Jogos de Londres

Ouça dez músicas com espírito olímpico

De Whitney Houston a Muse, ídolos pop tradicionalmente embarcam no clima festivo das competições esportivas

Por: Tiago Faria

Muse
O trio Muse compôs o hino pop das Olimpíadas de Londres, "Survival" (Foto: Divulgação)

Antes do início dos jogos de Londres, os ingleses já pareciam dispostos a quebrar um recorde: o de número de canções olímpicas.

As bandas Muse, Delphic e Blur, o veterano Elton John, o rapper Dizzee Rascal, o duo de eletrônica Chemical Brothers e o produtor Mark Ronson (acompanhado da cantora Katy B) entraram na disputa pelo melhor hit da temporada.

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A partir desta semana, o público vai escolher as faixas com potencial para entrar num clube de hinos pop formado por sucessos como “Amigos para Siempre” e “One Moment in Time” – músicas que, de tão executadas nas transmissões de TV, despertaram tanto amor quanto irritação.

A seguir, confira dez faixas que marcaram a história dos jogos. Entre elas, a nova do Muse, a primeira canção oficial de Londres 2012.

“Amigos para Siempre” – José Carreras e Sarah Brightman – Barcelona, 1992

Um dos temas olímpicos mais conhecidos foi escrito por um craque dos musicais: o londrino Andrew Lloyd Webber, de espetáculos como “O Fantasma da Ópera” e “Evita”. Na interpretação do tenor espanhol José Carreras e da soprano inglesa Sarah Brightman, a canção segue o script de um bom hit para os jogos: é apoteótica, otimista e tem um quê cafona. Impossível esquecer o refrão, cantado em três idiomas (inglês, espanhol e catalão), numa toada apoteótica.

 “Barcelona” — Freddie Mercury e Montserrat Cabaré – Barcelona, 1992

Na disputa com “Amigos para Siempre” pelo posto de hino dos jogos de Barcelona, o dueto entre o rockstar Freddie Mercury e a soprano Montserrat Cabaré se tornou ainda mais famoso. Gravada em 1987, a pedido da organização do evento, a música inspirou o disco “Barcelona” (1988), de Mercury e Montserrat. O ex-vocalista do Queen não viu o enorme sucesso da canção nas Olimpíadas: morreu em 1991, em decorrência de complicações da AIDS.

“Hand in Hand” – Koreana – Seul, 1988

Poucos conheciam a banda coreana antes da cerimônia de abertura dos jogos de Seul. Depois do evento, ela voltou discretamente à obscuridade. Enquanto a competição durou, contudo, só se ouviu esta música produzida por Giorgio Moroder. Conhecido por sucessos da disco music dos anos 70, o italiano foi um dos primeiros a perceber o potencial pop das canções de espírito olímpico. E, como era comum nos anos 80, pesou a mão nos teclados.

“Oceania” – Björk – Atenas, 2004

Ame ou odeie, o tema da islandesa Björk tem um mérito inegável: evita quase todos os clichês do gênero. Não parece ópera, escapa do kitsch e faz sentido dentro do repertório experimental da cantora. Um feito surpreendente, portanto. Mas a música fracassou num quesito olímpico importantíssimo: não grudou na memória do público e saiu-se apenas como um momento extravagante entre os tantos que aparecem em cerimônias de abertura.

“Olympia” – Sergio Mendes – Los Angeles, 1984

Além de exportar a música brasileira, o compositor de Niterói foi um pioneiro dos hits olímpicos. No ano que marcou o avanço do pop dentro dos jogos, o brasileiro compôs uma faixa repleta de versos para turbinar a autoestima aos atletas. “O triunfo do espírito é a vitória do homem”, canta o vocalista Joe Pizzulo. Desde então, foi usada em outros torneios e apareceu no disco “Confetti”, de 1984.

“Olympic Fanfare and Theme” – John Williams – Los Angeles, 1984

Escrita em 1958, a fanfarra “Bugler’s Dream”, de Leo Arnaud, foi adotada pelos canais de tevê americanos como a música oficial dos jogos. Em 1984, o compositor John Williams (um mestre das trilhas de cinema) se apropriou da música e fez uma versão ainda mais eufórica, que até hoje embala o treinamento de muitos atletas. No panteão dos hits olímpicos, se tornou um clássico – ainda que, tecnicamente, deva ser considerado um remix.

“One Moment in Time” – Whitney Houston – Seul, 1988

Uma das músicas prediletas dos fãs de Whitney Houston foi composta especialmente para os jogos de Seul. Enquanto escreviam a faixa, Albert Hammond e John Bettis se inspiraram em baladas de Elvis Presley. Mas a cantora, que morreu no ano passado, tomou a canção para si ao entregar uma performance digna de replay. O impacto da música foi tamanho que muita gente espera uma homenagem a Houston nos jogos de Londres.

“Reach” – Gloria Estefan – Atlanta, 1996

Os hits dos jogos de Atlanta não deixaram muita saudade. Escrita pela cantora Gloria Estefan com a compositora Diane Warren (especialista em temas chorosos de filmes), a faixa exalta a coragem e a superação dos atletas. Na época, fez tanto sucesso que foi indicada até ao Grammy de melhor performance vocal feminina. Perdeu para outra balada sofrida: “Un-break my Heart”, de Toni Braxton.

“Survival” – Muse – Londres, 2012

Muitos apostaram que o Muse, um trio com influências de heavy metal e hard rock, mudaria o perfil dos temas olímpicos. Não é bem isso, porém, o que acontece em “Survival”. A canção segue o formato padrão dos hits esportivos, sem medo do ridículo e com um pé na ópera rock. “É uma corrida e eu vou vencê-la”, promete o vocalista Matt Bellamy. Por enquanto, ainda não provocou comoção.

“You and Me” – Liu Huan e Sarah Brightman – Pequim, 2008

A festa de abertura dos jogos de Pequim mostrou coreografias e efeitos tão impressionantes que poucos lembram da interpretação de Liu Huan e Sarah Brightman para esta música-tema. Comparada a hits de estações anteriores, a canção pode parecer até minimalista. Interpretada com um arranjo sem excessos, com piano e cordas, tem até coro angelical. Mas apelo pop? Para o público ocidental, não muito.

Fonte: VEJA SÃO PAULO