Nove peças para conferir entre segunda e quarta

Confira os espetáculos que podem ser vistos no início da semana

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  • Escrito em 1969, Abajur Lilás esbarrou na censura e só ganhou o palco seis anos depois. No drama de Plínio Marcos (1935-1999), a referência aos órgãos repressores está explícita na figura de Giro (papel de Josemir Kowalick), o cafetão homossexual que explora três prostitutas em um pardieiro. São elas a batalhadora Dilma (a atriz Fernanda Viacava), a revoltada Célia (Isadora Ferrite) e a sonsa Leninha (Carol Marques). Um abajur quebrado deflagra a ira de Giro e expõe a miséria à qual todos, inclusive ele, estão submetidos. As metáforas políticas e sociais propostas continuam atuais, mesmo que sob novas leituras, como a pressão capitalista e o medo de desafiar o poder. A direção de André Garolli, no entanto, imprimiu um ritmo mais lento e sutil, capaz de inibir a agressividade dos diálogos originais. Isadora Ferrite é o destaque do elenco, reforçando a desilusão de seu papel. Fernanda Viacava e Josemir Kowalick também surgem convincentes. O tropeço fica por conta da frágil atuação de Carol Marques e da presença de Daniel Morozetti, cujo personagem, sim, parece ter perdido o prazo de validade. Estreou em 9/7/2014. Até 27/11/2014.
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  • Com quatro décadas de carreira, Denise Del Vecchio foi agraciada pela primeira vez com o Prêmio Shell de melhor interpretação na recente edição do troféu, em março. O público ganha nova chance de conferir o reconhecido desempenho da atriz em apresentação gratuita do espetáculo Trágica.3 no Itaú Cultural. Dirigida por Guilherme Leme, a montagem é dividida em três monólogos que remetem aos mitos femininos da tragédia grega. Denise empresta força a Medeia. Letícia Sabatella revive Antígona e Miwa Yanagizawa representa Electra. Com Fernando Alves Pinto e Marcello H. Estreou em 26/4/2014.
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  • Dirigida por André Grecco, a comédia romântica de Walter Cereja mostra uma empresária e um cirurgião plástico, ambos solteiros. Ele aceita o pedido de uma operação nada convencional. Com o autor e Kris Bulos. Estreou 3/6/2014 a 30/7/2014.
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  • No fim de outubro de 2012, a montagem da Velha Companhia estreou de mansinho no Instituto Cultural Capobianco. Fez-se, então, um boca a boca em torno do drama épico escrito e dirigido por Kiko Marques. Algo compreensível não apenas por sua história arrebatadora, que enfoca três gerações de uma família, mas também pela forma como a encenação simples reproduz a trama ambientada na Ilha Grande, no litoral fluminense. No fim da década de 20, a garotinha Magnólia (a atriz Virgínia Buckowski) conhece um rapaz crescido (o ator Marcelo Marothy), e os dois se apaixonam. A Revolução de 30 e o Estado Novo afastam a possibilidade de um reencontro, e ela se casa com outro. Quem traz essa história à tona — e suas consequências trágicas — é o ator Walter Portella, na pele de um narrador que representa um barco. Efeitos especiais ou recursos sofisticados são dispensados. Em cena estão dois músicos e doze atores, entre eles entre eles Alejandra Sampaio, Marcelo Diaz, Marcelo Laham, Maurício de Barros, Patrícia Gordo e o autor e também diretor. Estreou em 29/10/2012. Até 15/2/2016.
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  • Única peça escrita pela mineira Isabel Câmara (1940-2006), As Moças, agora rebatizada de As Moças, o Último Beijo, apresenta um retrato comportamental e sexual de uma época. Sob a direção de André Garolli, o drama traz o relacionamento de duas mulheres de gerações diferentes que dividem um apartamento entre o fim da década de 60 e o início da de 70. Beirando os 40 anos, a jornalista Tereza (interpretação vigorosa de Angela Figueiredo) destila um permanente desencanto sobre a jovem e sensual atriz Ana (Fernanda Cunha, em evolução progressiva). No tenso embate, uma tenta desestabilizar a outra em uma trama de força crescente e sensivelmente conduzida por Garolli. Estreou em 2/4/2014. Até 22/2/2015.
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  • Com adaptação de Eduardo Ruiz, o romance Pornô, de Irvine Welsh, ganhou os palcos neste drama. Seus personagens são os mesmos de Trainspotting, livro transformado em filme em 1996. Entre carreiras de cocaína, Sick Boy (interpretado por Sergio Guizé) cuida de um boteco. Spud (papel de Fábio Ock) se vê impotente diante do mundo. Franco (Guilherme Lopes) sai da prisão e procura um rumo. Renton (Carlos Carcarah) tenta se dar bem. Outras figuras se interligam ao quarteto na produção de um filme de sexo explícito. Com Abhiyana, Ana Nero, Fernando Fecchio e Joana Dória. Estreou em 9/2/2010. Até 17/7/2014.
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  • O musical traz um romance interrompido pela II Guerra Mundial. Escrito por Flávio de Souza e dirigido por Pamela Duncan, o espetáculo é centrado em um pianista judeu (Claudio Goldman) que se apaixona por uma cantora (Gabriela Alves Toulier) casada com um líder da resistência antinazista. Anos depois, os dois se reencontram no Brasil. Com Lui Strassburguer e Ronaldo Liano, além de sete músicos que executam a trilha sonora ao vivo. Estreou em 11/6/2013. Até 31/7/2014.
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  • A Cia. Caxote inaugurou um espaço próprio na Pompeia com uma releitura de Navalha na Carne, de Plínio Marcos (1935-1999). Dirigidos por Fernando Aveiro, os atores Bárbara Salomé, Murilo Inforsato e Humberto Caligari protagonizam o drama rebatizado de Por Acaso, Navalha, mas bastante fiel ao original de 1967. O bom trio de intérpretes mostra a história da prostituta Neusa Sueli e seu cafetão, Vado, que a acusa de não repassar o lucro da noite anterior, em atrito com Veludo, o faxineiro da pensão onde moram. O realismo atinge o ápice e renova a batida trama. Vinte espectadores são transportados para um cenário-instalação que representa o quarto da protagonista, e o mérito da montagem consiste na proposta de aproximação entre público e elenco. Estreou em 3/5/2014. Até 4/8/2014.
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  • O dramaturgo paulistano Franz Keppler vem de experiências diversas e bem-sucedidas. O drama Camille e Rodin, o monólogo Córtex e a comédia Divórcio são textos que dosam certa ambição sem fugir de plateias amplas. Sob esse ponto de vista, Só... Entre Nós parece um passo atrás em sua obra. Bem menos ousada, a história envolve um professor de música, sua mulher (a atriz Marcia Nemer Jentzsch) e um jovem por quem ele se apaixona. Entre os clichês, Keppler faz referências a obras do escritor Caio Fernando Abreu (1948-1996) para retratar o conflito homossexual. O diretor João Carlos Andreazza, no entanto, reforça a cronologia não linear, valoriza diálogos e alimenta a atmosfera intimista. Com isso, oferece bons momentos aos atores e faz da montagem um exemplo de programa capaz de agradar a um público específico, sobretudo jovens interessados no tema da diversidade. Estreou em 16/6/2014. Até 24/7/2016.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO