Cinema

'Pecado da Carne' é um polêmico drama gay

O filme mostra a arrebatadora atração entre dois judeus ortodoxos

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

Pecado da Carne
Ezri e Aaron: empregado e patrão presos a um relacionamento de entregas e recusas (Foto: Divulgação)

Recentemente, o cinema brasileiro perdeu a chance de debater algo bastante controverso. Foi em ‘Do Começo ao Fim’, sobre o relacionamento de amor e sexo entre meios-irmãos. Aluizio Abranches, diretor e roteirista da fita, optou por tornar a história branda demais. Tema igualmente polêmico aparece no drama ‘Pecado da Carne’. Em terreno também delicado, o cineasta israelense Haim Tabakman põe a mão em um vespeiro: a arrebatadora paixão homossexual entre judeus ortodoxos no distrito de Mea Shearim, em Jerusalém. Ao contrário do filme nacional, esse longa-metragem de estreia de Tabakman apresenta o conflito sem censuras e o trata com segurança e profundidade.

Na trama, Aaron Fleischman (Zohar Shtrauss) comanda um açougue kosher herdado do pai. Casado e pai de quatro crianças, esse comerciante terá seu regrado cotidiano sacudido pela chegada de Ezri (papel do galã Ran Danker). À procura de uma yeshivá (escola para estudo da Torá), o jovem acaba virando ajudante de Aaron e faz do andar de cima da casa de carnes seu novo lar. O rapaz está ferido afetivamente por ter sido desprezado pelo ex-namorado. Por gestos e olhares do novo amigo, Aaron percebe o desconforto da situação. Conversa vai, conversa vem... e eles se veem presos a um jogo de recusas, desejos e atração.

O selo Filmes do Mix, nascido do festival GLS Mix Brasil, lançou, em junho de 2009, o romance ‘De Repente, Califórnia’, cartaz por quase três meses nas salas paulistanas. Era um trabalho bem-sucedido e voltado, sobretudo, para gays. O mesmo não acontece com este segundo título da distribuidora. Embora se lance a retratar o amor entre iguais, ‘Pecado da Carne’ vai além e faz um raro registro de uma comunidade judaica presa a comportamentos e perseguições seculares.

Pecado da Carne, Haim Tabakman (Einaym Pkuhot, Israel/ Alemanha/França, 2009, 90min). 14 anos. Estreou em 2/4/2010. Espaço Unibanco 2, Frei Caneca Unibanco 6, Reserva Cultural 1.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO