Família

Os pais que adotaram crianças abandonadas por mães viciadas em crack

Em 2015, foram registrados mais de setenta casos de bebês deixados por usuárias da droga

Por: Ana Carolina Soares e Rosana Zakabi - Atualizado em

CAPA 2498 Criança crack
O médico Marcelo Neubauer de Paula com a filha B., de 5 anos: deixada na maternidade (Foto: Leo Martins)

Gerado por mãe alcoólatra, moradora de rua e usuária de drogas ilegais, M., de 7 meses, teria um futuro sombrio pela frente, não fosse por uma obra do destino: foi adotado em agosto pela fotógrafa paulistana Annie Aline Bacarat. Hoje, vive em um apartamento confortável na Água Branca, na Zona Oeste, e tem um quarto só para ele, colorido e cheio de brinquedos. “Eu não esperava um presente de aniversário tão perfeito”, comemora Annie.

Ela completou 38 anos em 5 de agosto, data em que tirou o garoto do abrigo. Histórias com um final feliz parecido têm ocorrido com certa frequência na Vara Central da Infância e da Juventude. O lugar se encarrega dos bebês e das crianças deixadas por mães viciadas em drogas que vivem na Cracolândia.

Várias mulheres abandonam os filhos nos hospitais públicos situados nas imediações da Praça Júlio Prestes logo depois de dar à luz. Algumas chegam a esses locais com a bolsa amniótica estourada, carregando consigo cachimbos e pedras de pasta de cocaína. Depois do parto, voltam às ruas para consumir essas substâncias, como se nada tivesse acontecido.

No ano passado, foram registrados mais de setenta casos do tipo na região, 10% mais do que a média de 2011. O drama aumenta na esteira do crescimento do fluxo de consumidores de crack no pedaço, a despeito de vários investimentos dos governos estadual e municipal na área para tentar resolver o problema. Muitos planos tiveram um alcance limitado ou simplesmente fracassaram de forma retumbante.

Crianças abandonadas crack
Annie Bacarat, fotógrafa, com M., de 7 meses (Foto: Leo Martins)

Esse descontrole do poder público se reflete na multiplicação de casos de gravidez na Cracolândia. “É um fenômeno triste, mas que tem levado esperança a muita gente”, define a juíza Monica Arnoni, responsável pela vara central, referindo-se às pessoas que recorrem ao local dispostas a fazer uma adoção. Em nenhum outro lugar as chances de sucesso são tão grandes.

Ali, a fila de espera para uma criança de até 2 anos leva em torno de 24 meses. Nas outras dez varas espalhadas pela capital, a média é de quatro anos. “O motivo certamente é a grande concentração de bebês por causa da proximidade com aquela região de consumo de drogas”, afirma Reinaldo Cintra, desembargador da Coordenadoria da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo.

As famílias que procuram os filhos da Cracolândia são formadas por casais de classe média, entre 30 e 40 anos (veja nos quadros ao longo da reportagem algumas dessas histórias). Moradores da Água Rasa, na Zona Leste, a professora Thais Heer e seu marido, o engenheiro Ricardo Kiste, estão juntos desde 2006 e tentaram ter um filho biológico por sete anos, sem sucesso.

Thais resolveu, então, ceder aos pedidos do marido, que sempre preferiu a adoção. “Há muita criança carente no mundo”, justifica Kiste. Em dezembro de 2013, eles entraram com a documentação e passaram por todas as fases do processo, que começou com entrevistas com psicólogos e assistentes sociais. Além disso, precisaram entregar uma papelada, que incluiu comprovante de residência, de renda (é necessário ao menos um salário mínimo por membro da família) e uma check-list preenchida com o perfil desejado da criança.

cracolância
Os arredores da Praça Júlio Prestes: cerca de cinquenta grávidas vivem hoje por lá (Foto: Fábio Braga/Folhapress)

Para Thais e Ricardo, a única exigência era que ela tivesse até 4 anos, com doença curável. A maratona burocrática só terminou em fevereiro de 2015, quando foram aprovados e entraram na fila. Esperaram até agosto daquele ano, no momento em que a assistente social ligou para que eles conhecessem um menino de 7 meses. A. era pouco desenvolvido para sua idade — não engatinhava nem balbuciava — e tinha sífilis presumida, herança da mãe biológica (foi curado algumas semanas após o nascimento). “Nada disso importava”, lembra Thais. “Bati os olhos e senti amor à primeira vista.” O casal arrumou o quartinho da criança em uma semana, com decoração inspirada no livro O Pequeno Príncipe.

Adotar um menino da Cracolândia requer dose extra de dedicação e preparo dos futuros pais. “As grávidas que vivem em condições precárias têm grande probabilidade de passar aos seus filhos doenças sexualmente transmissíveis, entre elas hepatite, aids e sífilis, que podem provocar convulsões e até a morte do recém-nascido”, relata a infectologista Marinella Della Negra, uma das pioneiras no atendimento de pacientes com HIV no Brasil.

Para minimizar os danos, hospitais que costumam receber essas mulheres, como o Leonor Mendes de Barros e a Santa Casa, no centro, fazem exames na mãe assim que ela chega ao local. O bebê diagnosticado com sífilis presumida toma doses de penicilina nos três primeiros dias de vida.

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Quando se detecta o HIV na mãe, ela e o recém-nascido recebem um coquetel de medicamentos antirretrovirais durante a cesárea. A criança continuará tomando os remédios diariamente até completar 4 meses. Encerrado esse período, é feita uma nova avaliação. Em aproximadamente 70% dos casos, o vírus é eliminado depois desse tratamento. Mesmo com o resultado negativo, a criança precisará passar por testes regulares até completar 1 ano e meio.

“Antes de eu conhecer minha filha, as assistentes sociais nos avisaram que ela tinha nascido com HIV, mas que o vírus já havia sido eliminado”, conta a economista Anna Bonizzi, 39. “Ainda assim, as profissionais disseram que havia o risco de aparecerem problemas neurológicos no futuro.” Os alertas não mudaram sua opinião. “Nossa decisão de adotar já estava tomada”, diz Anna. “E o prognóstico nunca se confirmou”, completa. Desde 2012, ela é mãe de J., hoje com 5 anos.

Crianças abandonadas crack
Ricardo Hilgenberg, empresário, com a mulher, a advogada Luciana, e a filha B., de 3 anos (Foto: Rogerio Albuquerque)

Em situações convencionais, nas quais as gestantes soropositivas fazem o pré-natal regularmente, a probabilidade de transmitir o HIV para o feto é de 4%. Isso ocorre porque as futuras mães recebem medicamentos para reduzir a carga viral, o que diminui a possibilidade de ocorrer a chamada transmissão vertical. Não é a realidade das usuárias de drogas, que quase nunca tomam tal cuidado. “Mulheres soropositivas sem tratamento têm de 25% a 30% de probabilidade de passar o vírus para o bebê”, diz Jean Gorinchteyn, médico infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

Além disso, a desnutrição da mãe pode causar graves problemas imunológicos e debilidades no fígado, intestino e cérebro. O abuso de substâncias psicotrópicas pela gestante também costuma afetar diretamente o organismo do recém‑nascido. “Ele apresenta dependência química e passa três dias com crise de abstinência. De acordo com o quadro, recebe sedação”, conta Corintio Mariani Neto, diretor do Hospital Leonor Mendes de Barros. “Futuramente, os entorpecentes podem provocar esquizofrenia, hiperatividade e depressão, além de tendência a dependência química”, acrescenta Carolina Marçal, coordenadora do Serviço de Psiquiatria da Criança e do Adolescente do A. C. Camargo Cancer Center.

Outro problema enfrentado pelas novas famílias é o preconceito — tanto por ter uma criança adotada, como pela sua origem na Cracolândia. “Certa vez, minha vizinha perguntou: ‘É sua filha mesmo?’. Respirei fundo e respondi: ‘Sim, esperei por mais de cinco anos’”, relembra a advogada Luciana Hilgenberg, 40, mãe de B., 3.

Para minimizarem os efeitos desse estigma, muitos pais optam por matricular as crianças em colégios que trabalham bem a questão da inclusão e da diversidade. “Pusemos nossa filha numa escolinha escolhida a dedo”, diz o médico infectologista paulistano Marcelo Neubauer de Paula, 47, pai de uma garota de 5. “Além de colegas de etnias e classes sociais diferentes, havia na sala dela dois outros vindos da vara central.”

Criança  abandonada crack
Anna Bonizzi, economista, com o marido, o sociólogo Bernardo Ricupero, e J., de 5 anos (Foto: Leo Martins)

Depois de adotar T., hoje com 4 anos, em 2013, a jornalista e empresária Ana Davini, 40, decidiu escrever uma espécie de manual sobre o assunto, Te Amo até a Lua, lançado em junho pela editora Magu. “Meu objetivo foi tentar acabar com a discriminação e incentivar a causa, mostrando que não é um ‘bicho de sete cabeças’”, explica. Ela e o marido, o administrador hoteleiro Daniel Ramires, 36, recusaram a primeira criança oferecida pela vara central. “Foi um erro da assistente social. A menina tinha o risco de paralisia cerebral, e na ficha havíamos deixado claro que não queríamos isso”, justifica Ana. “Depois, tivemos de passar por avaliação psicológica novamente e esperar mais seis meses até a chegada de T.”

O drama das crianças abandonadas na Cracolândia deve continuar crescendo. Segundo os voluntários e assistentes sociais que atuam na região, há hoje cerca de 600 usuários de crack no fluxo, 20% mais do que no mesmo período do ano passado. O posto do Programa Recomeço — Conexão Rua, iniciativa do governo estadual de resgate aos dependentes, montado na região da Praça JúlioPrestes, atendeu nos últimos dois meses 21 grávidas, mas estima-se que o número de gestantes que moram ali ou frequentam o ponto seja bem maior: cerca de cinquenta.

“Há uma tenda aqui que distribui preservativos, e encaminhamos as mulheres aos postos de saúde para receber anticoncepcionais gratuitos. Só que poucas seguem nossas orientações”, lamenta a pastora Nildes Nery, responsável por uma ONG com forte atuação na área. “Quando elas engravidam, nós não incentivamos a adoção, ao contrário: fazemos de tudo para que elas larguem as drogas e cuidem dos filhos, mas a maioria não consegue.”

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Frequentadora da Cracolândia há quatro anos, a mineira Izabel Cristina Pereira, 32, deixou seu recém-nascido na Santa Casa no início do ano passado, depois de dar à luz. “Não tive alternativa, pois estava morando na rua”, justifica ela, que está grávida novamente, de quatro meses. “Desta vez, estou dividindo uma casa com uma amiga na Freguesia do Ó. Então, acho que consigo criar este filho”, acredita.

A paulista Evelyn Vikione da Silva, 24, já entregou dois filhos para adoção, o último deles em setembro. “As crianças não podiam ficar neste ambiente”, justifica. Ela é soropositiva e vive no centro desde 2009. “Há grávidas o tempo todo entre a gente. De repente, a barriga some e não aparece bebê algum”, comenta Suzana Souza, 40, outra usuária residente do pedaço. “Algumas deixam os nenês com as avós. Mas e quem não dispõe disso? Precisa dar ou vender.”

Legalmente, essas mulheres podem deixar o recém-nascido para adoção, bastando declarar sua vontade para um juiz da vara da infância. Boa parte, no entanto, nem isso faz: um dia após o parto, foge do local sem deixar vestígios. Felizmente, muitas famílias paulistanas estão dispostas a mudar a sina das crianças nascidas em tal ambiente. A despeito das dificuldades, preconceitos e eventuais sequelas de doenças, o futuro delas certamente será bem mais promissor nos novos lares. “Com boa educação, amor e carinho, a criança pode superar tudo isso e levar uma vida normal”, acredita a psiquiatra Carolina Marçal.

UM LAR PARA OS FILHOS DO CRACK

Crianças abandonadas crack
Marcelo Neubauer de Paula, médico infectologista, com B., hoje com 5 anos (Foto: Alexandre Battibugli)

Choro à noite no quarto. “A menina chegou a nossa vida em maio de 2012. No caminho do abrigo para casa, olhava pela janela maravilhada e se empolgava ainda mais quando passava um caminhão. Até hoje, gosta deles. No começo, notamos que B. achava estranho ter sempre as mesmas pessoas ao seu redor e chorava à noite no seu quarto. Aos poucos, foi se acostumando. Em agosto, minha esposa, que também era médica, faleceu devido a uma hepatite fulminante. É difícil até hoje suportar essa ausência, mas minha filha me dá forças para continuar.”

Crianças abandonadas crack
Anna Bonizzi, economista, com o marido, o sociólogo Bernardo Ricupero, e J., de 5 anos (Foto: Leo Martins)

Bebê como vírus HIV. “A mãe biológica de J. morava na Cracolândia e era soropositiva. Por isso, a bebê nasceu com HIV. Felizmente, passou por um tratamento e conseguiu se ver livre do vírus. Quando a adotamos, no fim de 2012, ela já estava curada. Hoje, frequentamos grupos de apoio a famílias como a nossa. Levamos a menina às reuniões para ela ver que o seu caso não é único.”

Crianças abandonadas crack
Annie Bacarat, fotógrafa, com M., de 7 meses, no colo (Foto: Leo Martins)

A decisão que contrariou amigos. “Eu tinha o sonho de ser mãe, mas meu ex-namorado nunca quis. Então, decidi terminar a relação e, em janeiro de 2015, entrei sozinha na fila de adoção. Esperava por uma criança de até 2 anos, não importava a etnia, o sexo nem se tinha problemas de saúde, desde que não fossem muito graves. Meu desejo foi  atendido no mês passado, quando M. entrou na minha vida. Ele tinha hepatite C (doença que pode causar cirrose já na adolescência), mas foi tratado, e o último exame deu negativo. Ouvi de amigos considerações bem duras. Diziam que ele poderia herdar um comportamento rebelde, viciar-se em drogas ou desenvolver doenças ao longo da vida. Ignorei as advertências e não penso em nada disso. Tenho certeza de que meu amor vai levá-lo a bons caminhos.”

Crianças abandonadas crack
Thais Heer, professora, com o marido, o engenheiro Ricardo Kiste, e A., de 1 ano (Foto: Rogério Albuquerque)

Susto no primeiro encontro. “Quando peguei A. pela primeira vez no colo, ainda no abrigo, em agosto do ano passado, ele regurgitou. As assistentes sociais olharam para mim assustadas. Mas tudo o que eu conseguia fazer era chorar, emocionada por conhecer o meu filho. Nessa hora, disse ao bebê: ‘Fique tranquilo, vou cuidar de você’. No começo, ele era muito quieto, mas hoje é espoleta. Até ensaia algumas palavras em inglês, ensinadas pelo pai.”

Crianças abandonadas crack
Sheila Rodriguez, gerente financeira, com o ex-marido, o gerente Alessandro Lata Rodriguez, e os gêmeosG. e L., de 4 anos (Foto: Leo Martins)

Mãe de verdade. “Quando conhecemos os gêmeos, no fim de 2013, G. foi receptivo desde o início, mas L. era arredia. A situação só melhorou quando eles passaram o primeiro fim de semana em casa. A partir de então, L. começou a abrir um sorriso imenso sempre que me via. Segundo a psicóloga que nos atendia, ela mudou ao perceber que teria uma mãe de fato, em quem poderia confiar. Hoje sou separada, mas o pai continua muito presente.”

Crianças abandonadas crack
Ana Davini, empresária, com o marido, o administrador hoteleiro Daniel Ramires, e T., de 4 anos (Foto: Leo Martins)

Ela conquistou os pais com um gesto. “Tentei engravidar por seis anos, parte desse período fazendo tratamento para resolver uma endometriose severa. Nada deu certo. Então, partimos para a adoção. Foram dois anos e meio de espera, entre processos burocráticos e fila. Assim que conhecemos T., na época com 1 ano e 1 mês, ficamos em dúvida se a adotaríamos ou não. Mas quando ela esticou os braços para vir para o meu colo, percebi que já era nossa filha.”

Crianças abandonadas crack
Ricardo Hilgenberg, empresário, com a mulher, a advogada Luciana, e a filha B., de 3 anos (Foto: Rogerio Albuquerque)

Começo cercado por desconfiança. “B. demorou a me encarar como pai. Foi um início duro. As assistentes sociais diziam que era porque até 1 ano e 4 meses, quando a adotamos, ela só tinha contato com as mulheres do abrigo e não estava acostumada com a presença masculina. Com minha esposa, a empatia foi imediata. O problema se resolveu após algumas semanas de convivência. Hoje, somos grudados.”

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  • Portugueses

    Rancho Português - Leitão à Bairrada

    Avenida dos Bandeirantes, 1051, Vila Olímpia

    Tel: (11) 2639 2077

    VejaSP
    10 avaliações

    Precedido por um grande empório, no qual podem ser comprados de vinhos a queijos e de louças a peças de decoração, é indicado para ir sem pressa. O leitão (R$ 143,00, para dois) que dá nome à casa vem bronzeado e de pele quebradiça sob a qual se esconde a carne macia. Chamado de joão do grão (R$ 209,00, para três), o ótimo bacalhau é apresentado com grão-de- -bico, batata, cenoura e brócolis verdinhos, mas cozido demais. No arremate, um doce divino e raro: o pão de ló de ovos como só se encontra em Portugal (R$ 18,90).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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    Restaurant Week 2016

    Atualizado em: 30.Set.2016

    A 19ª edição do evento vai até o dia 16 de outubro
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  • Franceses

    Bistrot de Paris

    Rua Augusta, 2542, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3063 1675

    VejaSP
    16 avaliações

    Parece detalhe, mas uma gentileza da brigada é capaz de deixar a experiência de sair para comer fora mais agradável. Em dias de chuva, como é simpático alguém com guarda-chuva acompanhá-lo pela galeria ao ar livre que separa a rua do salão, não? Na cozinha do chef francês Alain Poletto, quase tudo se sai bem. A exceção: o clássico moules et frites (R$ 59,00), porção de mexilhões insossos com fritas. Na regra de qualidade exemplar estão as costelinhas de porco confitadas (R$ 54,00), acompanhadas de purê de maçã e chips de batata-doce, e a musse de chocolate com bastante sabor de cacau, servida direto da travessa em porção generosa, por R$ 16,00.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Chope e cerveja

    Empório Alto dos Pinheiros

    Rua Vupabuçu, 305, Pinheiros

    Tel: (11) 3031 4328

    VejaSP
    17 avaliações

    Um tufão chamado crise econômica e alta do dólar passou por São Paulo. O resultado se mostrou devastador: as prateleiras perderam um sem-número de rótulos de cerveja. No Empório Alto dos Pinheiros não foi diferente: há um ano tinha 750 opções, hoje exibe 660. “Os importadores deram uma segurada”, explica o sócio Paulo Almeida. Ainda assim, o lugar permanece com uma das maiores ofertas — nacionais e internacionais — da cidade, para onde o GPS dos cervejeiros continua a apontar. O visitante, ao chegar, diverte-se escolhendo sua garrafa direto das geladeiras. Se preferir, pode passar no caixa, botá-la na sacola e bebê-la em casa. Até o fim do ano, o endereço vai aumentar a quantidade de chopes de 34 para 44, conservados em uma câmara fria debaixo do balcão.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Padarias

    Dona Deôla - Pompeia

    Avenida Pompéia, 1937, Vila Pompeia

    Tel: (11) 3672 6600

    VejaSP
    3 avaliações

    Lembra uma padaria de bairro, mas tem funcionamento 24 horas e estrutura (e preços) de rede. Para solicitar o atendimento dos funcionários, há uma campainha instalada sobre as mesas. A qualquer hora do dia, peça o pão de queijo na chapa com requeijão (R$ 5,90) para acompanhar o expresso (R$ 3,90). Se a ideia for fazer um lanche reforçado, há sanduíches como o de peito de peru, queijo branco, alface e tomate no croissant (R$ 14,30). É difícil resistir aos bolos gigantes que repousam sobre o balcão, vendidos em fatias do tamanho da gula do cliente. O de bem-casado intercala pão de ló e doce de leite polvilhados com açúcar (R$ 42,30 o quilo). Durante a temporada de frio, monta um farto bufê de sopas por R$ 31,90. A unidade da Pompeia fecha às 22h aos domingos e só reabre às 6h de segunda.

    Preços checados em 25 de abril de 2016.

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  • Exibida no Brasil pelo canal por assinatura Discovery Kids, a animação inglesa Peppa Pig virou hit entre os bebês e as crianças menorzinhas. Criada há onze anos, a série narra histórias da carismática porquinha cor-de-rosa de 4 anos Peppa. O sucesso é tanto que uma de suas aventuras ganhou adaptação para o teatro, cujos ingressos, caríssimos, saem por até 100 reais. A boa notícia: se você for acompanhado de uma criança que é fã da atração, ela não vai se decepcionar. Os bonecos e os cenários reproduzem fielmente o desenho, e a história simples (e didática) segue a linha do que passa na televisão. Em Peppa Pig — A Caça ao Tesouro a protagonista se junta aos amigos Daisy (Belu Oliveira, Morgana Ayako e Natalia Antunes, em revezamento) e Pedro o Pônei, além do irmão caçula, George, em uma aventura que envolve pirata e mistérios. A ideia é seguir as pistas até encontrar o tal tesouro. Para ajudá-los na missão aparecem ainda Dona Coelha e Vovô Cão. A garotada participa ativamente da apresentação respondendo às charadas e cantando com o elenco. Todo o espetáculo traz uma base pré-gravada de diálogos e músicas, e Daisy, a única personagem vivida por uma intérprete sem figurino de boneco, é quem se dá mal. Na sessão que conferimos, em 25 de janeiro, os movimentos da boca da atriz Belu Oliveira não sincronizavam com o som em vários momentos e o resultado ficava muito, mas muito artificial. Estreou em 17/1/2015. Dias 9 e 12/10/2016.
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  • Peças bem avaliadas voltam aos Palcos

    Atualizado em: 29.Set.2016

  • Um dos shoppings mais preparados para receber crianças, o JK Iguatemi programa para este fim de semana a série Oficinas Divertidas. São sessões curtinhas, de vinte minutos de duração, nas quais os meninos e meninas se divertem com alguns dos brinquedos da moda, como os pôneis do My Little Pony e os robôs dos Transformers (também serão distribuídas tatuagens temporárias com o tema). Na linha mais artesanal, haverá massinha de modelar para fazer esculturas. Dias 1º e 2/10/2016.
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  • Obra-prima do irlandês Samuel Beckett  (1906-1989), Esperando Godot é frequente objeto de citações de diretores-cabeças e, sem trégua, ganha montagens pelos palcos afora — uma outra, lançada em abril, também pode ser vista na cidade, no Teatro Faap.  Quase sempre, a proposta vem mergulhada em um pessimismo que não impacta tanto o espectador já experiente em relação ao texto. Dirigida por Elias Andreato, a nova versão da tragicomédia carrega um diferencial: o infinito atraso do personagem do título aproximou os mendigos Estragon e Vladimir (interpretados respectivamente por Andreato e Claudio Fontana) e, dessa intimidade, a dupla tira forças para seguir adiante no desgastante objetivo de aguardá-lo. Enquanto divagam, contam piadas, brigam, fogem um do outro e retornam à estrada, os dois cruzam com novos personagens — o carrasco Pozzo (papel de Raphael Gama), o escravo Lucky (Clovys Torres) e um  mensageiro (Guilherme Bueno). A companhia de um ao outro, no entanto, é suficiente e, como em um casamento, Estragon e Vladimir desafiam o tempo em nome da rotina. Em uma trilha clownesca, Andreato sublinha as tiradas espirituosas, enquanto Fontana, introspectivo, opta por um caminho delicado e poético. Estreou em 9/9/2016.  Até 27/11/2016.
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  • Entre 2008 e 2010, a atriz e produtora Denise Fraga fez sucesso à frente de A Alma Boa de Setsuan. Agora, ela visita de forma bem-sucedida outra marcante comédia de Bertolt Brecht (1898-1956). Na trama, ambientada na Itália do século XVII, o cientista Galileu (interpretado pela própria Denise, sem se preocupar em carregar nos trejeitos ou na caracterização masculina) defende a ideia de que o Sol é o centro do universo e a Terra gira em torno dele. Não tarda a enfrentar a oposição da Igreja e a perseguição daqueles que não aceitam suas ideias e posicionamentos contestatórios. O alto preço pela ousadia chega, e Galileu é obrigado a recuar para não trair seus princípios e ser derrotado. Carismática e popular, Denise tem um raro talento: oferece ao público, através de seus espetáculos, mensagens sociais disfarçadas de mera diversão e promove uma oportuna reflexão a quem estiver disposto a decifrar as entrelinhas. A diretora Cibele Forjaz, sempre criativa, busca apoio no teatro de revista e politico, trazendo à tona polêmicas ligadas à nossa realidade, como os recentes panelaços contra o governo federal. A duração de quase duas horas e meia é um tanto exagerada e, por vezes, apresenta cenas bastante arrastadas. Com Ary França, Daniel Warren, Lucia Romano, Luís Mármora, Jackie Obrigon, Vanderlei Bernardino e outros. Estreou em 15/5/2015. Até 15/10/2016.
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  • Atriz expressiva, Magali Biff sustenta o interesse no drama de suspense As Luzes do Ocaso. O texto de Mauricio Guilherme é centrado em uma ex-vedete exilada em uma praia. Ela passa os dias mergulhada em lembranças na companhia de um criado (papel de Paulo Goulart Filho). A rotina se transforma com a visita de um rapaz (o ator Giovani Tozi) interessado em fazer um livro sobre o teatro de revista. A diretora Neyde Veneziano não encontra unidade na encenação, principalmente por causa da dramaturgia, e o resultado é um híbrido difícil de cativar a plateia (75min). 14 anos. Estreou em 10/8/2016. Até 7/10/2016.
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  • É comum encontrar nas tradicionais montagens do Núcleo Experimentral do Sesi bons textos, direções atenciosas e atores visivelmente ansiosos e exagerados. O drama Tiros em Osasco, escrito por Cássio Pires, surpreende por mostrar onze intérpretes com rendimento razoável e até bem-sucedido sob o comando de Yara de Novaes. A dramaturgia conflituada, no entanto, exige um esforço do público para a compreensão. Em comum, a peça traz uma juventude em conflito e sem perspectivas — pessoais, profissionais ou sexuais — à deriva pela cidade e arredores. Muitas vezes, as cenas soam desconexas e longas, mas Yara conseguiu valorizar o elenco novato (60min). 18 anos. Estreou em 18/8/2016. Até 6/11/2016.
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  • A icônica banda Voluntários da Pátria, conhecida por representar o movimento pós-punk em São Paulo, está de volta para uma apresentação com a formação (quase) original. Nasi, do Ira!, Thomas Pappon, do Fellini, Miguel Barella e Giuseppe Frippi cantam o primeiro e único LP do grupo, de 1984. Ficou de fora o baixista Ricardo Gaspa (no centro da foto), que foi substituído por Sandra Coutinho, de As Mercenárias. Cadê o Socialismo? deve levantar a turma nostálgica. Dia 7/10/2016.
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  • Em 1996, Elba Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho brilharam com o disco e o show O Grande Encontro. Vinte anos depois, a turma se reencontra. Zé Ramalho não sobe ao palco, mas seus sucessos, como Frevo Mulher e Chão de Giz, estarão no repertório dançante, escolhido para tirar o público da cadeira. Os três cantores iniciam as duas apresentações juntos ao sair de um cenário de uma casinha de madeira, enfeitada com luzes penduradas. O encerramento também é conjunto. O miolo do show inclui momentos em duetos e solos. Elba e Geraldo lembram Bicho de Sete Cabeças; já Alceu e Geraldo entoam Papagaio do Futuro. Sozinho, Alceu anima com a contagiante Coração Bobo. Eles ainda mostram a nova faixa Ciranda da Traição. O grupo aproveita para registrar a performance para um futuro DVD, ainda sem data de lançamento. Dias 6 e 7/10/2016.
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  • Favorito dos fãs do gênero indie rock, o Popload Festival começa na sexta (7/10), no Urban Stage, com apresentações esgotadas de Liniker e os Caramelows e Céu. Mas ainda dá para garantir o ingresso para os shows de sábado (8/10) da brasileira Ava Rocha e dos nova-iorquinos do Ratatat, conhecidos por misturar o som dos sintetizadores com os instrumentos do rock. A big band Bixiga 70 entra no lugar do trio Battles, que precisou cancelar a viagem ao país. Com sua formação original, o quarteto inglês The Libertines traz a turnê do último disco, Anthems for Doomed Youth (2015). Atração mais esperada, o Wilco, de Chicago, mostra o décimo disco da banda, Schmilco (2016). No domingo (9/10), às 19h, eles também sobem ao palco do Auditório Ibirapuera, com ingressos bem mais em conta, a R$ 20,00. Dias 7 e 8/10/2016.
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  • Um show acústico não é obrigatoriamente intimista. Prova disso é a performance unplugged de Ivete Sangalo. Pela primeira vez na carreira, a baiana gravou um disco nesse formato, em Trancoso, e o resultado é uma festa de axé-pop (e até um pouquinho de samba) para dançar do início ao fim. Ela sobe ao palco acompanhada de doze músicos. No repertório estão O Farol, Mais e Mais e Zero a Dez. Dias 8 e 9/10/2016.
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  • Entre gravações de novela e Dança dos Famosos, a atriz e cantora Sophia Abrahão desdobra-se para dar continuidade à turnê Tudo que Eu Sempre Quis, iniciada em abril. Com leve influência do sertanejo, a moça canta baladas como Náufrago e as faixas dançantes Pelúcia e Sou Fatal, single deste ano, composto por Nando Reis. Ela ainda celebra a indicação ao Grammy Latino de melhor artista revelação. Dia 4/10/2016.
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  • Cinco Instalações Imperdíveis

    Atualizado em: 30.Set.2016

  • Uma excelente trilha sonora dá o tom da Ocupação Cartola, que mistura casos curiosos da vida de Angenor de Oliveira (1908-1980) com fotografias e letras originais. O porquê do apelido remonta à sua adolescência. Quando tinha 15 anos e trabalhava no setor de construção, o sambista usava o tal chapelão para proteger a cabeça do cimento. Entre os ambientes recriados estão a casa no Morro da Mangueira, onde viveu e fundou a escola de samba, além de um boteco carioca de época, com mesas e paredes de azulejo. Encoste por ali e aproveite os versos: “As rosas não falam / simplesmente as rosas exalam / o perfume que roubam de ti”.
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  • Comédia romântica

    O Bebê de Bridget Jones
    VejaSP
    2 avaliações
    Os dias de coração partido ficaram no passado: em O Bebê de Bridget Jones, a intrépida heroína britânica dá sinais de ter, enfim, encontrado o pote de ouro que existe no fim dos livros de autoajuda. Muito bem resolvida com a solteirice aos 43 anos e ostentando um empregão de produtora na TV, ela tem tudo sob controle... até perder o chão novamente, é claro. Não há nada muito original nem palpitante na desculpa encontrada pela escritora Helen Fielding (coautora do roteiro) e pela diretora Sharon Maguire para, depois de um intervalo de doze anos, dar uma nova espiadinha na vida da personagem. O cotidiano organizado de Bridget treme quando ela descobre que está grávida. Para deixar o script um pouco mais complicado, ninguém sabe a identidade do pai da criança. Os pretendentes são o charmoso americano Jack (Patrick Dempsey) e o caso antigo dela, o “coxinha” à moda britânica Mark (Colin Firth). De volta ao papel principal, até Renée Zellweger parece entediada com a missão de encenar um triângulo amoroso muito parecido aos dos longas anteriores da cinessérie, iniciada com o simpático O Diário de Bridget Jones (2001). Apesar de uma ou outra piada fofa, a sequência faz questão de seguir uma cartilha envelhecida e previsível de comédias românticas. Sem coragem para arriscar, não diz a que veio. Estreou em 29/9/2016.
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  • Nem parece um primeiro filme: dirigido com firmeza pelo peruano Salvador del Solar, o drama A Passageira faz uma análise aguda sobre cicatrizes deixadas por fatos violentos da América do Sul. O personagem principal, o taxista Magallanes (Damián Alcázar), reencontra por acaso Celina (Magaly Solier), que conheceu quando soldado do Exército. Ele tenta contato, mas um antigo trauma vem à tona. Com andamento de thriller, a fita mostra como, em situações-limite, o passado de um país se faz presente. Estreou em 29/9/2016.
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  • Os valentões do Facebook

    Atualizado em: 30.Set.2016

Fonte: VEJA SÃO PAULO