Jogos de Londres

Os paulistanos que serão voluntários nas Olimpíadas

Selecionados se preparam para ajudar na organização do maior evento esportivo do planeta

Por: Jéssika Torrezan

Andréia Souza - Olimpíadas - Esporte - Jogos - Londres - Voluntários - 2274
Andréia Souza: hospedagem por conta própria (Foto: Fernando Moraes)

Apesar de ter sido jogadora de tênis profissional na adolescência, Andréia Souza, de 24 anos, nunca alcançou índices que pudessem ser chamados de olímpicos. Ainda assim, representará o país nos Jogos de Londres, que começam em 27 de julho. Longe das redes e das raquetes, ela vai suar a camisa no Crystal Palace, o quartel-general das equipes brasileiras na capital inglesa, com a missão de organizar a vida dos competidores, cuidando de tarefas como o transporte para os locais de treino e a preparação dos uniformes. “Desde pequena, meu sonho é estar em um evento desses”, comemora a jovem, que não receberá um único centavo pela tarefa. Ela é um dos milhares de voluntários que, mesmo dispostos a arcar com passagens e estada, encaram uma espécie de vestibular para integrar o maior acontecimento esportivo do planeta, com 10.500 atletas.

Rodrigo Reis - Olimpíadas - Esporte - Jogos - Londres - Voluntários - 2274
Rodrigo Reis: recepção de várias delegações (Foto: Fernando Moraes)

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Encontrar pessoas do mundo todo e colecionar boas histórias são alguns dos motivos citados por quem se dispõe a participar. E não falta gente interessada. O comitê organizador dos Jogos recebeu mais de 240.000 candidatos para as 70.000 vagas de ajudante-geral. Os selecionados serão os chamados game makers. Outros 20.000 foram pinçados em concurso paralelo, para se apresentar nas cerimônias de abertura e encerramento, caso da bailarina Adriana Neves, que sambará na cerimônia de despedida, na qual o Rio de Janeiro será apresentado como sede de 2016. Há ainda quem se inscreva diretamente no Comitê Olímpico Brasileiro — nesse caso, porém, são apenas seis escolhidos, todos para atuar exclusivamente ao lado da delegação verde e amarela.

Adriana Neves - Olimpíadas - Esporte - Jogos - Londres - Voluntários - 2274
A dançarina Adriana Neves: apresentação de samba de gafieira na cerimônia de encerramento (Foto: Arquivo pessoal)

A curiosidade foi o que motivou Rodrigo Reis, de 27 anos. Formado em relações exteriores, ele ingressou no processo seletivo em 2010, quando foram abertas as inscrições pela internet. Um ano depois, fez a entrevista pessoalmente. A fluência em italiano e em inglês ajudou na aprovação. Sua incumbência será recepcionar delegações de diversos países. “Fico entusiasmado em vivenciar a história”, empolga-se.

Para muitos, a dedicação não remunerada terá recompensas no plano profissional. É o que pensa Cristina Savoy, de 28 anos. Formada em educação física e com MBA em gestão empresarial, ela passou por oito treinamentos desde fevereiro. Mergulhada no intensivão, abandonou o emprego de seis anos em São Paulo, mas não se arrepende. “Participar da organização e aprender sobre todos os aspectos administrativos do megaevento é importante para a minha carreira”, avalia. O headhunter Gerson Correia, sócio da consultoria de recrutamento Talent Solution, dá razão a ela e diz que a vantagem vale para diversas áreas. “Participar de um acontecimento como esse demonstra características como liderança, sociabilidade e capacidade de trabalhar em equipe”, diz. “É o tipo de experiência que faz a diferença e serve de desempate em uma contratação.”

Monique Reis - Olimpíadas - Esporte - Jogos - Londres - Voluntários - 2274
Monique Reis: “Já estamos respirando o evento” (Foto: Arquivo pessoal)

Assim como ocorria com os esportes olímpicos, que costumavam ser chamados de amadores mesmo quando já eram completamente profissionalizados, os voluntários fazem questão de dizer que não estão ali de brincadeira. “Muita gente acha que, por não haver pagamento, o trabalho vai ser feito de qualquer jeito”, comenta Monique Reis, 24 anos. “Mas é o contrário: estamos respirando os Jogos há muito tempo.”

As inscrições para a Copa começam neste semestre

O calendário de eventos esportivos internacionais em território brasileiro nos próximos anos é uma boa oportunidade para viver essas experiências sem precisar ir tão longe. Para a Copa do Mundo, em 2014, por exemplo, serão selecionados 18.000 voluntários para várias áreas. Antes disso, já no ano que vem, 6.000 pessoas poderão atuar na Copa das Confederações. O processo de seleção para as duas competições deve começar ainda neste semestre, mas a data exata não está definida. É preciso ficar de olho no site da Fifa. Ter mais de 18 anos e disponibilidade para trabalhar por vinte dias corridos, durante até dez horas diárias, são os pré-requisitos. O comitê organizador da Olimpíada do Rio prevê recrutar entre 60.000 e 70.000 interessados para os próximos Jogos, em 2016. As inscrições terão início apenas dois anos antes pelo site.

Fonte: VEJA SÃO PAULO