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Destaques da temporada 2013 da Osesp

A Orquestra Sinfônica do Estado amarra seu programa com o tema Sagrações da Primavera

Por: Jonas Lopes - Atualizado em

Marin Alsop
A maestrina americana Marin Alsop entra em seu segundo ano no comando da orquestra (Foto: Grant Leighton)

Após um ano movimentado, com a chegada de uma nova maestrina titular – a americana Marin Alsop – e uma bem-sucedida turnê europeia que incluiu uma apresentação no festival londrino Proms –, a Orquestra Sinfônica do Estado quer manter o pique em 2013. O calendário da nova temporada da Osesp tem 36 semanas no total, incluindo formações convidadas, em suportes variados (orquestrais, de câmara, recitais e coro). O orçamento é de 87 milhões de reais, sendo 53 milhões vindos da Secretaria de Estado da Cultura, e o restante da iniciativa privada.

Pelo segundo ano seguido, a programação é amarrada por um tema. No caso, Sagrações da Primavera, alusão ao centenário da incendiária estreia do balé A Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky. Regida por Marin Alsop, a peça fecha a temporada sinfônica, em dezembro. Um arranjo para dois pianos da composição, por sua vez, tem lugar numa récita da série camerística Um Certo Olhar, e há ainda a estreia de uma obra relacionada, de autoria de Marlos Nobre, Sacre du Sacre.

Entre os pequenos ciclos esperados, sobressaem as efemérides. O centenário de nascimento do inglês Benjamin Britten, além do bicentenário do alemão Richard Wagner e do italiano Giuseppe Verdi, não passam em branco – dentro do possível, é claro, pois são três compositores ligados a óperas, gênero ao qual a Osesp não pode se dedicar devido à ausência de fosso na Sala São Paulo. Fãs de música brasileira também têm a chance de apreciar desde os clássicos Villa-Lobos e Camargo Guarnieri até estreias de André Mehmari e João Guilherme Ripper, entre outros.

O compositor transversal, rótulo criado para o autor cujos trabalhos são executados ao longo do ano, é o polonês Witold Lutoslawski. A russa radicada em Nova York Lera Auerbach aporta como compositora visitante. Uma feliz iniciativa recente, a do artista em residência, chega em grande estilo: a contralto francesa Nathalie Stutzmann participa de concertos com a orquestra, o Quarteto Osesp, de um recital de piano e voz e, por fim, dedica-se à batuta, sua nova atividade: regerá o esplendoroso Réquiem, de Mozart, em novembro.

Não houve um grande salto de qualidade quanto aos maestros e solistas convidados, mas é motivo para se comemorar a manutenção do bom nível. Regentes conhecidos do público paulistano retornam, a exemplo do finlandês Osmo Vänskä, do francês Stéphane Denève e dos ingleses Frank Shipway e Richard Armstrong. Dos solistas, o destaque fica por conta da presença da bela e competente pianista francesa Hélène Grimaud, pela primeira vez por aqui. Os espectadores não devem perder ainda o pianista inglês Paul Lewis, o violinista austríaco Thomas Zehetmair, o oboísta suíço Heinz Holliger e o violoncelista alemão Daniel Müller-Schott.

Abaixo, alguns dos programas obrigatórios em 2013:

11 a 13 de abril: Artista em residência de 2013, a contralto francesa Nathalie Stutzmann entoa o ciclo Wesendonck Lieder, de Richard Wagner, além de interpretar o dolorido Prelúdio e Morte de Amor, de Tristão e Isolda. Regência de Sir. Richard Armstrong.

9 a 11 de maio: A charmosa e temperamental pianista francesa Hélène Grimaud, destaque da temporada, sola no Concerto Nº 5 em Mi Bemol Maior Op. 73 – Imperador, de Beethoven, regida pelo conterrâneo Stéphane Denève.

13 a 15 de junho: Discípulo do genial Alfred Brendel, o pianista inglês Paul Lewis se dedica a uma peça que exige virtuosismo: o Concerto Nº 1 em Ré Menor Op. 15, de Brahms. Outro súdito da rainha, o regente Frank Shipway, costuma dar grandes concertos com a Osesp, e entrega a Quarta Sinfonia, de Sibelius.

16 de junho: Neste que promete ser o mais disputado concerto do ano, Paul Lewis toca, em recital-solo, as três últimas sonatas para piano de Franz Schubert, complexas e melancólicas.

22 a 24 de agosto: Marin Alsop lembra o público de que uma de suas especialidades é o austríaco Gustav Mahler. A americana sobe no pódio para reger uma performance da Sinfonia Nº 1 em Ré Maior – Titã.

22 de setembro: Numa cidade ainda carente de música de câmara, é preciso celebrar a reunião do violinista austríaco Benjamin Schmid com o pianista croata Dejan Lazic. A dupla toca as três sonatas para violino e piano de Brahms.

14 a 16 de novembro: Desconhecido no Brasil, o talentoso compositor alemão Bernd Alois Zimmermann terá tocado seu Concerto para Oboé e Pequena Orquestra, com solos do brasileiro baseado na Alemanha Washington Barella. Constam ainda nas récitas, lideradas pelo maestro inglês David Atherton, trabalhos de Webern e Sibelius.

12 a 14 de dezembro: No encerramento arrasa-quarteirões da temporada, Marin Alsop levanta os espectadores com A Sagração da Primavera, talvez a obra musical mais importante do século XX. Espera-se que o público não repita o comportamento da estreia, em maio de 1913, em Paris, quando até a polícia francesa precisou ser acionada, tamanha a revolta dos presentes com os experimentos de Igor Stravinsky.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO