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Os comerciais de TV renderam fama e riqueza a Sylvia Araújo

Após fazer comerciais vestida de mulher gato, comerciante chegou a vende 7 500 móveis por mês

Por: Juliana de Faria - Atualizado em

Ela não participou de nenhum reality show, mas virou celebridade instantânea. A fama repentina de Sylvia Araújo, proprietária da loja de móveis que leva seu nome – Sylvia Design –, aconteceu devido ao seu comercial no canal MixTV. São 32 inserções de um minuto e meio a cada 24 horas, pelas quais paga 80 000 reais por mês. Chamam a atenção dos telespectadores pela performance da garota-propaganda, como se dizia no passado: ela grita as ofertas e ressalta principalmente as condições de pagamento, sempre muito facilitadas, além de apelar para draminhas familiares ("Comprem porque mamãe quer um Fusca de presente"). Usou fantasias variadas ("Quando visto a de mulher-gato, o movimento dobra").

Pessoalmente, percebe-se que ela não encarna um personagem na telinha. A comerciante, nascida Josefa Adecilda, 38 anos, age na vida real exatamente como a mulher excêntrica que vai ao ar. Fala alto, desafina os agudos, adora bijuterias e sapatos altíssimos, usa lentes de contato azuis e não dispensa estampa de oncinha nas roupas. Jura que faz o que bem entende. "Gravo meus comerciais sem ensaiar", diz. "Até ateei fogo em sofá, para anunciar queima de estoque." No site de vídeos YouTube, os internautas colocaram à disposição algumas de suas firulas. Uma delas foi vista mais de 6.000 vezes. "Sei que me chamam de maluca, mas pelo menos me destaco", afirma. De fato. Tanto que os outros 130 anunciantes da MixTV gostaram da idéia e também quiseram fazer comerciais vestidos de personagens de desenhos e de histórias em quadrinhos. Mas a emissora decidiu vetar esse tipo de propaganda, o que obrigou Sylvia, pelo menos por enquanto, a aposentar a roupa de gatinha feita com vinil preto.

Natural do Ceará, ela veio para São Paulo com 16 anos, em 1985, para tentar a sorte. Conseguiu uma vaga de vendedora de móveis na Rua Teodoro Sampaio em troca de um salário mínimo. Abriu a primeira loja só dezessete anos depois, na Avenida General Ataliba Leonel, em Santana, com o modesto capital de 8 000 reais. "Lá, eu era a única funcionária: recebia os clientes, fazia faxina, atendia telefone...", conta. Hoje, a situação é bem diferente. A morena tornou-se proprietária de quatro lojas (a maior, na Raposo Tavares, tem 1 200 metros quadrados), comanda 100 funcionários, guarda em seu estoque cerca de 20 000 móveis e vende 7 500 deles por mês. "Sou uma vencedora", alardeia. A vida realmente é boa para ela, que pôde fazer lipoaspiração na barriga e nos braços, é dona de uma coleção de 120 sapatos, tem um closet lotado de peças da Rua José Paulino e passa as férias de verão na Costa do Sauípe. Sua rotina, entretanto, não é fácil. "Trabalho sete dias por semana, mais de doze horas por dia", afirma Sylvia, que não pretende ficar muito mais tempo nesse mercado. "Quero curtir minha vida, meu filho", afirma. "Mas sei que minha loja vai deixar saudade."

Fonte: VEJA SÃO PAULO