Patrimônio

Sem recursos para se manter, Parque Serra da Capivara fecha as portas

Niède Guidon, principal figura na luta pela conservação do local, ordenou a saída de funcionários após bloqueio de recursos

Por: Veja São Paulo

Inscrições rupestres no Parque Nacional da Serra da Capivara
Patrimônio Mundial da Unesco, o parque não recebe recursos suficientes do governo para sua manutenção (Foto: Renato de Souza)

Uma das maiores atrações culturais e turísticas do país, o Parque Serra da Capivara, localizado em Raimundo Nonato, no Piauí, fechou as portas nesta quarta-feira (17). O motivo é a falta de verbas.

O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, divulgou na tarde de hoje uma nota afirmando que fez um repasse emergencial de 1 milhão de reais, proveniente do orçamento da pasta, para a manutenção do parque; mas ainda não há previsão para a reabertura do local.

Criado em 1979, o parque nacional é Patrimônio Mundial da Unesco e abriga os mais antigos vestígios da ocupação humana no país, com mais de 30 000 pinturas rupestres. Ele é administrado desde 1986 pela arqueóloga Niède Guidon, a primeira pesquisadora a investigar as pinturas; mas há anos ela vinha se queixando da escassez de recursos para a manutenção do lugar.

Inscrições rupestres no Parque Nacional da Serra da Capivara
Um dos trechos com desenhos nas paredes: ao todo são mais de 30 000 pinturas rupestres (Foto: Gilvan Barreto)

A seção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Piauí havia entrado com uma ação civil pública contra a União, o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para obrigá-los a fazer uma dotação específica para manutenção, funcionamento e preservação do parque. O juiz, porém, rejeitou a liberação do recurso. Ao saber da decisão na manhã de ontem, Niède decidiu paralisar os serviços.

Canyon do Parque Nacional da Serra da Capivara
 Parque Nacional da Serra da Capivara: patrimônio tem mais 14 trilhas e 64 sítios arqueológicos (Foto: Renato de Souza)

A mensagem, obtida pelo jornal O Estado de S. Paulo diz: "Niède Guidon acabou de ordenar a saída imediata dos seus funcionários do parque, alegando que se a Fumdham (Fundação Museu do Homem Americano, criada para preservar o parque) e o ICMBio não têm termo que possibilite o repasse de recurso, também não pode estar desempenhando atividades no parque. As guariteiras vão se retirar assim que saírem os últimos turistas e não retornam mais. Amanhã (17) e sexta (18) o parque estará fechado". A Unesco também foi informada.

Pedra furada, no Parque Nacional da Serra da Capivara
Pedra Furada, uma das principais atrações locais (Foto: Fabio Peixoto)

Custos

Niéde relatou que o parque, de 129 000 hectares, tem hoje somente 36 funcionários (já foram mais de 270 há dois anos) e que o salário deles do mês passado - no total de 53 000 reais -, ela pagou do próprio bolso. Para funcionar em condições mínimas, com 78 funcionários em 13 guaritas, seriam necessários 250 000 reais por mês.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO