Consumo

Empresas apostam na criação de papinhas com produtos orgânicos

Artigos infantis são produzidos por chefs ou por equipes de nutricionistas e podem custar até 22 reais

Por: Aretha Yarak

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João e Camilla: almoço com polenta de quinoa (Foto: Fernando Moraes)

João Francisco, de 1 ano, já entrou na onda gourmet da gastronomia. No lugar de pratos com batata, mandioca, cenoura e ameixa, entre outros, ele prova coisas como saint-peter com legumes na moranga ou massa integral acompanhada de fraldinha e aspargos.

Até agora, sua receita predileta é o ragu de carne com polenta de quinoa. O cardápio, no entanto, não é preparado por sua mãe, a blogueira Camilla Junqueira, de 38 anos. Tudo leva a marca da Gourmetzinho, empresa lançada no ano passado. Os preços vão de 8,50 a 15,50 reais (as versões industrializadas de papinha custam, em média, 4 reais).

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Para a sobremesa, há frutas e o doce de abóbora com água de coco e damasco (8,50 reais). Camilla gasta por mês cerca de 300 reais com as encomendas. Antes disso, ela fazia o almoço e o jantar do garoto no fogão. “Hoje, procuro qualidade, praticidade e sabor”, diz.

Quem cuida da Gourmetzinho é Amilcar Azevedo, chef de cozinha do restaurante Nou, em Pinheiros. Ele elabora os menus com a ajuda de nutricionistas e de uma pediatra. Ao lado da mulher, Karolina Azevedo, o profissional criou a empresa de comidas diferentes para crianças. “Fazíamos o cardápio do nosso primeiro filho em casa e, pela procura de amigos e pessoas próximas, percebemos que havia mercado”, conta Karolina, mãe de Bernardo, de 2 anos, e Benjamin, de 7 meses.

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Produto da recém-lançada Papababa: cardápio e práticas de higienização e manuseio produzidos por uma equipe de 12 nutricionistas (Foto: Divulgação)

O negócio cresceu e, em menos de um ano, eles se mudaram de uma cozinha com 15 metros quadrados para outra quase sete vezes maior. “O diferencial é o sabor”, acredita Azevedo. Atualmente, são vendidas cerca de 12 000 unidades por mês. Os pedidos podem ser feitos na loja, que fic ana Rua Cerro Corá, ou pelo site da marca.

Pioneira no setor, a Empório da Papinha abriu a sua primeira unidade na capital em 2009. A vida pessoal de Maria FernandaThomé de Rizzo foi a motivação para que ela investisse nesse nicho. “Eu estudava e trabalhava durante o dia e ainda precisava fazer o jantar da minha filha à noite”, lembra. “Era muito cansativo.”

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Com o selo de produto orgânico e registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Empório hoje está em dezoito estados. São produzidas cerca de 45 000 unidades por mês, comercializadas em 45 pontos de venda, entre quiosques em shoppings e lojas. A previsão de faturamento para 2015 é de 4 milhões de reais, o dobro da receita do ano passado. Em São Paulo, seus artigos podem ser encontrados em oito locais. “É o produto ideal para quem trabalha e quer uma alimentação saudável para o filho”, elogia Andreia Rosin, de 39 anos, cliente desde 2014.

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De acordo com Adriana Sevilha Gandolfo, nutricionista do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, a papinha natural pode ajudar a desenvolver o paladar da criança, já que tem mais sabor e consistência próxima à da caseira. “Mas é importante que esse alimento seja secundário. Sempre que possível, os pais devem preparar a refeição do filho”, diz. Ela adverte ainda que é preciso ficar atento à conservação das embalagens. “Esse cuidado é essencial para a segurança alimentar de uma criança tão pequena, principalmente no caso dos produtos vendidos frescos”, completa.

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Inaugurada no dia 10 de setembrono Itaim Bibi, na Zona Sul, a Papababa é o empreendimento mais recente do gênero por aqui. Nasceu da parceria entre a chef Diana Brito e a designer Eve Roumilhac. Ambas são casadas com sócios do grupo dono dos bares La Maison Est Tombée, Vaca Véia e Só Shots. Já na primeira semana, foram vendidos quarenta potes por dia.

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O chef Amilcar Azevedo: receitas divididas por faixa etária (Foto: Mario Rodrigues)

Cerca de 90% dos ingredientes são orgânicos e tudo é preparado em uma cozinha envidraçada, projetada para que os clientes acompanhem o processo de produção. “Uma equipe com doze nutricionistas é responsável pelas regras de manipulação e higienização”, afirma Diana. Por ali, as unidades são frescas ou congeladas e custam de 9 a 22 reais. Entre as opções ara bebês de 6 a 9 meses estão carne com inhame, cenoura e couve e lentilha com cenoura e salsinha.

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Quem prefere comprar uma papinha fresca pode fazer encomendas na Cumbuca (as concorrentes vendem, basicamente, produtos congelados). Inauguradaem dezembro de 2014 com investimento inicial de 200 000 reais, a empresa trabalha com oito tipos de receita ,preparados sob encomenda. “Usamos ingredientes orgânicos, sem adição de açúcar, conservantes ou corantes”, diz Renata Decoussau, uma das sócias.

Por 19 reais é possível levar artigos como a polenta de carne, feita com fubá, lentilha, músculo bovino, molho de tomate caseiro, espinafre, farinha de linhaça e manjericão. Cerca de 80% dos pedidos são entregues de bicicleta. “Pensamos em um modelo de negócio que fosse sustentável em todas as suas fases”, justifica Renata.

Fonte: VEJA SÃO PAULO