Trânsito

Passeata na Paulista reúne familiares e amigos de ciclista atropelado

Seguido pela mãe do jovem, o protesto deste domingo (17) foi da Praça do Ciclista até o local onde David Santos Sousa foi atropelado

Por: Marcus Oliveira - Atualizado em

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Cerca de 100 pessoas participaram neste domingo (17) de um protesto na Avenida Paulista em solidariedade ao jovem David Santos Sousa, 21 anos, atropelado no local no último domingo (10). Mesmo com chuva, a passeata durou cerca de duas horas e teve à frente a mãe do jovem, Antonia Ferreira dos Santos, acompanhada de outros familiares e amigos do rapaz, que segue internado no Hospital da Clínicas sem previsão de alta, segundo ela.

Visivelmente abalada, Antonia afirmou que o filho está sabendo de todas as manifestações em prol do seu caso e que não imaginava o carinho que está recebendo. "Sempre temi pela segurança do meu filho. Eu acho isso tudo muito maravilhoso, pois quem sabe assim os governos tomam providência para criar uma lei mais pesada para que não aconteça mais esse tipo de coisa", disse.

Outra presença marcante na caminhada foi a do irmão de David, Bruno Santos Souza, 23 anos. O rapaz comprou uma bike no sábado (16) para participar da homenagem ao irmão. No perscuso, Bruno ajudou os demais ciclistas a fecharem algumas vias para que os outros manifestantes pudessem transitar entre os cruzamentos.

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A manifestação teve início por volta das 17h com pessoas gritando frases como "Mais amor, menos motor". Os participantes seguiram da Praça do Ciclista, próxima à Rua da Consolação, até o metrô Brigadeiro, local onde o jovem Alex Siwek, também de 21 anos, atropelou David. Na sequência, os manifestantes foram até o edifício onde mora o prefeito Fernando Haddad, no bairro do Paraíso. Ao chegarem, foram recebidos pelo filho do prefeito, Frederico Haddad, que prometeu uma reunião entre cicloativistas e órgãos públicos em breve.

Ocupando duas faixas da Paulista, a passeata foi acompanhada por chuva do início ao fim. Entregando panfletos aos motoristas que olhavam tudo do vidro de seus automóveis, a ciclista Rachel Schain afirma que não se sente segura ao andar de bicicleta na cidade, mas conta, que mesmo assim, é preciso se impor no trânsito da capital. "Quando estou sozinha não vejo problema. A gente tem que ser forte quando está de bike. Tenho um filho de nove anos e infelizmente não me sinto segura para andar com ele", comenta.

Munidos de faixas, os participantes fizeram um minuto de silêncio ao chegarem ao ponto onde David foi atropelado. No local, um braço de plástico acompanhado de flores e faixas foi pendurado em um poste. Os familiares de David seguiram até o fim da passeata.

Alex, o motorista, está preso na Penitenciária de Tremembé, no interior do Estado. Ainda não houve nenhum tipo de contato entre as famílias envolvidas. "Se eles me procurarem, pode ter certeza que vou recebê-los. Mas isso ainda não aconteceu", garante Antônia.

Algumas empresas especializadas em próteses se mostraram interessadas em ajudar David, mas ainda não se sabe como isso será realizado. "Entraram em contato com a gente. Eles querem ir até o hospital para ver como está a situação dele. Passamos os contatos dos médicos e até agora não confirmaram nada", diz a mãe.

Fonte: VEJA SÃO PAULO