Transportes

Sete soluções para fazê-los andar

Especialistas apontam maneiras de melhorar a eficiência dos ônibus na cidade

Por: Mariana Barros [Colaboraram Daniel Salles e Giovana Romani] - Atualizado em

Ônibus - capa 2203
(Foto: Jonas Oliveira)

1) Construir novos corredores

A cidade tem dez corredores de ônibus, que somam 120 quilômetros. “Esse número deveria, no mínimo, dobrar”, avalia Jaime Waisman, professor de engenharia da USP. No mês passado, a prefeitura anunciou um plano que inclui a criação de três novos corredores, com início das obras no ano que vem. A verba reservada a eles neste ano é de 60 milhões de reais, suficiente para apenas 5 quilômetros. Segundo a administração, esse montante pagará os projetos e o dinheiro das obras será incluído no orçamento de 2012. Um deles será na Radial Leste, ligando o Parque Dom Pedro II à Avenida Aricanduva. O projeto pode pôr fim às pistas de sentido reversível da Radial, que hoje garantem o fluxo dos carros. “Eles serão direcionados para a Marginal Tietê, que, ampliada, tem condição de absorvê-los”, afirma o secretário de Transportes, Marcelo Cardinale Branco. Outro corredor deve ligar a Casa Verde ao centro, passando pela Avenida Inajar de Souza. Na Zona Sul, o plano é construir uma interligação entre a futura estação Vila Sônia, da Linha 4 – Amarela, e as estações Campo Limpo e Capão Redondo, da Linha 5 – Lilás. Como o traçado não passa por uma via existente, seria preciso desapropriar os imóveis ao longo do trajeto, o que é caro e demorado. Outra proposta é transformar o canteiro central da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini em corredor, prosseguindo até a Avenida Juscelino Kubitschek.

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2) Facilitar o embarque e o desembarque

Para tornar o embarque mais ágil e evitar filas, o arquiteto e urbanista Jaime Lerner implantou um sistema de transporte considerado exemplar quando foi prefeito de Curitiba, nos anos 90. Lá, os passageiros pagam a tarifa numa plataforma de embarque, nos moldes do que ocorre no metrô. “Isso elimina a espera para cruzar a catraca e facilita o acesso de pessoas com dificuldade de locomoção”, explica Lerner.

3) Proibir a circulação de táxis nos corredores

“Táxi não é transporte coletivo”, afirma o engenheiro de tráfego Francisco Moreno Neto. Por isso, os especialistas defendem a ideia de que os 32 000 táxis paulistanos deixem de circular nos corredores, prática permitida por lei desde 2005. O principal problema são os taxistas, que, para fugir das paradas, “costuram” entre as faixas. Esse hábito reduz a eficiência do corredor e ainda atrapalha os carros. “É preciso ainda intensificar a fiscalização e multar quem trafega irregularmente”, diz o consultor Horácio Augusto Figueira. Hoje, os carros só podem trafegar nos corredores diariamente entre 23h e 4h, nos fins de semana das 15h de sábado às 4h de segunda e, nos feriados, entre 0h e 4h do dia seguinte.

4) Criar faixas de ultrapassagem 

Corredor na Avenida Nove de Julho - capa 2203
(Foto: Elisa Rodrigues/Futura Press)

De acordo com a SPTrans, a velocidade média dos ônibus nos corredores é de 20 quilômetros por hora. Porém, nos momentos de maior movimento, alguns trechos registram 6 quilômetros por hora. Com pontos de ultrapassagem, a exemplo dos existentes na Avenida Nove de Julho, os ônibus podem seguir viagem sem perder tempo. Há, porém, um problema. “Falta espaço nas ruas para tornar a ultrapassagem possível”, pondera Marcos Bicalho, superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos. “É preciso ocupar as pistas dos carros.”

5) Reorganizar o sistema com maior frequência

Circulam pelas ruas paulistanas 15.000 ônibus. Para os especialistas, aumentar a frota só pioraria a lentidão. É preciso, no entanto, utilizá-la melhor. “Há micro-ônibus atendendo lugares saturados e excesso de ônibus em alguns corredores”, afirma o engenheiro Stanislav Feriancic. Um caso positivo de reorganização recente apontado pela SPTrans é a erradicação de linhas sobrepostas no Grajaú e no Campo Limpo. “O ônibus pode se adaptar à cidade, ao contrário dos trilhos”, diz Waisman. Criar um banco de dados com as informações dos 15 milhões de cartões de Bilhete Único ativos em São Paulo seria um bom começo.

6) Implantar semáforos com sensores

Os semáforos inteligentes podem abrir e fechar de acordo com o fluxo de veículos. Um sensor detecta a aproximação de um ou mais ônibus e deixa o sinal aberto pelo tempo que for necessário. “Os ônibus só parariam no ponto”, diz Figueira, defensor ferrenho da ideia.

7) Ampliar a integração dos ônibus com o transporte sobre trilhos

Com o Bilhete Único, é possível descer de um ônibus e embarcar em trens do Metrô ou da CPTM pagando 4,29 reais — sem ele, essa transferência sai por 5,65 reais. “Aumentar a malha metroviária demora muito tempo e não vai solucionar o problema tão cedo”, acredita Jaime Lerner. “O segredo é trazer novas linhas de ônibus para perto de estações de metrô e facilitar a troca de veículos.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO