Cidade

Paulistano passa até 45 dias por ano parado no trânsito

Pesquisa apontou que aumentou em vinte minutos o tempo gasto em congestionamentos em relação ao ano passado

Por: Estadão Conteúdo

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Tempo médio diário em congestionamentos passou de 2h38 em 2015 para 2h58 (Foto: Levi Bianco/Folhapress)

Por ano, o paulistano passa, em média, o equivalente a um mês e meio parado no trânsito. O tempo gasto diariamente para fazer a totalidade de seus deslocamentos aumentou vinte minutos em comparação com o ano passado. Em 2015, os moradores da capital gastavam 2h38 em congestionamentos, tempo que passou para 2h58. A média faz parte de um pesquisa do Ibope, encomendada pela Rede Nossa São Paulo, divulgada na segunda-feira (19). Para calcular os índices, o instituto analisou a percepção do paulistano sobre mobilidade.

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A Pesquisa Sobre Mobilidade Urbana considera deslocamentos como ir e voltar do trabalho, do hospital ou da academia ou deixar e buscar os filhos na escola. Entre quem usa automóvel todos ou quase todos os dias, o tempo médio para os deslocamentos chegou a 3h06. Os usuários do transporte público gastaram 3h11. Os dados sobre ciclistas e os que se deslocam a pé não foram divulgados. 

Já o tempo que o paulistano passa no trânsito para fazer sua atividade principal - trabalhar ou estudar, por exemplo - bateu recorde. O número é o mais alto desde 2009, ano em que foi incluída a pergunta sobre tempo de deslocamento. Em 2016, o gasto diário é de 2h01; em 2015, era 1h44. 

O secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, disse que a solução para os problemas de mobilidade em São Paulo não passa pelo aumento do número de ônibus. "Temos de continuar melhorando a velocidade média dos ônibus nos corredores. Subimos de 14 km/h para 22 km/h. A ideal talvez fosse 25 km/h. Tem de evoluir. Não pode parar ou voltar atrás."

Para o engenheiro e mestre em Transporte pela USP, Sérgio Ejzenberg, os moradores da periferia foram os mais prejudicados. "Cresceu o número de pessoas que gastam mais de três ou quatro horas para o serviço. O que opera na periferia é o sistema de ônibus auxiliar, não o convencional. Esse pode ser um foco possível de problema a ser estudado", diz.

Desgaste

A saladeira Rosenilde Silva, de 33 anos, mora na Zona Norte e trabalha em um restaurante no centro. Diariamente, no transporte público, leva 1h40 de casa para o trabalho - mesmo tempo gasto na volta. São mais de três horas diárias somente para se deslocar para a atividade principal. "Acordo às 5h30 e só retorno para casa por volta das 20 horas. É cansativo porque faço o trajeto de ida e volta em pé e nos horários de pico. Quando volto para casa, não dá mais disposição para fazer nada. Só descanso e durmo."

De carro, a vendedora autônoma Daniela Boscolo, de 34 anos, gasta em todos os deslocamentos diários praticamente o mesmo tempo que Rosenilde consome somente com a atividade principal. Todos os dias, a vendedora sai da região metropolitana, onde mora, para trabalhar comercializando produtos no centro. Nesse trajeto, Daniela leva 1h30. Na volta para casa, gasta 1 hora. Porém, para se deslocar pela região central, consome cerca de uma hora. "O centro é o pior lugar para dirigir na cidade. As Marginais também são bem ruins. Quem usa ônibus também gasta muito tempo, só é menos estressante do que para o motorista de carro", afirma.

Ciclistas

De acordo com a pesquisa, um em cada cinco paulistanos afirma já ter andado de bicicleta nas ciclovias ou ciclofaixas da cidade. Entre os que já usaram ou usam as pistas, 53% acham "pouco seguro" o trajeto nas vias exclusivas. Quando questionados, tanto ciclistas quanto os que nunca usaram as ciclovias apontaram os mesmo motivos para a causa da insegurança: furtos ou roubos, desrespeito de motoristas e motociclistas aos ciclistas, buracos e irregularidades no solo.

Fonte: Estadão Conteúdo