Paulistano Nota Dez

Padre Jaime Crowe ajuda a diminuir a violência no Jardim Ângela

Entidades comandadas pelo religioso irlandês trabalham com mais de 10 000 pessoas no bairro

Por: João Batista Jr. - Atualizado em

Jaime Crowe Paulistano Nota 10
O padre Jaime Crowe, perto da Paróquia dos Santos Mártires: em prol do Jardim Ângela (Foto: Mario Rodrigues)

Enquanto ocorria a missa, as pessoas presentes no templo escutavam o estampido de tiros do lado de fora. Essa cena se repetiu em mais de uma ocasião. Na mais dramática, o padre deixou o altar correndo em direção à porta da igreja para fechá-la, com medo de que a briga entre bandidos na rua vitimasse seus fiéis. Foi nesse clima de guerra urbana que o irlandês Jaime Crowe iniciou, em 1987, sua pregação na Paróquia dos Santos Mártires, no Jardim Ângela. “Não tinha um dia em que eu não via um corpo estendido em uma calçada”, lembra. “Minha rotina incluía velar os cadáveres, rezar missas de sétimo dia e consolar os parentes desolados.” Em 1996, a ONU inseriu o local no topo do ranking dos bairros mais violentos do mundo, com 116 mortes por grupo de 100 000 habitantes. Crowe decidiu que era o momento de ampliar sua atuação.

Naquele mesmo ano, organizou no Dia de Finados uma passeata pela paz que reuniu cerca de 5 000 moradores. A manifestação terminou no Cemitério São Luís, onde os mortos da região são enterrados. Depois disso, o padre começou a articular parcerias com ONGs, prefeitura, polícia e universidades. Uma das prioridades envolvia melhorar a segurança dos moradores. “Conseguimos instalar cinco bases comunitárias na região”, lembra Crowe. “Antes, havia apenas 25 policiais para uma população de 300 000 habitantes. Hoje, são 300.” O trabalho resultou na criação da Associação dos Santos Mártires, a ONG que coordena uma rede de entidades encarregadas de prestar serviços a aproximadamente 10 000 pessoas na área. Há desde creches até atendimento psicológico para mulheres agredidas pelo companheiro. “O padre é um líder respeitado por todos”, elogia Antonio Carlos Dias de Oliveira, subprefeito do M’Boi Mirim.

A região ainda está longe de ser um paraíso — teve 52 homicídios dolosos entre janeiro e setembro deste ano —, mas não há corpos estirados no chão com frequência e existem mais aparelhos de lazer, como o campo em que Crowe joga futebol com os moradores todas as quartas.

Nome: Jaime Crowe

Ocupação: padre católico

Atitude transformadora: mobilizoua população do Jardim Ângela para pedir melhorias como hospital e base comunitária

Fonte: VEJA SÃO PAULO