Mujica. Na parte mais impactante, Giovana Soar recorre a uma tinta vermelha para mostrar a brutalidade contra a comunidade indígena tendo a gravação de Maria Bethânia para Um Índio, canção de Caetano Veloso, como apoio dramatúrgico. Ao contrário de trabalhos recentes do grupo curitibano, como Esta Criança e Krum, estrelados por Renata Sorrah, a atual encenação não se propõe a apresentar uma narrativa, tampouco oferece linearidade. A costura de performances nem sempre é regular. O espetáculo, porém, deve ser aplaudido como um manifesto contrário às diferenças e pela capacidade de sacudir o público em questões nem sempre palatáveis no teatro. Estreou em 16/6/2016. Até 11/12/2016.
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  • Comédia dramática

    O Homem do Destino
    VejaSP
    Sem avaliação
    Nas palavras do dramaturgo irlandês Bernard Shaw, as mulheres dominam os homens graças ao talento da persuasão há muito tempo. Dois de seus marcantes textos, Major Bárbara (1905) e Cândida (1894), montados por aqui em 2001 e 2008, esboçam essa tese, e O Homem do Destino pode ser incluído na mesma linha feminista. Inédita no Brasil, a comédia dramática escrita em 1897 tem como pano de fundo um incidente histórico na Itália em 1796. Dois dias depois da vitória francesa sobre os austríacos na Batalha de Lodi, Napoleão Bonaparte (papel de Sergio Mastropasqua) procura sossego em uma pousada. A chegada de uma hóspede, a Dama Misteriosa (interpretada por Patricia Pichamone), dá início a uma série de provocações que deixam o general francês balançado em relação aos valores morais e profissionais. Mastropasqua e Patricia defendem com frmeza os personagens, em uma produção repleta de cuidados. A direção de Caroline Fioratti, no entanto, concentrou demais a atenção nos protagonistas e esvaziou a encenação. A atualidade de trechos do texto, como a discussão sobre os incômodos causados pela classe média, passa despercebida. O público precisa se contentar com o bem-vindo, mas aqui limitador, embate de gênero. Com os atores Luti Angelelli, Guilherme Gorski e Thiago Ledier. Estreou em 17/6/2016. Até 7/8/2016.
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  • Já há alguns anos, o carioca Marcelo D2 flerta com o samba. O ponto alto da aproximação foi em 2010, quando ele gravou um álbum dedicado a Bezerra da Silva. A influência se manteve no último disco, Nada Pode Me Parar (2013), que deixa escapar em meio a batidas de rap os batuques do pandeiro. A lista de parceiros de cavaquinho incluiu estrelas como Zeca Pagodinho. No mesmo ano de lançamento do álbum, eles fizeram juntos o espetáculo Samba Maioral. Esse show é a base da apresentação em clima de roda de boteco, em que eles voltam a mostrar a mistura desses gêneros, acrescida ainda de hip-hop. O roteiro começa com Zeca lembrando faixas como Judia de Mim e as mais novas de Ser Humano, seu trabalho atual. Em seguida, D2 canta sucessos da carreira-solo: Eu Já Sabia, 1967, Está Chegando a Hora e Eu Tive um Sonho. As músicas nas quais eles dividem o palco são poucas. Se rolar o esperado repeteco da primeira edição, Deixa a Vida Me Levar estará entre elas. Dia 9/7/2016.
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  • Fábio Porchat, João Vicente de Castro, Ian SBF, Antonio Tabet e Gregório Duvivier podem não ter criado a pólvora. Mas inventaram um tipo de programa de humor, consagrado na internet como Porta dos Fundos, com vídeos curtinhos que, em geral, chegam a 2 milhões de visualizações. O sucesso foi, é claro, parar no cinema, e Contrato Vitalício, assim como os esquetes da rede, mostra-se irregular. Entre momentos divertidíssimos, há personagens dispensáveis e situações repetitivas. Sair da zona de conforto, ou seja, fazer um longa-metragem sem precisar recorrer ao formato original, é uma virtude. O roteiro, contudo, tem altos e baixos. Traz Duvivier na pele do cineasta Miguel e Porchat interpretando o ator Rodrigo. No Festival de Cannes, o diretor ganha um prêmio, os amigos saem para comemorar e, no dia seguinte, Miguel desaparece do mapa. Só será reencontrado dez anos depois, quando Rodrigo, agora um astro famoso, volta ao mesmo quarto do hotel em Cannes. Na ácida crítica à indústria da fama instantânea e do entretenimento, sobram deliciosas farpas politicamente incorretas para todos os lados. Há quilos de citações, de programas, revistas e celebridades como Anitta, Angélica e Caetano Veloso. Embora Duvivier e Porchat, ambos um pouco acima do tom, sejam os protagonistas, Luis Lobianco (o empresário), Marcos Veras (um repórter “delicado”) e Thati Lopes (a vlogueira fitness) roubam a cena. Tabet e João Vicente receberam papéis sem graça. Se a direção de Ian SBF peca pelo excesso de agitação e gritaria, a trama muitas vezes anda em círculos (como na sátira corrosiva à preparadora de elenco Fátima Toledo) e apela, infantilmente, para a escatologia. É fato: um roteiro lapidado e enxuto deixaria o filme do Porta mais refinado. Estreou em 30/6/2016.
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  • Embora seja filha do diretor Dario Argento e da atriz Daria Nicolodi, a realizadora Asia Argento não vê semelhanças entre sua vida e a da protagonista de Incompreendida. Será? Na trama, ambientada em 1984, Aria (a ótima atriz mirim Giulia Salerno) tem 9 anos, duas irmãs mais velhas e pais que nem notam seu talento de escritora. A mãe (Charlotte Gainsbourg), pianista, só pensa em seus recitais, e o pai (Gabriel Garko), um astro do cinema, está mais preocupado com sua carreira. Após a separação deles, Aria, pouco querida por ambos, fica pulando de casa em casa e só tem a companhia da melhor amiga e de um gato preto. A desilusão com o mundo adulto faz a menina tomar atitudes radicais. Além da fotografia solar, cenários e figurinos ganham cores fortes. Mas um universo cinza e desesperador corresponde à realidade da menina. Pontilhando o drama com humor, Asia faz um registro incisivo sobre uma infância perdida. Estreou em 30/6/2016.
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  • Kheiron, nome artístico de Kherin Tabib, é um rapper e humorista iraniano radicado na França. No cinema, ele estreia como roteirista e diretor de Nós Ou Nada em Paris, uma história que relembra a trajetória de seus pais. O próprio Kheiron interpreta seu pai, Hibat Tabib. Ativista político, ele participou da queda de Reza Pahlavi, o xá do Irã, em 1979. O governo de seu país ficou ainda pior com a chegada do aiatolá Khomeini ao poder. Perseguido pelo novo regime, Tabib pegou a mulher (Leïla Bekhti) e o pequeno filho e fugiram para Paris. Buscando usar o humor em enredo bastante dramático, Kheiron não acerta o tom. Há uma boa recriação do cenário revolucionário da época, mas nada que saia do lugar-comum. Até mesmo afetivamente, o realizador mostra-se distante e frio para abordar o inusitado casamento de seus pais e os dramas familiares enfrentados por eles. Estreou em 30/6/2016.
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  • Aprendendo com Carol

    Atualizado em: 1.Jul.2016

Fonte: VEJA SÃO PAULO