Teatro

Peças para assistir de segunda a quarta

Confira nove espetáculos que você pode ver entre segunda e quarta-feira

Por: Meriane Morselli

Marco Luque - Labutaria
Marco Luque no papel do taxista Silas Simplesmente (Foto: Pedro Dimitrow)

Você não precisa esperar até o fim de semana para ir ao teatro. Confira uma seleção de espetáculos que ficam em cartaz de segunda a quarta. Uma delas é a comédia Labutaria, com Marco Luque, que encerra temporada nesta semana.

Outras dicas são Cássia Eller, o Musical, em cartaz no CCBB, e Cada Dois com Seus Pobrema, estrelada por Marcelo Médici.

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Confira:

  • Cássia Rejane Eller (1962-2001) era de uma timidez sem tamanho. Monossilábica, ela mal mirava os olhos do interlocutor e, nas entrevistas, em nada lembrava a cantora de voz potente e postura agressiva no palco. Com produtores sedentos de transformar ídolos em tema de musicais, não tardou para a artista, morta aos 39 anos, virar objeto de um. Os diretores João Fonseca e Vinícius Arneiro, no entanto, conseguiram uma proeza entre os similares do gênero. Vivida pela estreante Tacy de Campos, Cássia tem seu jeito e sua alma presentes ali. O espectador se vê diante de uma montagem simples, com estrutura de show, longe dos padrões grandiosos da Broadway e fiel à trajetória da protagonista. A dramaturga Patrícia Andrade traz à tona o acanhamento juvenil, que se tornou um empecilho na vida adulta da roqueira e pode ter ajudado a levá-la para as drogas. Para isso, a atuação de Tacy é importante. Ela repassa 38 canções em solos ou apoiada por outros seis atores-cantores. Em algumas cenas fica visível sua insegurança diante de um papel tão exigente. Mas, como se trata de Cássia, a inexperiência de Tacy ganha ares de introspecção e convence o público. Com Eline Porto, Emerson Espíndola, Jandir Ferrari e outros. Estreou em 19/9/2014. Até 25/9/2016. Proximidade: o espetáculo tem direção musical de Lan Lan, que foi percussionista da banda de Cássia Eller.
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  • A fórmula deu certo. Uma década depois de Cada Um com Seus Pobrema, Marcelo Médici criou uma continuação disfarçada da comédia que também tem como pano de fundo os bastidores do teatro. Agora, o título é Cada Dois com Seus Pobrema, e ele divide a cena na primeira parte com Ricardo Rathsam, coautor e hilário em sua participação. No centro da montagem dirigida por Paula Cohen, uma atriz reclusa e louca (vivida por Médici) recebe a visita de um repórter (Rathsam) para uma entrevista. A governanta Aguinalda (também representada por Médici) fica responsável pelo clima de suspense. Essa interessante história, no entanto, tem um ponto final nesse momento do texto. Em seguida, entram em cena figuras impagáveis, como o Mico Leão Dourado, o motoboy Sanderson e a apresentadora Tia Penha. Os personagens já conhecidos de Cada Um com Seus Pobrema mostram-se veículos perfeitos para Médici exercitar seu talento. A plateia gargalha com vontade, mas o grande comediante inegavelmente se apoia em uma zona de conforto que domina como poucos. E fica a dever uma conclusão para a trama inicial. Vale avisar que as duas sessões semanais estão com ingressos bastante concorridos. Estreou em 9/9/2014. Até 25/2/2016. + Leia entrevista com o ator Ricardo Rathsam
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  • Baseado no livro do rabino Nilton Bonder, o monólogo A Alma Imoral estreou em julho de 2006 no Rio de Janeiro em uma sala onde mal cabiam cinquenta pessoas. O interesse imediato e crescente surpreendeu a própria atriz e adaptadora Clarice Niskier. Pronta para conquistar novos fãs, Clarice volta para uma temporada no Teatro Eva Herz. O sucesso pode ser justificado pela identificação imediata do público com as palavras. Em um roteiro quase informal, a intérprete fala a respeito da sua primeira e arrebatadora impressão ao ler a obra de Bonder e divide questionamentos com a plateia. Inspirada em conceitos bíblicos e filosóficos, ela reflete sobre o certo e o errado, o moral e o imoral ou a necessidade de trair para romper limites e estabelece uma conversa franca e provocativa. Clarice aparece nua em boa parte da montagem e transforma um tecido preto em figurinos. Guiada pela sutil supervisão do diretor Amir Haddad, seduz cada espectador como se fosse o único. Estreou em 14/3/2008. Até 11/12/2016.
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  • Depois do bem-sucedido A Madrinha Embriagada, o diretor Miguel Falabella engata este grandioso projeto no mesmo palco. Baseada no texto de Dale Wassermanom, com melodias de Mitch Leigh e letras de Joe Darion, a ação foi ambientada em um manicômio do fim da década de 30. Por lá, um paciente (interpretado por Cleto Baccic) apresenta-se como Miguel de Cervantes, poeta, ator e coletor de impostos, e interna-se na companhia do criado Sancho (Jorge Maya). Para minimizar a triste realidade, ele propõe aos internos e funcionários um mergulho na fantasia, e todos passam a fazer teatro. Eles descobrem a força do sonho como meio para suportar o cotidiano. Além do bom trabalho de Baccic e Maya, Sara Sarres sobressai na pele de Dulcineia e Guilherme Sant’Anna dá fôlego ao papel de Governador. Criativa e correta, a versão de Falabella tem grande capacidade de comunicação com a plateia a que se destina e a deixa de olhos cheios. Estreou em 13/9/2014. Até 28/6/2015. Em 1972: o musical teve uma célebre montagem protagonizada por Paulo Autran, Bibi Ferreira e Grande Otelo, com direção de Flávio Rangel.
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  • Em meio a uma caótica situação social e política, o casal Dolores e Horácio (interpretado por Magali Biff e Zémanuel Piñero, em revezamento com Luiz Damasceno) enfrenta uma situação de miséria. Eles mal têm o que comer, vivem à custa de cestas básicas e não têm emprego. O drama A Hora Errada, escrito por Lourenço Mutarelli e dirigido por Tomás Rezende, mostra-se pertinente por tratar de um tema duro em uma atmosfera que remete à ficção científica. Sob essa embalagem, fica mais fácil digerir o duelo verbal entre os atores. Com domínio das palavras, Magali reforça perplexidade e decepção à medida que a montagem avança, principalmente depois que o marido consegue uma colocação ligada ao governo. Nesse momento, Piñero transmite a apatia fundamental para revelar a mudança de caráter de Horácio e se destaca. Igualmente importante, a iluminação criada por Marisa Bentivegna alterna a penumbra entre os atores e suaviza o efeito dos blecautes. Estreou em 8/5/2014. Dias 12, 13 e 14/12/2014.
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  • Lançado na Broadway em 1997, o musical O Rei Leão, de Roger Allers e Irene Mecchi, é a versão do longa da Disney, de 1994. Portanto, ao conferir a superprodução nos palcos, é quase inevitável que a memória afetiva dos fãs da animação fale mais alto. Os elementos para o encanto da plateia estão todos ali. Cenários e figurinos caprichadíssimos, uma iluminação sob medida, capaz de fazer saltar aos olhos os efeitos de manipulação de bonecos, e um elenco afinado de 53 atores para cantar as letras compostas por Gilberto Gil (nem sempre fluentes e complementares à dramaturgia) adaptadas dos originais de Elton John. A trama mostra Simba (interpretado por Tiago Barbosa, quando adulto), o herdeiro do trono de Mufasa (o ator César Mello), o Rei Leão. Ao crescer, Simba envolve-se em uma série de artimanhas do tio Scar (Felipe Carvalhido), que planeja se livrar do sobrinho para ganhar o poder. Com direção de Julie Taymor, a montagem cumpre a promessa de ser um show, um torpedo repleto de efeitos para um público ávido de emoções. Falta, no entanto, espontaneidade às atuações. Um dos poucos a sobressair é Ronaldo Reis, intérprete do suricato Timão, capaz de imprimir bom humor ao personagem. Estreou em 28/3/2013. Até 14/12/2014. Na quinta (11), haverá sessão extra, às 16h. + Veja os bastidores do musical O Rei Leão + Saiba onde jantar depois de assistir ao espetáculo
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  • Poderia ser uma irônica proposta cênica, mas a interferência da realidade não foi bem-vinda na ficção. O vazamento do som de uma casa noturna vizinha ao Club Noir, no Baixo Augusta, prejudicava as sessões de quinta do drama Opus 12 para Vozes Humanas. Em um espetáculo silencioso, focado em diálogos rápidos, a indesejada trilha dificultava a concentração de atores e plateia em torno da trama sobre a incomunicabilidade. O jeito foi mudar para terças e quartas. Dividida em duas partes, Um Dia e Uma Noite, a peça escrita por Sérgio Roveri oferece um oportuno debate sobre a incapacidade de focar a atenção e aprofundar uma conversa. Na cena inicial, os personagens de Pedro Henrique Moutinho e Janaína Afhonso se encontram em uma situação cotidiana e têm diferentes sentimentos despertados. Dirigida por José Roberto Jardim, a montagem ganha intensidade no ferte com o absurdo da simbólica segunda parte. Anna Cecília Junqueira, Felipe Folgosi, Alex Gruli e Munir Kanaan interpretam dois casais reunidos para um jantar entre amigos. Eles ilustram a superfcialidade das relações em falas desencontradas e, muitas vezes, sem um nexo aparente. Estreou em 5/2/2014. Até 24/9/2014.
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  • Um encontro fictício entre Marilyn Monroe e Norma Jean, seu nome de batismo, expõe o drama da estrela, morta em 1962. Bia Borin, Débora Vivan e Priscila Oliveira interpretam o que seria uma discussão entre as duas. Há também intervenções das vozes de John Kennedy, da preparadora da atriz e de outras mulheres, chocadas por sua permanente beleza. Baseado no texto de Sérgio Roveri, José Roberto Jardim escolheu uma direção que privilegia as palavras. O elenco quase não se movimenta em cena, o que torna a montagem morosa e um pouco verborrágica. Na polifonia de pensamentos e conflitos, surge a artista estilhaçada, como provavelmente estava antes de ser encontrada morta em seu apartamento, aos 36 anos. Estreou em 5/8/2014. Até 28/10/2014.
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  • O integrante do programa CQC Marco Luque comprova sua versatilidade como ator dividindo-se em cinco divertidos personagens, todos relacionados aos seus trabalhos. Os tipos são o hiperativo produtor Betonera, o vegetariano avesso ao esforço Mustafary, a doméstica Mary Help, o taxista Silas Simplesmente e o motoboy Jackson Five. Estreou em 23/3/2011. Até 26/11/2014.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO