Roteiro

Páscoa: cinema

Por: Redação VEJA SÃO PAULO on-line - Atualizado em

Rio
'Rio': aguardado filme dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha estreia no Brasil (Foto: Divulgação)

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  • Como a DreamWorks vai lançar "Kung Fu Panda 2" e a Pixar virá com "Carros 2", ambas as fitas ainda neste ano, dá para prever que a nova animação do diretor de "A Era do Gelo" tem tudo para ganhar uma indicação para, e talvez vencer, o Oscar 2012. Ao contrário dos estúdios concorrentes, que optaram por continuações, o brasileiro Carlos Saldanha investiu seu talento numa espetacular aventura praticamente toda ambientada em sua terra natal. Sem modismos pop ou piadas só compreensíveis para os adultos, o roteiro enfoca a trajetória da ararinha-azul macho Blu (voz de Jesse Einsenberg na versão legendada). Raptado ainda bebê no Rio de Janeiro por traficantes de animais, o pássaro vai parar no gélido estado americano de Minnesota. Criado numa livraria, Blu não aprende a voar. Surge então um ornitólogo brasileiro (dublado por Rodrigo Santoro) com uma proposta: levar a ave, uma espécie em extinção, e sua dona para o Rio de Janeiro na intenção de fazê-la cruzar com a espevitada Jade (Anne Hathaway). Na Cidade Maravilhosa carinhosamente homenageada pelo realizador, surgem os contratempos, a diversão e os desafios. Em três belíssimos momentos, o desenho chega a arrancar o fôlego: na subida do bondinho de Santa Tereza, no passeio de asa-delta e na fulgurante passagem de uma escola de samba pela Sapucaí. São imagens emocionantes feitas com técnica invejável em resultado capaz de cativar adultos e crianças com a mesma intensidade. Estreou em 08/04/2011.
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  • O livro "Vips — Histórias Reais de um Mentiroso", de Mariana Caltabiano, serviu de base para o bom roteiro de Bráulio Mantovani ("Tropa de Elite"). Inspirado na criminosa trajetória do farsante Marcelo Nascimento da Rocha, o drama traz um interessante pano de fundo psicológico para dar mais liberdade e respiro à trama. Criado pela mãe, uma cabeleireira do Paraná (papel de Gisele Froes), esse jovem pretende seguir a carreira do pai, um piloto da aviação. Embora inteligente e astuto, Marcelo não se encaixa nos padrões convencionais e, desde cedo, finge ser o que não é. Em sua primeira empreitada longe de casa, se manda para Mato Grosso do Sul, onde descola um bico como piloto (sem brevê) de traficantes na fronteira com o Paraguai. Marcelo, porém, ganhou fama ao se passar por Henrique Constantino, filho do dono da Gol, em caso que ganhou a mídia e o levou à prisão. Estreante no longa-metragem, Toniko Melo, escudado na competente produção da O2 Filmes, de Fernando Meirelles, conquista a atenção da plateia com uma história instigante e narrada de forma absorvente. Muito da sedução, contudo, vem da formidável atuação de Wagner Moura. Na pele do protagonista, esse grande ator consegue raro equilíbrio entre insanidade e cinismo para compor o personagem. Estreou em 25/03/2011.
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  • Antes ou depois do premiado e controverso "Gosto de Cereja" (1997), o cineasta iraniano Abbas Kiarostami quase sempre manteve o foco nos problemas e no povo de seu país — tanto em ficções, caso de "Através das Oliveiras" (1994), como nos documentários, a exemplo de "10 sobre Dez" (2003). De uns anos para cá, o diretor decidiu radicalizar ainda mais. No dificílimo "Shirin", de 2008, fez um registro das expressões faciais de uma plateia feminina diante da exibição de um filme romântico. Há algo também de inusitado, complexo, original e bem mais animado no drama "Cópia Fiel", que deu a Juliette Binoche o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes do ano passado. Em sua primeira fita rodada na Europa, Kiarostami acompanha a jornada de uma francesa na Itália. Dona de uma galeria em Arezzo, na Toscana, a quarentona interpretada por Juliette assiste, por vezes distraída, à palestra do escritor britânico James Miller (papel do barítono William Shimell). Trata-se de uma apresentação calorosa sobre as obras de arte e suas reproduções, as tais cópias fiéis. Após um breve encontro em sua loja, a personagem leva James para um passeio no encantador vilarejo de Lucignano. Tudo se passa num único dia. No bate-papo com a dona de um café, a protagonista muda o rumo da trama dizendo ser mulher do escritor. Os diálogos entre eles, antes impessoais e na língua inglesa, passam a ser em francês e atingem esferas mais íntimas. Quanto há de verdade e mentira no argumento de Kiarostami? Talvez nem mesmo o próprio fosse capaz de revelar. E é justamente sob o signo do insolúvel que faz a brincadeira de "Cópia Fiel" ficar ainda mais curiosa e fascinante. Em formidável jogo de cena, os dois atores (sobretudo Juliette) se desdobram para dar conta de atuações sob longos planos-sequência, uma especialidade do realizador, aqui se reafirmando como um dos mais instigantes do cinema atual. Estreou em 18/03/2011.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO