Paulistanos Nota 10

Os campeões da boa causa em São Paulo

O motoboy José Roberto Barros gasta mais de um terço de seu salário de 1 500 reais para distribuir brinquedos para crianças carentes

Por: VEJA SÃO PAULO

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Uma depressão desencadeada pelo término de um noivado mudou a vida do motoboy José Roberto Barros. Ele passou a chorar muito e a não sair mais de casa, a ponto de sua família ficar preocupada. Até um pai de santo o procurou na tentativa de resolver o problema, com a promessa de trazer o antigo amor de volta. O rapaz descartou a ajuda do além e resolveu tentar sair do fundo do poço por conta própria. “Eu precisava fazer algo para ocupar a cabeça”, lembra. Em 2004, dois anos depois do início da crise, teve, às vésperas do Dia das Crianças, a ideia de distribuir um lote de brinquedos a menores carentes. Comprou com o próprio dinheiro bolas de futebol, raquetes, bonecas e bichos de pelúcia para arremessar anonimamente no quintal de casas na Zona Leste. Isso lhe causou tamanha sensação de bem-estar que ele passou a repetir a dose em datas especiais, a exemplo do Natal. Depois de um tempo, virou uma rotina diária. Ao encarnar o papel de Papai Noel sobre duas rodas, deixou para trás de vez a fase negra de baixo-astral. “Fui me fortalecendo ao saber que proporcionava alegria a alguém.”

+ Personalidades e momentos marcantes do prêmio Paulistano Nota 10

Uma década depois, Barros, que tem hoje 46 anos, pode ser conhecido como um herói da periferia. Ele gasta mais de um terço do salário de 1 500 reais por mês na aquisição do material a ser doado ou com distribuição de dinheiro propriamente dito. Em alguns casos, envia pelo correio um envelope com a sua foto, uma moeda de 1 real e a seguinte mensagem: “Compre um brinquedo e entregue a uma criança”. Até hoje, contabiliza ter doado cerca de 37 000 presentes a bordo de seu veículo, uma Honda CG 125, modelo 94. “Um mundo melhor se faz com pessoas melhores”, discursou ele na última segunda (15), quando recebeu em um evento de VEJA SÃO PAULO, na Casa Itaim, o troféu principal do prêmio Paulistano Nota 10 (veja a cobertura da festa na pág. 36). Outros nove projetos de trabalho voluntário que se destacaram em 2014 foram homenageados. Na ocasião, o motoboy também recebeu um cheque de 10 000 reais do Armarinhos Fernando para ajudar a fazer a alegria de mais crianças nas próximas semanas. Uma das personalidades presentes à festa, o piloto Rubens Barrichello ficou tão impressionado com a trajetória de Barros que, no dia seguinte, telefonou ao rapaz comprometendo-se a lhe doar um capacete novo.

Motoboy com as crianças
Com as crianças de uma favela da Vila Bancária: "O tio da moto chegou" (Foto: Ricardo D'Angelo)

Antes das 5 da manhã, o benfeitor já está de pé em sua casa na Vila Ema. Ali, existem dois cômodos tomados por prateleiras com brinquedos e diversos rolos de papel de embrulho. Depois de ajeitar a carga na garupa, Barros zarpa do local e vai distribuindo os pacotes por outros bairros da Zona Leste, até chegar ao trabalho, na Vila Prudente. Tamanho esforço lhe garante flexibilidade de horário no emprego. “Todo mundo sabe que ele tem jornada dupla, então ele ganhou a autorização para chegar mais tarde. Sabemos que está arremessando bonecas pela região”, explica Maria Nogueira, a supervisora da EO Distribuidora de Jornais e Revistas, onde o motoboy trabalha. No início, quando cumpria a rota da generosidade, não tirava o capacete preto da cabeça. Assim, a exemplo de qualquer outro super-herói, preservava a verdadeira identidade. “Eu fazia isso mais por timidez mesmo, não queria chamar atenção”, explica. “Só de pois resolvi mostrar meu rosto, já que isso poderia motivar outras pessoas a fazer ações parecidas.”

+ José Roberto Souza Barros distribui brinquedos para crianças carentes

No trajeto entre sua casa e o trabalho, ele atira em média dez encomendas por dia. Em datas especiais, o número sobe bastante. Neste Natal, mais de 500 peças serão doadas. “Há dois anos, nem mesmo quando nosso pai estava se tratando de um câncer meu irmão deixou o voluntariado de lado”, conta a irmã, Vivian. Barros é o segundo dos quatro filhos do casal formado por Niusa, que há quinze anos morreu vítima de um infarto fulminante, e Alvimar. Na residência da Vila Ema, o motoboy mora com o pai e dois irmãos. O endereço foi reformado em 2013 pelo programa de Luciano Huck, quando uma vizinha escreveu uma carta contando sobre os problemas de infiltração. “Não nascemos em família que tinha de tudo, mas nunca passamos necessidade”, conta Alvimar.

Motoboy - Pai
O pai, Avilmar: a família ajuda a divulgar o projeto (Foto: Acervo pessoal)

Barros trabalha como motoboy há vinte anos. No tempo livre, vai aos cultos aos domingos no Templo de Salomão, da Igreja Universal. Lá, deposita a esperança de encontrar um novo amor. Paquerou uma mulher por dois anos, mas, há poucos meses, ela deu sinal vermelho ao pretendente. Apesar do fora, o motoboy não perde a esperança. “Eu ajudo tanta criança, então não seria ruim se eu me casasse e tivesse um filho”, sonha.

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  • Italianos

    Nico Pasta & Basta

    Rua Costa Aguiar, 1586, Ipiranga

    Tel: (11) 2068 3000

    VejaSP
    11 avaliações

    Sempre há novidades na casa italiana que faz parte do grupo de restaurantes e bares do delegado Osvaldo “Nico” Gonçalves. Aliás, o policial acaba de virar uma massa por lá. É o espaguete à nico (R$ 65,00), preparado dentro de um queijo grana padano cujas raspas são flambadas com brandy até se transformarem num molho cremoso, finalizado com presunto cru e manjericão. O saboroso linguado pode vir com um risoto à parmigiana cozido além do ponto (R$ 63,00). Felizmente, os figos dourados no açúcar sobre biscoito e creme de mascarpone (R$ 23,00) deixam uma boa lembrança.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Pizzarias

    Veridiana - Perdizes

    Rua Turiassu, 98, Perdizes

    Tel: (11) 3862 8111

    VejaSP
    3 avaliações

    A berinjela à parmigiana (R$ 34,00), frita em fatias e montada com generosa quantidade de molho de tomate bem concentrado, é um bom começo. Entre as coberturas, encontram-se pedidas como a parigi (mix de cogumelos shimeji, shiitake e paris mais azeitona verde e parmesão; R$ 77,00). Embora saborosa, a napoli in zucchini (abobrinha laminada no azeite, alho e hortelã ao molho de tomate com creme de ricota; R$ 72,00) agrada menos do que a anterior. Todos os endereços dispõem de adegas climatizadas e boa seleção de rótulos.

    Preços checados em 16 de maio de 2016.

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  • Brasileiros

    Micaela

    Rua José Maria Lisboa, 228, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3473 6849

    VejaSP
    11 avaliações

    O chef Fábio Vieira conquistou o paladar da clientela com pratos que vêm se cristalizando no cardápio, como a canjiquinha mineira com lagostim e linguiça (R$ 56,00). Para exercitar a veia criativa, ele promove pequenas mudanças no menu. São bem-vindas novidades — a preço atraente: R$ 39,00 cada uma delas — a tainha curada e grelhada com tropeiro de feijão-manteiguinha, o fideo de comitiva (macarrão no estilo ibérico feito com carne de sol e linguiça moída) e a vaca atolada (costela bovina desfiada no caldo de mandioca). O creme brûlé de paçoca de castanha-do-pará (R$ 20,00) garante doçura e um volume extra na cintura. Durante a semana, o menu executivo custa vantajosos R$ 39,00.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Bares variados

    Boteco São Bento - Itaim

    Rua Leopoldo Couto De Magalhães Júnior, 480, Itaim Bibi

    Tel: (11) 3074 4389

    VejaSP
    3 avaliações

    Turmas de engravatados e moças perfumadas adoram o bar. Esse público, que orbita a casa dos 30 anos, costuma lotar o ambiente grandalhão e, em clima de festinha, beber chope Brahma de colarinho espesso (R$ 7,50) ou drinques docinhos. Um deles leva o nome de água de beijar e combina vodca, suco de cranberry e refrigerante de limão (R$ 29,90). Uma das melhores opções da cozinha, a costela bovina no bafo pode vir numa porção com mandioca cozida, farofa e vinagrete (R$ 129,90).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Hamburguerias

    The Fifties - Vila Olímpia

    Rua Funchal, 345, Vila Olímpia

    Tel: (11) 3842 2636

    2 avaliações

    Reinaugurada no mês passado, a filial do The Fifties, na Vila Olímpia, é a unidade piloto de mudanças de cardápio e de visual pela qual passará toda a rede de hamburguerias nos próximos anos. O menu ganhou uma seção batizada de gourmet. Inclui sete novos hambúrgures, entre eles o de cordeiro montado num brioche com queijo feta, molho de iogurte, alface-americana, tomate, relish de cebola, pepino e azeitona preta (R$ 34,00). Para acompanhar, as fritas têm uma versão com um desnecessário azeite trufado e ainda são salpicadas de queijo grana padano e cebolinha (R$ 27,00). No bar montado no centro do salão, há agora drinques com álcool. A carta reúne clássicos como o negroni (R$ 16,00) e criações do mixologista Beto Ferreira. Até alguns milk-shakes levam bebida. Vale provar a combinação de sorvete de creme e licor Baileys sob cobertura de caramelo e chantili (R$ 30,00). Esse menu também é oferecido na loja de Cerqueira César (Alameda Santos, 1015, 3266-4278).

     

    Preços checados em 15 de dezembro de 2014.

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  • Seja pela época, seja pelo clima tenso ou pelos personagens amorais, não é difícil reconhecer uma história de Patricia Highsmith (1921-1995) em As Duas Faces de Janeiro, inspirado no livro homônimo da escritora. O suspense se passa em 1962 e flagra um casal de americanos em viagem pela Grécia. Rico e feliz, Chester MacFarland (Viggo Mortensen) é casado com a jovem Colette (Kirsten Dunst), sua segunda esposa. De olho na dupla está Rydal (Oscar Isaac), um guia turístico que engana seus clientes para ganhar um dinheirinho extra. MacFarland, raposa velha, desconfiado malandro, mas consegue ser conquistado por sua simpatia e boa lábia. A trama, porém, toma outro rumo. Em Atenas, um detetive chega à procura de MacFarland, um investidor que saiu dos Estados Unidos deixando seus clientes a ver navios. Por acidente, ele acaba matando o investigador e, por isso, precisa de Rydal para conseguir passaportes falsos e fugir do país. Pelo interior, descortina-se um enredo de chantagens e traições. Chega a surpreender pela qualidade este primeiro longa-metragem de Hossein Amini, iraniano criado na Inglaterra: das pinçadas locações à trilha sonora de Alberto Iglesias, habitual colaborador de Pedro Almodóvar, emulando Bernard Herrmann, parceiro de Hitchcock. Mistérios e reviravoltas são conduzidos de forma pulsante, embora o desfecho não tenha o mesmo teor arrebatador. Estreou em 18/12/2014.
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  • Conor (Edward MacLiam) sofreu um derrame e voltou do coma com uma parte do lado esquerdo do corpo paralisada. No retorno ao lar, tem a atenção redobrada da esposa, Vanetia (Maxine Peake), e do casal de filhos. O cotidiano da família ganha ainda um elemento extra: o médico americano Ted Fielding (Will Forte) vai passar dois meses acompanhando a evolução (ou não) do paciente. Insistentemente, o doutor persegue Conor com uma câmera e causa certo desconforto no convívio diário. Algo, contudo, não estava no programa. Embora ame seu marido, Vanetia, uma mulher cheia de vida, fica encantada com o tímido e charmoso hóspede. Filmada na Irlanda, a fita traz um impasse amoroso capaz de comover com delicadeza e sensibilidade. No mesmo ano em que se revelou um excelente intérprete dramático em Nebraska, Will Forte fez mais um personagem carregado de verdade na alma e tristeza nos olhos. Estreou em 18/12/2014.
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  • Primeiro longa-metragem do diretor Fabio Mendonça, essa frustrante comédia é inspirada na peça teatral O Banheiro, de Pedro Vicente. Tudo se passa num único local, a poucas horas da virada do ano. Afobada para dar os últimos retoques a sua festa, Ana (Júlia Rabello) tem pouco tempo para escutar o marido, Duda (Paulo Tiefenthaler). Mas, antes de os convidados chegarem, ele abre a boca e confessa que vai abandoná-la. Ana entra em parafuso e, para não atrapalhar o réveillon, recebe os amigos com um sorriso amarelo na boca e a cabeça cheia de dúvidas. As questões são respondidas com a chegada do casal vizinho: Rosa (Luana Piovani), mulher do metódico e pasmado Mário (Marcos Palmeira), é amante de Duda. Há outros casos conturbados desenrolando-se durante o evento. Entre eles, o desespero de Rica (João Vicente de Castro) ao perceber ter matado o traficante Paulo (Taumaturgo Ferreira). Embora as situações se anunciem como divertidas, a trama carece de um ritmo mais empolgante, combinando com uma celebração de fim de ano. Ou seja: o réveillon, aqui, tem clima de Finados. Estreou em 18/12/2014.
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  • Na década de 80, o solitário Eric Lomax (Colin Firth) conhece a encantadora Patti (Nicole Kidman). Após o casamento, ela se dá conta de que seu marido é um homem perturbado — e não à toa. A esposa vai, então, à procura do melhor amigo dele (Stellan Skarsgard) para saber o motivo. Em 1942, Lomax (na juventude interpretado por Jeremy Irvine) era um soldado do Exército britânico quando seu batalhão foi capturado e feito prisioneiro por invasores japoneses em Singapura. O protagonista, para tentar escutar as notícias do exterior, monta um rádio, descoberto pelos inimigos. Passa, então, por humilhações, espancamentos, torturas psicológicas e físicas. Carregou, portanto, o trauma por quatro décadas, até descobrir que seu algoz, Takeshi Nagase (Hiroyuki Sanada), está vivo. Inspirado em livro autobiográfico de Lomax, lançado pela Editora Planeta, o longa-metragem faz um registro morno da II Guerra Mundial. A empenhada atuação das duas estrelas contorna a lenta narrativa, mas o desfecho, na base da redenção obediente, apaga um iminente incêndio no acerto de contas. Estreou em 18/12/2014.
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  • Criar marionetes de madeira e dar vida a elas no palco é a especialidade do grupo mineiro Giramundo. Para desvendar as técnicas usadas pela trupe há 44 anos e apresentar um panorama de sua produção, o Itaú Cultural organizou a mostra Ocupação Giramundo. Estão ali diversas peças que participaram de histórias como Pedro e o Lobo, O Guarani e Os Orixás, e é impossível não se encantar com o colorido conjunto. Além dos bonecos, chamam a atenção das crianças diversas reproduções de cartazes de espetáculos já apresentados, além de um pequeno palco, montado no centro da área de exposição. No espaço os visitantes podem experimentar (e descobrir como é difícil) manipular os personagens. Para quem estiver com tempo, vale a pena assistir ao vídeo que explica os bastidores da elaboração de cada nova figura. Às quintas e sextas-feiras, entre 15 e 20 horas, um artista trabalha em uma pequena oficina desenhando e construindo marionetes e, nos fins de semana, das 11 às 15 horas, trechos dos espetáculos da companhia são encenados. Estreou em 29/11/2014.  Até 11/1/2015.
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  • Cubana radicada na Venezuela, Ella Fontanals-Cisneros (cuja família é dona da Pepsi no país sul-americano) começou a comprar arte há apenas quinze anos. Nesse espaço de tempo, conseguiu formar uma coleção de peso que inclui trabalhos do brasileiro Hélio Oiticica (1937-1980), do americano Donald Judd (1928-1994) e do venezuelano Jesús Soto (1923-2005), entre outros nomes. Memórias da Obsolescência, em cartaz no Paço das Artes, apresenta trinta vídeos de seu acervo. Impossível assistir a todos em um dia de visita, já que o conjunto soma cerca de oito horas de projeção. Como alguns não contam com bancos para o público acomodar-se, o passeio pode se tornar cansativo. Há, no entanto, filmes de curta duração que transmitem rapidamente a mensagem, como a bela instalação do colombiano Oscar Muñoz, na qual retratos são mergulhados em um líquido fazendo com que a imagem desapareça. A ação é repetida inúmeras vezes, como se fosse um ciclo interminável. A abrangente seleção dá espaço a documentários, ficções e performances produzidos desde a década de 70 até os dias de hoje. Um dos maiores ícones desse estilo, a sérvia Marina Abramovic marca presença entre os artistas escolhidos. Numa das obras, ela aparece nua em um palco, com um esqueleto humano sobre o corpo, como se fizesse contato com a morte. A fotógrafa americana Francesca Woodman, que se matou em 1981, aos 22 anos, faz do corpo sua ferramenta principal, usando-o para pintar ou em insinuações à plateia. Outro destaque é um poético vídeo do sulafricano William Kentridge, que simula uma viagem onírica à Lua. Até 22/3/2015.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO