Gastronomia

Pescados importados ganham mercado na capital

Espécies vindas da China e Vietnã são vendidas por menos da metade do preço dos concorrentes nacionais

Por: Thais Reis Oliveira

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No Mercadão, o quilo do filé de Panga pode ser encontrado por 20 reais (Foto: Fernando Moraes)

Cerca de 2,5 milhões de toneladas de peixes asiáticos desembarcaram no Porto de Santos desde o início de 2015. Esse número representa um aumento de 25% nas importações em comparação com o mesmo perído do ano passado. A procura por produtos do gênero cresce por aqui a cada ano impulsionada por dois fatores.

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O primeiro é o preço. Enquanto o quilo da tilápia congelada custa perto de 40 reais, o do panga, tipo de bagre criado no delta do Rio Mekong, no Vietnã, sai por 14,44 reais na rede de supermercados Sonda. Outra espécie que vem ganhando popularidade é a polaca-do-alasca (ou pollock), pescada na Rússia. Nos últimos meses, mais uma opção além-mar chegou à capital. Trata-se da solha, fisgada na costa da China e vendida a 20 reais o quilo.

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Além de terem preço mais em conta, esses artigos estão agradando pelo paladar. Com carne branca, sem pele nem espinhas e sabor suave, tornaram-se estrelasde bufês a quilo. "Culturalmente, o brasileiro gosta de filés sem gosto de peixe", diz o empresário Thiago de Luca, da importadora Frescatto. No caso da solha, há ainda uma vantagem nutricional. Uma porção de 60 gramas tem apenas 34 calorias, enquanto a mesma quantidadede salmão chega a somar 130 calorias.

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A concorrência disparou o sinal de alerta na indústria local. Em testes promovidos pelo Conselho Nacional de Pesca e Aquicultura, uma espécie de associação comercial do setor, os asiáticos apresentaram alto teor de tripolipofosfato de sódio, composto que aumenta absorção de água (o que influencia no preço final) e é proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).O órgão federal, no entanto, não reconhece os resultados e diz que essas espécies se enquadram nos critérios estabelecidos para consumo no Brasil. "Nosso produto incomoda porque é bom e barato", entende Luca, da Frescatto.

Fonte: VEJA SÃO PAULO