Noite

Novos restaurantes transformam a Padre João Manuel em point de baladas

Rua abriga casas como o Brasserie des Arts e o Bagatelle

Por: Ricky Hiraoka - Atualizado em

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Turma no Bagatelle, diante de sorvete com vela de faísca: jantar em clima de festa (Foto: Mario Rodrigues)

Uma vez por semana, o empresário Flavio Prisco embica sua Ferrari 360 Modena, avaliada em 400.000 reais, na Rua Padre João Manuel, nos Jardins. O destino mais frequente é o número 1231, onde há dois meses funciona o bar-restaurante Brasserie des Arts, filial de uma casa da Riviera Francesa. Ao perceberem a aproximação da máquina vermelha, os manobristas abrem caminho para o cliente estacionar junto à calçada — ninguém da equipe de valets toca no volante. “Se eu já dou umas riscadinhas na lataria, imagine quem não está acostumado”, justifica o dono.

Nas mesas, frequentadores como a empresária Luciana Tranchesi e a modelo Fernanda Motta costumam completar o cenário na noite com figurinos impecáveis e saltos altíssimos. O empresário suspira: “Aqui vem gente bonita, do meu nível social, sem risco de surpresas”.  

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Flavio Prisco e sua Ferrari no Brasserie: “os manobristas não mexem” (Foto: Cida Souza)

A atmosfera se repete em outros pontos dourados da mesma via, sobretudo no trecho entre a Rua Estados Unidos e a Alameda Lorena. O lugar abriga estabelecimentos afamados como Dalva e Dito e Piselli, mas é o trio formado pelo Brasserie e pelos restaurantes Bagatelle (aberto cerca de um mês atrás) e Brown Sugar (há dois anos) que concentra a festiva clientela a partir dos 20 e poucos anos. “Trouxemos mais vida à área”, acredita Gui Chueire, sócio do Bagatelle.

Embora disputem a mesma freguesia, os responsáveis pelas casas juram que a convivência é amistosa. Nos bastidores, entretanto, a queda de braço por um chef derramou água nesse champanhe. Depois de passar por treinamento em Nova York sob a missão de comandar a cozinha do Bagatelle, Xavier Torrentes bandeou-se para o Brasserie. Os donos do primeiro desconversam: “No fim, ficou tudo bem, e estamos felizes com a substituição”. Os do segundo se defendem. “Torrentes estava contratado por uma casa do nosso grupo desde o começo do ano”, afirma o sócio Luigi Cardoso.  

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Thaise Nicoleto: “No Brown Sugar só tem gente descolada” (Foto: Cida Souza)

Depois da meia-noite, o volume da música indie e eletro pop aumenta e o expediente termina quase sempre com pessoas dançando em cima das cadeiras ou assobiando ao avistar a chegada de sundaes gigantes (1,5 litro de sorvete por taça) com velas que soltam faíscas, cortesia exclusiva do Bagatelle para aniversariantes. “Eu me sinto numa festa reservada onde tudo é permitido”, descreve a designer Camila Guebur.

Isso também vale para os garçons, recrutados no mundo fashion, em agências como Ford. “Sou pedido em casamento todo dia”, exagera Rodrigo Parode, de 27 anos, que fuma na calçada e bebe ao lado das comensais. “Houve uma noite na qual duas mesas com quatro mulheres em cada uma disputavam minha atenção e tive de juntá-las para dar conta do serviço”, acrescenta, sem modéstia. A colega Paloma Garcia, de 21 anos, diz que já levou gorjetas de até 250 reais. “Viro amiga dos clientes e os adiciono no Facebook.”  

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Paloma, do Bagatelle: ela diz que já ganhou gorjetas de até 250 reais (Foto: Mario Rodrigues)

Os modelos são ainda mais comuns no papel de fregueses. A manequim Thaise Nicoleto, de 26 anos, é uma das que abandonaram as baladas em ruas como a Amauri. “No Itaim, o clima ficou muito formal”, reclama. Como funcionam por vezes como pré-baladas, o tíquete médio (gasto por pessoa) declarado das novas casas é de cerca de 100 reais. Mas os valores variam bastante. A universitária Vitória Avesani, que dá rasante no Brown Sugar para fazer um esquenta com as amigas antes de ir à boate Disco, afirma gastar 600 reais por visita. “Adoro esta região, é ótima para paquerar.”  

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Vizinhos não param de se queixar do aumento do barulho desde a chegada dos estabelecimentos. O Bagatelle é apontado como o maior vilão. “Diminuímos o volume da música para não ter problemas”, jura Chueire.

Enquanto isso, no Brasserie, a encrenca é outra. Alguns clientes malandros têm afanado a caneca de cobre do drinque moscow mule, com base de vodca e cobertura de espuma de gengibre. “Tive de importar uma leva da Inglaterra, pois o número de unidades furtadas passa de trinta”, relata Cardoso. Coisas assim acontecem nas melhores famílias — e dentro das bolsas mais luxuosas. 

O CIRCUITO DOURADO

Brasserie des Arts

Bebida mais vendida: moscow mule (vodca, limão, Angostura Bitters e espuma de gengibre)

Capacidade: 95 pessoas

Bagatelle

Bebida mais vendida: vinho rosé

Capacidade: 145 pessoas

Brown Sugar

Bebida mais vendida: sangria rosé

Capacidade: 120 pessoas

Brasserie des Arts, Bagatelle, Brown Sugar - noite - 2299
Circuito dourado (Foto: Mario Rodrigues)

Fonte: VEJA SÃO PAULO