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Tremor de terra é mais notado em pontos mais altos da cidade

Especialista diz, no entanto, que abalos ocorridos no país vizinho não representam riscos

Por: Veja São Paulo

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Terremoto atingiu Santiago, no Chile (Foto: Reprodução)

Na noite de quarta-feira (16), moradores da cidade de São Paulo foram pegos de surpresa com os reflexos do terremoto , de 8,3 de magnitude, que aconteceu no Chile por volta das 19h50. Lugares mais altos da cidade, como a Avenida Paulista foram os que mais sentiram os tremores. Segundo José Roberto Barbosa, especialista em terremotos do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, a altura dos edifícios e o tipo de solo no qual foram construídos influenciam na percepção do abalo.

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“Não há riscos. Normalmente, as pessoas que estão nos andares mais altos têm uma sensação de tontura e, talvez, objetos possam sair do lugar”, explica.

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Prédio da Universidade Anhembi Morumbi precisou ser evacuado (Foto: Gabriel Bernardo/Arquivo Pessoal)

O tremor acontece porque o prédio funcionaria, nesses casos, como um pêndulo ao contrário, com a vibração maior no topo. Por serem altos e com estruturas robustas, eles estão presos no solo mais profundamente. Desta forma, as ondas de energia liberadas pelo terremoto no Chile atingiram essa infraestrutura. O tremor não é sentido na superfície, porém, reverbera nos andares mais altos.

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Outro motivo que influencia são as bacias sedimentares onde os predios estão construidos. "Se as rochas das bacias sedimentares são mais novas e menos consolidadas é comum sentir esse tremor", diz Barbosa. Como o solo de São Paulo é heterogêneo, não há como definir com certeza onde esses abalos podem acontecer. "Desta vez, me estranhou não ter ouvido relatos de moradores no bairro da Pompeia, por exemplo”, afirma. Ele explica que esses reflexos acontecem com certa frequência. No entanto, por serem em menor escala, raramente é possível senti-los. 

De acordo com ele, não há como prever terremotos, porém, como o Brasil está no centro da placa continental, a probabilidade de termos eventos do tipo é remota.

Já no Chile, a tendência para os próximos dias é que aconteçam tremores de pequenas magnitudes para que as rochas terminem de se acomodar. 

Fonte: VEJA SÃO PAULO