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Orelhões: dos 100 telefones públicos testados, 39 não funcionaram

Na Zona Oeste a reportagem encontrou o maior número de telefones fora de combate (45%), e a região Leste foi a que se saiu menos mal

Por: Daniel Salles - Atualizado em

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Aparelho para cadeirantes na Rua Cerro Corá, na Lapa: alvo de vandalismo (Foto: Mario Rodrigues)

Graças à popularização dos celulares na última década — só no estado de São Paulo já são mais de 45 milhões de aparelhos em uso —, os orelhões de regiões urbanas em breve vão se tornar obsoletos, certo? Errado. De acordo com a empresa Telefônica, são vendidos no estado 105 milhões de cartões telefônicos todos os anos, o que dá uma média de 200 por minuto. A explicação para a grande procura pelo serviço é a disseminação dos planos pré-pagos, que correspondem a 80% dos celulares paulistas. “Para economizar, muitas pessoas utilizam o telefone móvel apenas com o objetivo de receber ligações e optam pelos equipamentos públicos na hora de retorná-las”, afirma Roberto Pfeiffer, diretor executivo do Procon de São Paulo. Eles também são essenciais em casos de emergência — quem nunca sacou o celular e descobriu que a bateria estava descarregada? Cerca de 69 000 dos 250 000 telefones públicos do estado ficam na capital. Na semana passada, a reportagem de VEJA SÃO PAULO testou aleatoriamente 100 deles, instalados nos quatro cantos da cidade. O resultado da amostragem impressiona: 39 aparelhos não funcionaram. Na Zona Oeste encontramos o maior número de telefones fora de combate (45%), e a região Leste foi a que se saiu menos mal: “apenas” 27% de seus orelhões estavam quebrados.

+ Confira a relação dos telefones públicos visitados

A Telefônica desembolsa 1,6 milhão de reais por mês para recuperar seus orelhões — 25% deles são depredados todos os meses, de acordo com a companhia. A reportagem, porém, deparou com apenas oito equipamentos que foram alvo de vândalos. Um exemplo: o bocal do telefone público para cadeirantes instalado na altura do número 803 da Rua Cerro Corá, na Lapa, havia sido arrancado. A maioria aparentava estar em ordem, como um localizado na Alameda Glete, no centro, que não tinha sinal. Já o da Avenida Arruda Botelho, em Pinheiros, em frente ao Colégio Santa Cruz, até realizava algumas ligações — desde que o dígito 1, que estava afundado, não fosse necessário.

Redação
Orelhões quebrados - Imagem
Veja em quais regiões da cidade encontramos a maior quantidade de aparelhos quebrados (Foto: Veja São Paulo)
Veja em quais regiões da cidade encontramos a maior quantidade de aparelhos quebrados

De acordo com as regras impostas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), é obrigatório haver um telefone público a cada 300 metros em áreas urbanas. “É comum os paulistanos terem de caminhar bem mais do que isso, dado o estado lastimável de boa parte de nossos equipamentos”, lembra Estela Guerrini, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), especializada em telecomunicações. “Em alguns bairros da periferia, a telefonia pública ainda é a única com a qual a população pode contar”, diz Roberto Pfeiffer. No teste, outro problema foi encontrado. Todo orelhão deve trazer um quadro com instruções sobre seu funcionamento e todos os códigos possíveis para ligações interurbanas. Cerca de 20% dos telefones testados por VEJA SÃO PAULO não tinham essas informações. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Telefônica explicou que depende em grande medida das queixas dos usuários — feitas pelo telefone 103 15 — para saber quais são os orelhões defeituosos. Pela legislação atual, os consertos não podem demorar mais do que 24 horas — e 98% deles precisam ser feitos em até oito horas (leia outras exigências abaixo). “Caso os prazos não sejam cumpridos, as denúncias devem ser encaminhadas à própria Anatel, pelo telefone 133”, esclarece Pfeiffer. Dependendo do número de reclamações — e da quantidade de reincidências —, as multas chegam a 50 milhões de reais.

O QUE A ANATEL EXIGE

Conheça as regras impostas para o setor:

- Todo orelhão precisa ter um informativo com os códigos das operadoras para ligações interurbanas, além de explicações sobre seu funcionamento

- A prestadora deve divulgar em seu site e em suas lojas a relação dos endereços de todos os pontos de venda de cartões telefônicos da capital

- No mínimo 2% dos telefones públicos de cada cidade têm de ser adaptados para cada tipo de defi ciência física. As solicitações precisam ser atendidas em, no máximo, sete dias

- Em todas as regiões de São Paulo, deve haver pelo menos um orelhão a cada 300 metros

- Solicitações de reparos podem ser feitas pelo telefone 103 15, que funciona dia e noite. Os consertos não devem demorar mais do que 24 horas, e 98% deles precisam ser feitos em até oito horas. O telefone para denúncias da Anatel é o 133

Fonte: VEJA SÃO PAULO