Cine Cult

Os filmes de hoje na sessão especial do Cinemark

Os ótimos Um Conto Chinês e A Fonte das Mulheres são os destaques desta quinta (27)

Por: Redação VEJINHA.COM - Atualizado em

Um conto chinês
Diferenças culturais tratadas com humor: 'Um Conto Chinês' (Foto: Divulgação)

A sessão especial Cine Cult exibe na rede Cinemark, às terças e quintas, longas do circuito alternativo com ingressos promocionais a R$ 10. A programação de hoje apresenta a comédia dramática argentina Um Conto Chinês (no Pátio Paulista), e os franceses A Fonte das Mulheres (no Villa-Lobos) e A Vida de Outra Mulher (no Iguatemi). A seguir, confira as resenhas das fitas e programe-se:

  • Resenha por Tiago Faria: Parece até curioso: lançado nos cinemas em plena temporada de superproduções, o drama “Apenas uma Noite” toma um caminho muito diferente do de uma típica atração deste período do ano. A começar pela forma como a diretora, a estreante iraniana radicada na Califórnia Massy Tadjedin, de 34 anos, trata o público. Enquanto os grandes filmes de ação e aventura investem alto para estimular o burburinho bem antes da estreia, este pequeno longa-metragem pretende provocar discussões principalmente após a sessão, ao atiçar a plateia com questões instigantes (e assustadoramente plausíveis) sobre as relações amorosas. O enredo põe à prova a fidelidade de um casal rico, bonito e bem-sucedido — invejável, portanto — de Nova York. Em uma festa, a escritora Joanna (Keira Knightley) percebe uma troca de olhares entre o marido, o executivo Michael (Sam Worthington, de “Avatar”), e uma colega dele, a voluptuosa Laura (Eva Mendes). A desconfiança resulta em bate-boca. No dia seguinte à crise, Michael faz uma viagem de negócios na companhia de Laura. Enquanto isso, Joanna encontra um ex-namorado, o intelectual Alex (Guillaume Canet), por quem ainda se sente atraída. A partir daí, a trama obriga os personagens a dividir algumas horas com os respectivos objetos de desejo. Ceder ou não às tentações? O ponto de vista do espectador terá papel fundamental no tabuleiro desenhado pela realizadora. Depois de escrever roteiros para fitas de pouca repercussão (a exemplo do fraco thriller “Camisa de Força”), Massy disse ter se inspirado no intimismo tenso de “Cenas de um Casamento” (1973), de Ingmar Bergman, e de “Sexo, Mentiras e Videotape” (1989), de Steven Soderbergh, para discutir a mecânica da traição, seja ela física ou emocional. Só desaponta ao imprimir à encenação um ar posudo, semelhante a um editorial de moda. A afobação de iniciante, contudo, é aliviada por uma narrativa recheada de surpresas que estimulam boas conversas a dois. Estreou em 15/06/2012.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: Assim como Brad Pitt e George Clooney, Johnny Depp vem da linhagem de atores que sabe combinar cinema comercial a fitas, digamos, mais alternativas sem perder a credibilidade. Para cada episódio da cinessérie "Piratas do Caribe" (o quinto já foi anunciado), o astro se mete em mais uma parceria com o diretor esquisitão Tim Burton ("A Fantástica Fábrica de Chocolate"), empresta sua voz a desenhos excêntricos ("Rango") ou se aventura a produzir e protagonizar projetos pessoais. Este último caso se aplica à comédia "Diário de um Jornalista Bêbado", inspirada no livro do americano Hunter S. Thompson. Amigo do autor, que se suicidou aos 67 anos em 2005 e a quem o filme foi dedicado, Depp interpreta na trama Paul Kemp. Em 1960, esse jornalista troca Nova York pela paradisíaca ilha de Porto Rico, território dos Estados Unidos nos belos mares do Caribe. Seu objetivo é ser repórter de um jornal quase falido, tocado por um editor oportunista (Richard Jenkins). Para ajudar Kemp a enfrentar o cotidiano até então morno, surgem Sala (o ótimo Michael Rispoli) e Moberg (Giovanni Ribisi), colegas de trabalho cujo teor de álcool no sangue dá inveja em Keith Richards. Não demora muito para Kemp descobrir os prazeres da capital San Juan — começando pelo rum e terminando na deusa platinada Chenault (Amber Heard), namorada de Sanderson (Aaron Eckhart), poderoso homem de negócios que pretende transformar uma ilha vizinha num gigantesco complexo hoteleiro. "Rum — Diário de um Jornalista Bêbado" foi o primeiro livro de ficção de Thompson, claramente extraído de sua estada em Porto Rico, antes de ele se esbaldar nas drogas alucinógenas. Em vistosa produção de época e direção comedida de Bruce Robinson (de "Como Fazer Carreira em Publicidade", de 1989), o longa é a segunda incursão de Depp no universo de Thompson, após o megamaluco "Medo e Delírio" (1998). Envolvido em situações divertidas e outras tantas perigosas, Kemp, alter ego do próprio escritor, faz de si mesmo um personagem dos artigos datilografados por Thompson em sua original mistura de jornalismo e literatura. Estreou em 20/04/2012.
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  • Enquanto uns devem rolar de rir com o humor afiado e propositalmente misógino, outros podem achar a comédia francesa grosseira. Trata-se de um projeto pessoal de Jean Dujardin, vencedor do Oscar 2012 de melhor ator por O Artista. Além dele, seis diretores e quatro roteiristas se dividiram na criação de nove histórias curtas. Embora longas-metragens em esquetes normalmente se mostrem irregulares, o saldo aqui se revela satisfatório — os capítulos nos quais a graça se impõe são superiores às tramas dramáticas. De tom explicitamente machista, o prólogo dá uma ideia do conjunto. Mesmo casados, os amigos Fred (Dujardin) e Greg (Gilles Lellouche), ambos na idade do lobo, aproveitam a balada e transam com mulheres de apenas uma noite. Os mesmos personagens voltam no derradeiro episódio: eles largam as esposas por uns dias e vão atrás das americanas em Las Vegas. Polêmica, a conclusão pode deixar estarrecido o espectador mais conservador. Dois outros curtas também se destacam, mas o trunfo do filme está no livre-arbítrio e na ousadia de Dujardin e seus camaradas de expor às claras seus pensamentos sobre a traição conjugal. Estreou em 07/09/2012.
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  • O cineasta Rogério Sganzerla morreu em 2004, aos 57 anos, e deixou uma filmografia cujo expoente é "O Bandido da Luz Vermelha" (1968). Cult do cinema udigrudi (apelido nacional para underground, dado por Glauber Rocha), a fita ganhou uma espécie de continuação com roteiro legado por seu realizador. Helena Ignez, viúva de Sganzerla, dirige "Luz nas Trevas — A Volta do Bandido da Luz Vermelha", auxiliada por Ícaro Martins (de "O Olho Mágico do Amor"). A brincadeira tem a alma irônica de seu criador e, para entrar no espírito da coisa, precisa ser encarada como um policial malicioso e kitsch. Embora simples, a trama possui diálogos empolados e pouco naturais, em mais uma referência aos filmes brasileiros antigos. Nesta sequência pop retrô, com imagens e sons recuperados do original, o cantor Ney Matogrosso interpreta Luz Vermelha. Preso há mais de trinta anos, o criminoso reencontra o filho que teve com uma amante (Sandra Corveloni). Jorge (André Guerreiro Lopes) descobre o passado do pai e também vira ladrão para torrar a grana em farras — mesmo objetivo do bandido da década de 60. Além da bela fotografia em tons de verde e vermelho de José Roberto Eliezer ("O Cheiro do Ralo") e das pinçadas locações paulistanas, a produção escalou, para rápidas participações, uma eclética seleção de personalidades-símbolo da cidade: Arrigo Barnabé, Bruna Lombardi, Mário Bortolotto, Sérgio Mamberti, José Mojica Marins, Thunderbird e Phedra D. Córdoba, entre outros. Estreou em 11/05/2012.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: Atriz de talento, Juliette Binoche vem se envolvendo em filminhos de conteúdo duvidoso. Depois do medíocre drama “Elles”, estrela essa tola comédia romântica, primeiro longa-metragem escrito e dirigido pela atriz Sylvie Testud. Com jeitão de enredo americano, a história começa quando Marie (Juliette), de 25 anos, descola um emprego na empresa do milionário Dimitri Speranski (Vernon Dobtcheff) e tem uma noite de amor com o filho dele, Paul (Mathieu Kassovitz). Ao acordar, a protagonista leva um tremendo susto. Além de ser seu 41º aniversário, ela é mãe de um garoto, ficou rica e mora num belo apartamento pegado à Torre Eiffel. Contudo, o trabalho no mercado financeiro ao lado do sogro a afastou do marido, o mesmo Paul do passado. Sem se lembrar de absolutamente nada, Marie tem agora a chance de acertar os ponteiros com o amado. Um ponto de partida curioso se perde em piadas previsíveis (Marie não sabe da morte de Michael Jackson nem que o dinheiro francês é o euro) e na falta de timing cômico da realizadora. O desfecho acelerado também contribui para a frustração. Estreou em 17/08/2012.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO