Especial

Passeios imperdíveis de bairros clássicos paulistanos

Conheça os programas mais tradicionais na italiana Mooca e na nipônica Liberdade

Por: Victória Kennedy

Di Cunto - mistérios da cidade 2244
Fundadores da tradicional rotisseria Di Cunto, na Mooca. Foto da década de 40 (Foto: Divulgação)

Paulistanos e turistas se encantam em bairros como a Liberdade e a Mocca graças à herança cultural que eles carregam. Japão e Itália, respectivamente, aparecem em cada cantinho dessas regiões. Para aproveitar o melhor, exploramos cada um deles e reunimos boas sugestões de restaurantes, bares, compras e passeios. Confira. 

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Liberdade

Até o início do século passado, era apenas um bairro como todos os outros que circundam a região da Praça da Sé, mas, com o decorrer dos anos, tornou-se o reduto da maior colônia nipônica fora do Japão -e um dos principais pontos de visita de quem vem à capital.

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Saquês da Adega de Sake
Adega de Sake (Foto: Leonam Bernardo)

Ali, vale começar o passeio pelas compras. Para incrementar a adega caseira, leve para casa uma das diversas opções de saquê vendidas em empórios e mercadinhos em grande variedade — e quantidade. A Adega de Sake comercializa 115 diferentes rótulos do produto. Outra opção, o Kazu Sake Emporium, vende 100 tipos da bebida, além de shochus (destilado popularmente conhecido como a cachaça japonesa) e uísques japoneses. Um Hibiki 21 Anos custa 1 025,00 reais (garrafa de 700 ml).

É difícil acreditar que um estabelecimento comercial em São Paulo seja capaz de existir há 35 anos vendendo apenas livros e revistas em japonês. Pois é exatamente isso que ocorre com a Livraria Fonomag. Demora por volta de três meses até que um material lançado no Japão chegue à loja, localizada no número 242 da Rua da Glória. Mas isso não deixa os produtos muito mais caros — obras de literatura custam, em média, 30 reais, enquanto os mangás valem em torno de 25 reais.

Livraria Fonomag
Publicações japonesas na Livraria Fonomag: 10.000 títulos ao todo (Foto: Leonam Bernardo)

A cerimônia do chá é um ritual tradicional no Japão. Dura aproximadamente quatro horas e os detalhes impressionam. Os convidados recebem uma tigela de chá que deve ser compartilhada por todos os presentes, o que simboliza, de acordo com a filosofia budista, igualdade e respeito mútuo entre os homens. No Centro Chado Urasenke, na rua São Joaquim, 381 (4º andar), as aulas sobre o ritual podem ser agendadas. Com cerca de uma hora e meia de duração, custam em média 40 reais.

A simpática feirinha que ocorre no fim de semana na Praça da Liberdade não é segredo para ninguém. Mas seu passado, talvez, não seja dos mais conhecidos. Se hoje a área recebe apresentações típicas, artesanato e quitutes da culinária oriental, até o início do século XIX o local sediava sessões públicas de enforcamento de criminosos e era chamado de Largo da Forca. Mudou de nome em 1858, dezoito anos antes da abolição da pena de morte no Brasil.

Praça da Liberdade
Praça da Liberdade: o local da simpática feirinha já foi palco de enforcamentos públicos (Foto: Leonam Bernardo)

Se as comidinhas da feirinha não saciarem, aproveite a estação fria para provar uma das opções fumegantes do Lamen Kazu, especializado no delicioso macarrão japonês. Também vêm de lá os caldos (chamados de missô), algas, temperos e condimentos; apenas carnes e legumes mais frescos são comprados aqui no Brasil. Repare na cozinha, que pode ser vista do salão: muitos dos utensílios e equipamentos (alguns deles pouco comuns no Brasil) foram importados da terra do sol nascente.

Para comer, vale ainda uma pausa em restaurantes japoneses como Ban e Sushi Lika ou os chineses Taizan Rong He.

Macarrão hiyashi tchuka, do Lamen Kazu
Hiyashi tchuka (R$ 34,00): servido frio, é uma ótima opção para o calor (Foto: Fernando Moraes)

Outro destaque do bairro, o Templo Busshinji, representante da comunidade zen-budista de tradição Soto Shu, fica na Rua São Joaquim e pode ser visitado. Semanalmente, às quartas e aos sábados, há meditação dirigida especialmente aos iniciantes.

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Para encerrar, um drinque de despedida em um Izakaya, que, em japonês, seria o nosso boteco. Portanto, não espere um ambiente aconchegante, romântico ou familiar. KaburaKintarô e, o mais famoso deles, Izakaya Issa, se encaixam nessa definição, sem deixar a clientela desapontada com o serviço. O menorzinho deles, Kintarô, oferece porções de peixe marinado agridoce, bardana (raiz de broto de bambu com vinagrete) e tofu com acelga chinesa, entre outras delícias.

Salão do Izakaya Issa, na Liberdade
Izakaya Issa: atrás do balcão cerca de quinze rótulos de saquê e dez de shochu (Foto: Sophia Braun)

Mooca

A exemplo do Bixiga, a Mooca é um reduto de famílias com ascendência italiana, o que explica a profusão das cantinas e pizzarias (mais de cem!) e elucida as raízes do famoso sotaque. Para se ter uma ideia de como era a vida no século XIX, vale uma visita à Rua Henrique Dantas. Ali ainda permanecem, na ladeira de paralelepípedos, algumas das casas de três cômodos construídas por operários das fábricas locais. Se a arquitetura despertar seu interesse, visite a Biblioteca Affonso Tauny, que conta com um enorme acervo digital e físico sobre o bairro.

Placar de madeira Juventus 2220a
Ao entrar no estádio, olhe para a bandeirinha de escanteio do lado esquerdo do campo, perto da Rua dos Trilhos. Lá, você encontra um persistente placar de madeira, comandado manualmente por funcionários do clube. A peça chegou a ser brevemente abandonada em 2008, substituída por um modelo eletrônico, mas teve um retorno triunfal em poucos meses, após protesto geral dos tradicionais torcedores do clube. Para atualizarem o escore do jogo, os funcionários sobem por uma estreita escada, apoiando-se em uma laje. (Foto: MARIO RODRIGUES)

Estádio Conde Rodolfo Crespi, ou Estádio do Juventus, se enche de moradores da região para assistir aos jogos comendo os famosos doces de massa folhada recheados de creme de ricota do “Seu Antônio dos canollis”. Durante todo o mês de junho, é realizada a tradicional Festa Junina do Juventus no clube.

Para comer, opções saborosas não faltam. As cantinas San Marco, inagurada em 1975, oferece massas, saladas e carnes caprichadas em porções generosas. As redondas de massa fina da Pizzaria São Pedro são famosas desde 1966. Misto de rotisseria, restaurante e doceria, a Di Cunto, aberta em 1935, atrai moradores do bairro e de outras regiões em busca de massas, doces e pratos -para comer no salão ou levar para casa.

San Marco - Pizzaria
Mussarela com rodelas de tomate: homenagem às redondas de padaria (Foto: Ligia Skowronski)

Descendo a Rua da Mooca, o bar e restaurante Moocaires foge um pouco da tradição para preparar empanadas argentinas de dar água na boca. Por 20 reais, é possível provar uma das iguarias com calabresa, requeijão e provolone. Se a ideia é um doce, não deixe de provar o churro alto recheado até o topo com doce de leite caseiro da Casa do Churro, também na Rua da Mooca, que prepara doces de até 3,30m de comprimento. 

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Cachaça - Bar Quintal da Mooca
Cachaça: 39 rótulos de primeiro time com sotaque mineiro (Foto: Lucas Lima)

Cervejaria do Alemão, no coração boêmio da Mooca, ocupa um sobrado antigo, com paredes coloridas e mesinhas na calçada, servindo chope Brahma. Outro clássico da área é a 1ª Cervejaria da Mooca, pioneira em oferecer cervejas especiais, numa carta com mais de trinta opções. A terceira – e não menos especial – opção de boteco é o Bar Quintal da Mooca, cujo menu tem moelas em molho de tomate, steak tartare e o inusitado edamame, fava de soja verde cozida. Cachaças de primeiro escalão, como as mineiras Canarinha e Anísio Santiago, e cervejas em garrafa completam o acervo etílico.

Fonte: VEJA SÃO PAULO