Paulistano Nota Dez

Casal ensina gastronomia a jovens com deficiência intelectual

ONG Chefs Especiais de Simone e Marcio Berti já atendeu mais de 300 alunos portadores de necessidades especiais

Por: Júlia Gouveia

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Simone Berti: "Um trabalho desses você faz pela dor ou pelo amor. E amor temos de sobra". (Foto: Ricardo D'Angelo)

É comum que o engajamento em projetos beneficentes surja após uma experiência pessoal ou de amigos e parentes. Não foi essa, porém, a motivação do casal Simone e Marcio Berti, fundadores da ONG Chefs Especiais, que dá aulas gratuitas de culinária para adolescentes e adultos com deficiência intelectual. “Só queríamos retribuir pela vida bacana que temos”, conta Marcio, que não conhecia ninguém com problema semelhante quando os dois iniciaram os trabalhos da entidade, em 2006.

De lá para cá, mais de 300 alunos passaram por suas lições. Dono de uma fábrica de panelas em São Paulo, ele já dividia a aptidão por criações na cozinha com a mulher, que é consultora empresarial. Nas oficinas realizadas mensalmente, eles recebem chefs renomados para as aulas. Olivier Anquier, Henrique Fogaça e Carlos Bertolazzi estão entre os profissionais convidados para ensinar o preparo de pratos, que devem ser simples e exigir muita mão na massa.

“Para eles, às vezes, conseguir quebrar um ovo sozinho é um desafio vencido”, relata Simone. O efeito na vida dos aprendizes é, com frequência, radical. Laura Basílio, de 22 anos, participou da ONG por cinco anos e acaba de se formar em gastronomia pela Hotec. “Eles me incentivaram a ter uma carreira”, agradece.

Hoje, seus sonhos são atuar com Alex Atala no premiado D.O.M. e se especializar em confeitaria. A garota tem síndrome de Down, assim como Natália Evangelista, de 16 anos, que ganhou no projeto ânimo para enfrentar, aos 10, o tratamento contra leucemia. “O médico ficou impressionado com a melhora que ela teve”, recorda a fundadora.

Depois de sete anos ministrando os cursos em locais emprestados, o casal inaugura em junho uma sede no Pacaembu. Mesmo com o apoio de algumas empresas do ramo (a Danúbio, por exemplo, paga os 8 000 reais de aluguel), não é fácil bancar os custos de 30 000 reais mensais, mas eles não desanimam.

“Um trabalho desses você faz pela dor ou pelo amor”, resume Simone. “E amor nós temos de sobra.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO