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Oscar Oiwa expõe pinturas inéditas na Galeria Nara Roesler

Doze telas abordam temas como o tsunami no Japão, os problemas de habitação no Brasil e a crise econômica nos Estados Unidos

Por: Bruna Ribeiro - Atualizado em

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Em sua primeira exposição individual na Galeria Nara Roesler, Oscar Oiwa, de 47 anos, mostra doze pinturas criadas nos últimos dois anos e inéditas no país. Clima Tempestuoso retrata desastres naturais ou causados pelo homem, como o tsunami no Japão, os problemas de habitação no Brasil e a crise econômica nos Estados Unidos

Em Rescue Boat, por exemplo, o artista paulistano retrata ondas gigantes que ameaçam engolir um grande navio. A obra é uma referência à catástrofe de 2011 que assolou o país oriental e resultou no acidente nuclear de Fukushima. Em entrevista a VEJASÃOPAULO.COM, Oiwa disse que trabalhou no museu da cidade japonesa após a tragédia, registrando o momento histórico.

Outra criação que também aborda sismos naturais é a Swirl (Redemoinho). Com título sugestivo, a pintura representa o estádio Superdome, que abrigou os sobreviventes do Katrina, furacão que destruiu parte dos Estados Unidos, em 2005. Já a imagem de obras de arte indo para debaixo da ponte é uma alusão ao mundo pós-crise. O nome da tela é Occupy Everywhere, clara citação ao movimento Occupy Wall Street.

A mistura de elementos do mundo inteiro só é possível porque Oiwa já viveu em quatro países: Brasil, Japão, Inglaterra e Estados Unidos. Atualmente, mora em Nova York. "Convivi com pessoas de culturas muito diferentes. Viajei e vi notícias do mundo inteiro. Isso influencia o meu trabalho". Como resultado, ele já recebeu prêmios, como o de residência artística do Delfina Studio Trust, em Londres. Saiba mais sobre o pintor:

Essa é a sua primeira individual na Galeria Nara Roesler. Como foi o processo de negociação da mostra? Eu trabalhava muito com a Galeria Thomas Cohn, vizinha da Nara Roesler, mas ela encerrou as atividades. A Nara é uma grande profissional. Espero que me adapte ao estilo da galeria e vice-versa. Há algumas diferenças. Ela tem mais participação em feiras internacionais, por exemplo, e trabalha com outros tipos de tendência. Thomas era mais focado em pintura.

Já morou em Tóquio, Londres e Nova York, além do Brasil. Qual é o cenário mais inspirador? São culturas diferentes, mas você se acostuma a tudo. Eu me sinto em casa em qualquer lugar do mundo, principalmente no Japão, Estados Unidos e Brasil. Na Europa também. Mas não me sinto tão confortável quando estou em países como Ucrânia, Rússia e Coreia. A minha base está no Brasil, porque nasci e fui criado aqui. Mas trabalho melhor em Nova York, onde moro atualmente. Há muita informação e muitas pessoas. Por outro lado, prefiro a comida do Japão e a diversão do Brasil, que tem uma riqueza cultural bem própria. 

Na exposição, há muitas imagens de catástrofes. Qual é a reação das pessoas? A catástrofe é um dos meus muitos temas. São situações que ocorrem no mundo inteiro. Há muito conflitos que poderiam ser evitados, mas infelizmente as coisas acontecem e a gente não pode fazer nada. Um exemplo foi o Tsunami do Japão, em 2011. Depois disso, eu trabalhei muito no Museu de Fukushima, onde ocorreu o acidente nuclear. Também retratei em minhas obras a crise econômica americana. No Brasil, também temos muitos problemas sociais e econômicos. Na exposição, uma obra aborda o problema da habitação no país, mostrando algumas casas na Mata Atlântica. Apesar do tema ser pesado, é agradável ver as obras, pois são bonitas. Algumas chegam a 4,5 metros de altura. A pessoa não fica depressiva.

O que o estimulou a retratar essas realidades diferentes? Eu fui criado no Brasil, mas meus pais são japoneses. Eu morei em Tóquio e fiz carreira lá. Mas não quis ficar apenas no Japão. Morei em Londres, entre 1996 e 1997. Depois disso, voltei para o Oriente por um tempo e então decidi morar em Nova York, em 2002. Eu peguei bem a época do atentado às Torres Gêmeas. Convivi com pessoas de culturas muito diferentes. Viajei e vi notícias do mundo inteiro. Isso influencia o meu trabalho.

É o autor do cartaz da Copa do Mundo no Brasil. A criação foi difícil, já que mora há tanto tempo fora? Moro fora, mas estou sempre conectado, porque tenho muitos amigos no Brasil e acompanho as notícias. Foi uma grande honra fazer esse projeto. Gosto bastante de futebol, embora não seja muito bom na prática.

Fonte: VEJA SÃO PAULO