ENTREVISTA

Otávio Martins estreia o monólogo dramático “Córtex”

Veja outras peças que entram em cartaz durante esta semana

Por: Adriano Conter - Atualizado em

Córtex
O ator Otávio Martins: espetáculo discute os limites entre a razão e a emoção (Foto: Otávio Dias)

Após interpretar Gil na novela “Amor, Eterno Amor”, o ator Otávio Martins estreia neste sábado (15) o monólogo dramático “Córtex”, que discute os limites entre a razão e a emoção, sob a direção de Nelson Baskerville.

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Na trama, de Franz Keppler, um homem tem a vida transformada com o sumiço de sua mulher. Depois de prestar queixa em uma delegacia, ele vai se envolvendo em uma teia de contradições que o aponta como suspeito do desaparecimento.

Abaixo, confira uma entrevista com Martins além de uma lista de peças que estreiam ou reestreiam na cidade durante esta semana.

VEJA SÃO PAULO – Como surgiu a ideia de montar o texto? E como foi reunir a equipe e começar a montagem? Otávio Martins – Surgiu no ano passado. O argumento apareceu de uma conversa com Franz, mas o texto mesmo só ficou pronto faz três meses, quando decidimos começar os ensaios. Figurinista, iluminador, todos estiveram presentes desde o primeiro dia em que subimos ao palco. A construção foi absolutamente coletiva.

 

VEJA SÃO PAULO – A gravação da novela “Amor, Eterno Amor” interferiu neste trabalho? Otávio Martins – Combinamos que eu viria para São Paulo ensaiar sempre que surgisse uma folga na novela. Existiram ocasiões em que viajei pela manhã e à noite estava no aeroporto novamente. De qualquer forma, o processo foi muito gratificante. Como meu papel na novela e na peça são muito específicos, era impossível misturar as bolas.

VEJA SÃO PAULO – Será que alguma parte do público da novela pode migrar para o teatro? Otávio Martins – São públicos muito diferentes. Quem assiste à televisão gosta de um determinado andamento, já quem vai ao teatro está interessado em todo o fenômeno teatral. Há quem goste dos dois universos e quem, por me ver em alguma novela, crie a vontade de experimentar o teatro. Esse é o melhor dos mundos.

VEJA SÃO PAULO – Usou alguma referência para seu personagem em “Córtex”? Nelson Baskerville o ajudou na pesquisa? Otávio Martins – Não trabalho com referências para não entrar em uma zona de conforto. Assim como meu trabalho deve ter influenciado a iluminação, o trabalho de todos influenciaram na construção do meu personagem. Nelson tem um cuidado absurdo com o ator. Ele nunca impõe nada. É como se ele criasse uma cama que você usa para criar.

  • Resenha por Dirceu Alves Jr.: De James Joyce (1882-1941). Autor de obras-primas como Ulisses e Retrato do Artista Quando Jovem, o irlandês Joyce escreveu um único texto teatral, em 1918. Ambientado em Dublin, o drama apresenta um triângulo amoroso formado por um escritor (interpretado por André Garolli), que acabou de retornar do exílio, sua mulher (a atriz Franciely Freduzeski) e o melhor amigo dele (Álamo Facó), um jornalista. O texto, bonito e um tanto pesado, perde o impacto diante de uma direção impessoal — o que destoa da proposta — e repleta de blecautes, que separam cada cena como se fossem quadros. No elenco, sobressai-se Garolli, com sua firmeza habitual, enquanto Facó peca pelo excesso e Franciely pouco evolui. Estreou em 15/09/2012. Até 07/10/2012.
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  • De Mario Cesar Costaz. João Baldasserini e Camila dos Anjos interpretam dois jovens que decidem se casar. As dificuldades de cada um para enfrentar a responsabilidade de um relacionamento dão o tom da montagem. Estreou em 15/09/2012. Até 02/12/2012.
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  • Resenha por Dirceu Alves Jr.: De Maria Shu. Sob a direção de Rodolfo García Vázquez, a Cia. Os Satyros discute a relação do homem com o mundo contemporâneo e as tecnologias. Histórias independentes são apresentadas em performances que mais valem pela provocação que propriamente pela dramaturgia. O grupo insiste em uma fórmula saturada para quem acompanha seu trabalho. Em um tênue limite entre o depoimento e a interpretação, os atores relatam crises depressivas ou de identidade e narram manjados episódios sobre tipos que não se enquadram nas convenções sociais. A exceção fica por conta da bela cena protagonizada pela atriz Marta Baião sobre uma profissional encarregada de “secar” barras de gelo. Estreou em 20/10/2011. Até 24/11/2012.
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  • O drama ganhou projeção graças ao filme de Sidney Lumet, em 1957. A história de uma dúzia de sujeitos encarregados de chegar a um veredicto é montada sob direção de Eduardo Tolentino de Araújo. O réu foi acusado de assassinar o pai, e a decisão precisa ser unânime para executá-lo ou absolvê-lo. O conflito começa quando um dos doze jurados (o ator Norival Rizzo) opta pela dissonância e abala a convicção do grupo, decidido pela condenação. Com Fernando Medeiros, Brian Penido Ross, Ricardo Dantas, Rodolfo Freitas e outros. Estreou em 19/11/2010. Até 27/11/2016.
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  • Mais um texto do promissor dramaturgo carioca Jô Bilac, autor de Cachorro!, Rebu e Savana Glacial. A tragicomédia enfoca a disputa entre Wilson (interpretado por Ed Moraes) e Pierre (papel de Daniel Tavares). por uma vaga em uma empresa. Disposto a tudo pelo cargo, Wilson forja situações que produzem reações inesperadas no concorrente. Com Rita Batata e João Paulo Bienemann. Estreou em 28/4/2011. Até 31/8/2014.
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  • De Edoardo Erba. É, no mínimo, inusitado ver dois atores correndo sem parar durante os 75 minutos de um espetáculo. O teste de fôlego imposto a Anderson Muller e Raoni Carneiro ilustra mais uma prova de superação à qual um intérprete pode se submeter — e, desta vez, importante para a compreensão do drama dirigido por Bel Kutner. Eles vivem dois amigos com um objetivo comum: encarar os mais de 42 quilômetros da famosa corrida de rua nos Estados Unidos. Enquanto se exercita, a dupla ajusta contas e questiona algumas decisões. Pontuado pela trilha sonora criada por André Abujamra, o texto faz da obsessão pela atividade física uma metáfora do cotidiano.  Estreou em 06/07/2012. Até 28/10/2012.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO