Religião

Padre distribui folheto contra homofobia e provoca comoção na internet

O religioso Paulo Sérgio Bezerra, à frente de paróquia em Itaquera, diz ter perdido a paciência com a "intolerância das igrejas"

Por: Pedro Henrique Tavares

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Bezerra acredita na necessidade de reformas na pregação de padres e pastores (Foto: Reprodução Twitter)

No domingo (21), a foto de um panfleto da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Itaquera, foi compartilhada centenas de vezes no Facebook. A imagem mostrava o caderno de orações, que trazia um apelo para que a “ofensiva homofóbica, fundamentalista e histérica presente no Congresso Nacional seja enfrentada com ousadia e serenidade".

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De acordo com o padre Paulo Sérgio Bezerra, responsável pela congregação, a igreja realiza anualmente um seminário que antecede a festa da padroeira Nossa Senhora do Carmo. Este ano, o debate entre “igreja e sexualidade” se fez presente. “Perdemos a paciência com a hipocrisia e intolerância das igrejas. Por isso, precisamos dar uma resposta”, explica Bezerra.

Sobre a polêmica recente entre o jornalista Ricardo Boechat e o pastor Silas Malafaia, Bezerra revelou apoio à atitude do comunicador e que Boechat fez com Malafaia o mesmo que “Jesus fez ao expulsar com chicote os comerciantes que estavam no Templo de Jerusalém”.

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“Até mesmo Jesus teve seu momento de ira. O que ele fez foi colocar pra fora tudo que estava incomodando em relação à hipocrisia de Malafaia. Eu não teria coragem para fazer o mesmo, mas apoio a declaração”, revela.

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Folheto foi compartilhado no Facebook (Foto: Reprodução Facebook)

Pregações manipuladas

O religioso ainda argumenta que grande parte das pregações exaltadas de padres e pastores deixam escapar uma série de preconceitos. “São frases da Bíblia colocadas fora de contexto. Esses discursos resultam na falta de tolerância religiosa, o que também causa violência”, declara.

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No entanto, para ele, a atitude reformista de sacerdotes ainda resulta em marginalização na comunidade cristã. “Quem pensa diferente acaba colocado de lado. Mas vamos continuar fazendo o nosso trabalho nas bases”, garante.

Fonte: VEJA SÃO PAULO